A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

VISITAS AO CORO ALTO DO MOSTEIRO DE SANTA CLARA-A-NOVA, EM COIMBRA

Foto de Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

Programa de visitas em 2017 ao Coro Alto do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra 


- uma preciosidade ainda pouco conhecida: 
a visitar e a recomendar!



Caros Amigos e Confrades,

No âmbito da campanha de angariação de fundos para o restauro da Capela-Mor, a Mesa da Confraria anuncia a abertura excepcional do Coro Alto a visitantes. 

Pela primeira vez na história do Mosteiro, o público poderá admirar este belíssimo espaço, conhecido pelo seu famoso cadeiral, onde as Clarissas rezaram durante vários séculos e onde o túmulo de prata com as venerandas relíquias de Santa Isabel foi conservado até 1912, antes de ser transferido para a tribuna do altar-mor.

....


Saudações fraternas,
António Rebelo

Foto de Confraria da Rainha Santa Isabel.

UMA FOTOGRAFIA REPUBLICANA


A república portuguesa tal como a francesa ou a russa, para não ir mais longe, assentam no crime. Todas elas assassinaram o rei, um rei inocente, eleito pela história e pela tradição. A partir daí e para esconderem esse pecado original começaram a mentir. Começou a propaganda. Diga-se em abono da verdade e para sermos justos que dos três países visados, nem todos mentiram (ou mentem) da mesma maneira.

Enquanto a Rússia já pediu desculpa pelo acto e canonizou a família real martirizada pelos bolcheviques, a França prossegue impune na sua propaganda e celebra todos os anos, com pompa e circunstância, a data que simboliza a guerra civil e o crime. Portugal neste aspecto fica-se pelo ‘nim’! Nem assume o crime nem pede desculpa! Disfarça! E por conseguinte mente a dobrar! A provar o que afirmo basta tirar uma selfie ao país que temos hoje:

O governo é uma mentira, quem escolheu o primeiro-ministro foi o parlamento contrariando a vontade expressa nas urnas pelos portugueses. É constitucional?! É porque a constituição é também ela uma mentira, vai a caminho do socialismo… quando lhe convém.

O presidente da república se não é uma mentira é a quadratura do círculo! Filho de um ministro da ditadura, e afilhado do último primeiro-ministro da mesma, não lhe fica bem dizer mal da ditadura onde medrou nem da família que o educou. Mas disse.

A assembleia da república é uma Câmara Corporativa onde têm assento predominante os representantes do funcionalismo público. As chamadas profissões liberais, estão organizadas em matilhas, e trabalham para o estado que lhes encomenda tudo, incluindo as leis.

A actividade privada em Portugal é um mistério sendo difícil encontrar alguém que sobreviva sem uma ligação pecuniária ao mesmo estado.

Os tribunais normalmente não funcionam e quando funcionam é para protegerem a nomenclatura republicana.

Finalmente a população, o povo, atendendo ao que foi dito no capítulo da actividade privada, continua a viver como dantes: - ou emigra ou fica por cá, dependente, sem correr riscos, e com a única ambição de ser funcionário público. Se possível nascer já com um vínculo ao estado. Nesta perspectiva podemos dizer que é monárquico por natureza!

Não termino sem uma palavrinha sobre o futebol, fundamental para a propaganda do regime, e para dizer que está práticamente nacionalizado. Os clubes estão em falência técnica e só não acabam porque os bancos entretanto nacionalizados não deixam.

Há aí alguém que não esteja na fotografia?! Respostas a este apartado.

Saudações monárquicas 


JSM

Fonte: Interregno

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

VALHA-NOS DOM DINIS

Imagem relacionada
No momento em que Portugal bate recordes pelo número de incêndios deflagrados, mortes e área ardida, o ministro da Agricultura disse que "o Governo fez a maior revolução que a floresta conheceu, desde os tempos de D. Dinis". Consta que Capoulas Santos, primoroso republicano, não se pronunciou assim à conta do Pinhal de Leiria, que valeu ao monarca o cognome de Rei Lavrador. Ter-se-á inspirado na faceta do Rei Poeta, desta forma também chamado pelos dotes de trovador, versado que foi nas Cantigas de Amigo e sátira. Outra coisa não se compreenderia.
O que está a acontecer nas florestas portuguesas é trágico. Mas na matéria, convenhamos, temos um dos governos mais impreparados desde o 25 de Abril.
Capoulas Santos vangloriou-se pela aprovação de "10 dos 12 diplomas sobre a floresta", num conjunto de medidas "contra lóbis, comentadores e cientistas". Significa que numa área eminentemente técnica, se permite repudiar e depreciar o contributo que só a comunidade científica, que detém o conhecimento, pode dar. É assustador. Pior, orgulha-se do facto. De qualquer modo, não disfarça que a estratégia do Governo, que agora explica muito do fracasso, tenha sido por si assumida há exactamente um ano, em entrevista ao "Expresso". Disse assim: "Não há prevenção possível perante um tão elevado número de ignições, que só podem ter origem criminosa ou negligente, daí que a maior parte do orçamento esteja alocado ao combate e não à prevenção".
Significa, como confessado, que o Governo rejeitou o adágio popular que ensina que "no prevenir é que está o ganho". Ficou-se essencialmente pelo combate. Alterou lideranças na Protecção Civil e nomeou pessoas contra pareceres. Manteve no chão helicópteros Kamov, obsoletos, que num outro Governo António Costa quis comprar. E lida com as falhas no SIRESP, que nesse mesmo Governo quis negociar.
Igualmente grave, o Governo tem metido na gaveta milhares de projectos fundamentais à limpeza capaz da floresta e ao bom ordenamento do território. Dos milhões de euros do PDR 2020, disponibilizados por Bruxelas para o sector, apenas 11,86% do montante foi utilizado. Não tem perdão.
Esta semana, o Colégio de São Fiel, construído na serra da Gardunha, prestigiado pela história e notável no património, acaba de sucumbir às chamas, nas mãos do Estado que tinha a obrigação da sua salvaguarda, depois do definhamento imposto após a ocupação decidida durante a I República. O que seria, se o Governo não tivesse feito a maior revolução que a floresta conheceu, desde os tempos de D. Dinis.
Resultado de imagem para NUNO MELO
NUNO MELO
DEPUTADO EUROPEU
Resultado de imagem para JN

JANTAR "MONÁRQUICOS EM FÉRIAS" 2017, DIA 26 DE AGOSTO EM CAMINHA


Estimados Associados e Simpatizantes da Real Associação de Viana do Castelo

A pedido do nosso associado e membro da Direcção da RAVC, António da Rocha Páris, informamos que no dia 26 de Agosto às 20h30m, no Restaurante Remo em Caminha, terá lugar o tradicional Jantar "Monárquicos em Férias", que este nosso correlegionário vem organizando ao longo destes últimos anos.

Neste sentido convidamos os nossos associados e simpatizantes a participarem neste evento, para o que deverão contactar o organizador até ao próximo dia 24 de Agosto para o telemóvel número 968 010 777.

O preço do jantar deverá rondar os 18,00€ por pessoa e da ementa consta o bacalhau com broa.

Em anexo segue cartaz do evento.

Saudações monárquicas e continuação de boas férias

José Aníbal Marinho

--




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

BATALHA DE ALJUBARROTA - 14 DE AGOSTO DE 1385

Aljubarrota


Falecido D. Fernando I de Portugal, iniciou-se a Crise de 1383-85, pois os filhos varões do Rei, com D. Leonor Telles de Menezes, haviam morrido; e D. Beatriz (1372 – 1410), Infanta de Portugal, havia casado com D. João I, Rei de Castela, pelo que, sob pena de anexação de Portugal pelo Reino de Leão e Castela, a fidalguia portuguesa pretendia mantê-la afastada da sucessão. E era fortíssima a ameaça da união – que soava a integração – de Portugal com Castela e Leão, resultado do Tratado de Salvaterra de Magos, de 1383. Também, a burguesia mostrava-se desagradada com a regência da Rainha D. Leonor Telles e do seu amante, o Conde D’Andeiro e com a ordem da sucessão.
Estava por essa altura o país fragmentado em três facções que reclamavam a legitimidade à sucessão:
De um lado estava o partido legitimista, fiel a Castela, que defendia a causa da Infanta D. Beatriz, mulher do rei de Castela, a quem consideravam a única herdeira legítima do Rei de cujus, e entendiam vigorar plenamente o Tratado de Salvaterra de Magos, uma escritura antenupcial que defendia, a união dos dois reinos ibéricos, e ainda a regência da Rainha-viúva D. Leonor Telles, consorte do rei decesso.
Outro partido era o legitimista-nacionalista, a quem repugnava a ideia da perda da independência nacional – o que excluía D. Beatriz – e que era constituído pelos irmãos de D. Inês de Castro, D. Álvaro Pires de Castro e D. Fernando de Castro, e que defendiam a legitimidade da pretensão dos seus sobrinhos, o Infante D. João e o Infante D. Diniz, filhos do Rei D. Pedro I e D. Inês, e que portanto eram meios-irmãos do finado el-rei D. Fernando, e que o rei Cru, havia legitimado por casamento clandestino.
O terceiro partido, estritamente nacionalista, pugnava por um Rei português e colocava a supremacia e independência nacional acima de qualquer legitimidade, o que excluía a Infanta D. Beatriz, rainha de Castela e os filhos de D. Inês de Castro que viviam em Castela e, inclusive, já haviam combatido por esse Reino. Para estes últimos partidários, nos quais se incluíam o fervoroso D. Nuno Álvares Pereira, não restava então outra solução do que esquecer as habituais regras de sucessão e considerar o trono vago, como forma de salvaguardar a soberania nacional, elegendo como Rex Portucalensis D. João, Mestre de Avis, ainda que filho bastardo de D. Pedro.
O exercício de retórica para convencer a elite de Portugal congregada nos Três Estados, reunidos nas Cortes em Coimbra, a 06 de Abril de 1385, coube a João das Regras, que demonstrou que quer D. Beatriz quer os Infantes não eram filhos legítimos, a primeira porque o casamento entre D. Fernando e D. Leonor Telles de Menezes era inválido uma vez que o 1.º casamento da rainha não havia sido dissolvido legalmente, e que quanto ao filhos de Pedro e Inês o rei e os seus cortesãos havia prestado falsas declarações no que ao concerne ao casamento secreto de D. Pedro e D. Inês, embuste com a qual pretendeu legitimar os filhos. Todos os ali reunidos renderam-se ao exercício de oratória empolada de João das Regras e D. João foi eleito e Aclamado Rei pelas Cortes. Rei de Portugal, não por “direito próprio”, mas por eleição unânime e instado pelos Três Estados o que de acordo pela Lei medieval correspondia a um sinal da vontade Divina. D. João I consolidou definitivamente a sua posição e a de Portugal ao ser proclamado Rei de Portugal pelas Cortes reunidas em Coimbra.
Apesar das sucessivas derrotas militares, como em Lisboa e nos Atoleiros, o rei D. João I de Castela não desistira da coroa de Portugal, que entendia advir-lhe ius uxoris pelo casamento e opondo-se a tal resolução, responde invadindo Portugal, pela Beira-Alta, em Junho de 1385, e desta vez à frente da totalidade do seu exército e auxiliado por um forte contingente de cavalaria francesa. Quando as notícias da invasão chegaram, João I encontrava-se em Tomar na companhia de D. Nuno Álvares Pereira, o condestável do reino, e do seu exército, e mais uma vez, o chicote de Portugal, D. Nuno Álvares Pereira resolve tomar rédeas à situação e sitia as cidades que entretanto se converteram fiéis a Castela. Avança e a decisão tomada foi a de enfrentar os castelhanos antes que pudessem levantar novo cerco a Lisboa. Com os aliados ingleses, o exército português interceptou os invasores perto de Leiria. Dada a lentidão com que os castelhanos avançavam, D. Nuno Álvares Pereira teve tempo para escolher o terreno favorável para a batalha e a 14 de Agosto de 1385 tem a oportunidade de exibir toda a sua mestria e génio militar em Batalha.
A opção para a Batalha recaiu sobre uma pequena colina de topo plano rodeada por ribeiros, no Campo de São Jorge, Calvaria de Cima, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre Leiria e Alcobaça. Contudo o exército Português não se apresentou ao Castelhano nesse sítio, inicialmente formou as suas linhas noutra vertente da colina, tendo depois, já em presença das hostes castelhanas mudado para o sítio predefinido, isto provocou bastante confusão nas tropas de Castela. Assim pelas dez horas da manhã do dia 14 de Agosto, o exército português e os aliados ingleses comandados por El-Rei de Portugal D. João I e o Condestável do Reino tomaram a sua posição na vertente norte desta colina, de frente para a estrada por onde o exército castelhano e seus aliados franceses liderados por D. Juan I de Castela e Leão, eram esperados.
A disposição portuguesa era a seguinte: infantaria no centro da linha, uma vanguarda de besteiros com os 200 archeiros ingleses, 2 alas nos flancos, com mais besteiros, cavalaria e infantaria. Na retaguarda, aguardavam os reforços e a cavalaria comandados por D. João I de Portugal em pessoa. Desta posição altamente defensiva, os portugueses observaram a chegada do exército castelhano protegidos pela vertente da colina. A vanguarda do exército de Castela chegou ao teatro da batalha pela hora do almoço, sob o sol escaldante de Agosto. Ao ver a posição defensiva ocupada por aquilo que considerava os rebeldes, o Rei de Castela tomou a esperada decisão de evitar o combate nestes termos. Lentamente, devido aos 30.000 soldados que constituíam o seu efectivo, o exército castelhano começou a contornar a colina pela estrada a nascente. A vertente sul da colina tinha um desnível mais suave e era por aí que, como D. Nuno Álvares previra, pretendiam atacar. O exército português inverteu então a sua disposição e dirigiu-se à vertente sul da colina, onde o terreno tinha sido preparado previamente. Uma vez que era muito menos numeroso e tinha um percurso mais pequeno pela frente, o contingente português atingiu a sua posição final muito antes do exército castelhano se ter posicionado. D. Nuno Álvares Pereira havia ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e outras defesas em frente à linha de infantaria, protegendo esta e os besteiros. Este tipo de táctica defensiva, muito típica das legiões romanas, ressurgia na Europa nessa altura. Pelas seis da tarde, os castelhanos ainda não completamente instalados decidem, precipitadamente, ou temendo ter de combater de noite, começar o ataque. É discutível se de facto houve a tão famosa táctica do “quadrado” ou se simplesmente esta é uma visão imaginativa de Fernão Lopes de umas alas reforçadas. No entanto tradicionalmente foi assim que a Batalha acabou por seguir para a história. O ataque começou com uma carga da cavalaria francesa a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram o ataque. A pequena largura do campo de batalha, que dificultava a manobra da cavalaria, as paliçadas (feitas com troncos erguidos na vertical separados entre si apenas pela distancia necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem de cavalos) e a chuva de virotes lançada pelos besteiros (auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses) fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrar desorganizada e confusa. As baixas da cavalaria foram pesadas e o efeito do ataque nulo. Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses. Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou entraram em confronto com a infantaria portuguesa: “Castyla! Sant’iago!” ao que os portugueses replicaram bradando “Portugal! São Jorge!”. A linha castelhana era bastante extensa, pelo elevado número de soldados. Ao avançar em direcção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se (o que desorganizou as suas fileiras) de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros. Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses predispuseram as suas forças dividindo a vanguarda de D. Nuno em dois sectores, de modo a enfrentar a nova ameaça e onde se destacou com especial bravura a famosa Ala dos Namorados.
Mas, vendo que o pior da investida castelhana ainda estava para chegar, o Rei de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente. Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer.
Ao entardecer a batalha estava já perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou uma retirada geral sem organizar uma cobertura. Os castelhanos debandaram então desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se então em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade. Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo. Surge aqui um mito português em torno da batalha: uma mulher, de seu nome Brites de Almeida, recordada como a Padeira de Aljubarrota, iludiu, emboscou e matou, pelas próprias mãos, alguns castelhanos em fuga. A história é por certo uma lenda da época! De qualquer forma, pouco depois, D. Nuno Álvares Pereira ordenou a suspensão da perseguição e deu trégua às tropas fugitivas. Ao amanhecer do dia seguinte, a catástrofe sofrida pelos castelhanos ficou bem à vista: os cadáveres eram tantos que chegaram para barrar o curso dos ribeiros que flanqueavam a colina e o barulho ensurdecedor do crocitar dos corvos contribuía para o cenário de terror. Para além de soldados de infantaria, morreram também muitos nobres castelhanos, o que causou luto em Castela.
A Batalha de Aljubarrota representa uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da História de Portugal. No campo militar significou a inovação de uma táctica, onde os homens de armas apeados foram capazes de vencer a poderosa cavalaria medieval. No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até aos dias de hoje, pois no ano seguinte foi assinado o Tratado de Windsor, aliança consolidada em 1387 pelo casamento de D. João I com a Princesa Inglesa Dona Filipa de Lencastre (Lady Phillippa of Lancaster), filha de John Gant, Duque de Lancaster, e neta do então monarca inglês Eduardo III, de cujo consórcio matrimonial nasceria a Ínclita Geração. No aspecto político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Leão e Castela, permitindo a afirmação de Portugal como Reino Independente.

Miguel Villas-Boas

sábado, 12 de agosto de 2017

UMA CHINA CRISTÃ? O GRANDE PROJECTO PORTUGUÊS DESTRUÍDO PELA INVEJA

Foto de Nova Portugalidade.

Se os portugueses sofrem de inveja, também nós, fomos desde sempre, invejados por outros povos. Inveja das nossas possessões, e cobiça do nosso triunfo no Oriente. 

Na segunda metade do século XVI e no princípio do século XVII, Portugal vivia o auge do seu domínio no Índico. Para além do número incontável de feitorias e fortalezas que foram fundadas desde o Golfo Pérsico ao Japão, a acção missionária crescia, cada vez era maior o número de conversões e vocações, tanto de indígenas, como de missionários. De início, pareceram os locais de fácil cristianização, mas depois, à medida que os esforços foram sendo maiores, percebeu-se que havia várias barreiras. Portugal quis levar o Ocidente ao Oriente, quis estabelecer laços e dar as mãos com povos de outras raças nunca antes conhecidas. Tanto na Índia como na China, o hinduísmo, o Budismo, o Taoísmo, as tradições de culto chinesas, o Confucionismo, nada tinham a ver com o catolicismo que se professava na Europa. O quotidiano dos povos era diferente, havia uma diferença abismal nas mentalidades, na Fé, na prática do acreditar, nas relações políticas entre chefes de estado e nas hierarquias sociais, de dois continentes que cresceram separados e que se encontravam agora pela primeira vez. Como sabemos, os principais responsáveis pela evangelização no Oriente, numa primeira fase, foram os jesuítas ao serviço do Padroado Português. Seguindo o exemplo do Apóstolo das Índias, aquele que mais e melhor converteu, S. Francisco Xavier, os jesuítas na China tentaram numa primeira fase perceber quais as melhores estratégias de conversão, penetrando na cultura Chinesa, e avaliando como poderiam iniciar esta empresa. Havia que se dar a conhecer aos poucos a realidade da Salvação a quem não a conhecia. Para isso, era necessário adaptar os valores da religião de Jesus Cristo às necessidades e crenças dos orientais.

Numa primeira fase da cristianização da China, vários padres jesuítas ao serviço do Padroado conseguiram estabelecer relações com responsáveis políticos, com sacerdotes e com o governadores locais, letrados e mandarins, matemáticos e cientistas, ganhando terreno e protecção para permanecerem no território. Constroem-se colégios de Jesuítas (no que merece destaque o de São Paulo, em Macau) e fundam-se igrejas com cada vez mais fiéis. O mérito, ficava para os jesuítas e para os portugueses. Contudo, essa acção de evangelização teve sucesso devido à inteligência e espírito visionário dos missionários que conseguiram adaptar e incutir a religião católica na tradição chinesa - e, no século XVII, chegou-se ao ponto da quase conversão ao cristianismo do imperador Chongzen. Para levar os chineses à igreja, pediu-se a Roma que abrisse algumas excepções à ortodoxia católica, tais como a possibilidade de utilizar a língua chinesa na liturgia, uma vez que só o Latim era utilizado e não era permitida a utilização do vernáculo nas celebrações (permitida em 1656 por Alexandre VII). Usaram também os símbolos e tradições locais para melhor mostrarem a presença de Cristo. Usava-se uma tabuleta, no cimo das igrejas com uma inscrição que traduzida quer dizer "Senhor Celestial" ou "Reverência para o Céu", isto porque os chineses tinham conhecida devoção pelo céu, com isso se fazendo mais fácil explicar onde estava, donde vinha e quem era o Redentor.

Com isto, houve quem se opusesse ao dizer que se tratava de uma tradução mal feita do sagrado nome de Deus. Depois, insurgiram-se contra a participação dos cristãos recém-convertidos - que os jesuítas haviam, sensatamente, permitido - em funerais e cerimónias de culto aos antepassados, à natureza ou a Confúcio. E, assim, veio a contestação à participação pelos padres do Padroado em cerimónias de Estado. Estes factos vieram a conduzir à derrocada do extenso labor evangelizador que havia sido feito na China. A convivência entre pessoas de diferentes credos foi perigada, deitando por água abaixo o trabalho dos missionários Matteu Ricci, Adam Schall e Martino Martini, entre muitos outros. E tudo isto devido à inveja; crescendo o sucesso do Padroado, e por isso a influência e penetração de Portugal na China, nasce a Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris e a Congregação de Propaganda Fide. Estas tratam, em lógica que deve ser integrada nos interesses políticos da coroa francesa, de enviar missionários Franciscanos e Carmelitas para o Império do Meio. Surgiu uma terrível rivalidade entre missionários de diferentes ordens religiosas e de diferentes nacionalidades, acompanhada de verdadeira perseguição aos chamados "ritos chineses". O cristianismo recalibrado, adaptado à mundivisão e necessidades dos chineses, foi formalmente censurado pelo Papa Clemente XI e votado a rigorosa perseguição. A China, naturalmente, reagiu. Se o Imperador Kangxi, Filho do Céu entre 1667 e 1722, tinha permitido a livre evangelização pelos missionários cristãos, agora vai, surpreendido com uma religião tão pouco tolerante e tão dada a violências, proibi-la. Quianlong e Jiajing continuaram a política, que conduziu à expulsão da China de todos os padres excepto os que serviam o Império como cientistas ou astrónomos. O cristianismo seria proibido.

Assim perdeu Portugal influência e amizade que lhe levara cento e cinquenta anos a construir; assim, também, se perderam para a Cristandade as vastidões geográficas e humanas da China. Os portugueses compreendiam a Ásia; os restantes europeus, não.

Tomás Severino Bravo

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

COMPREENDER DOM SEBASTIÃO E ALCÁCER-QUIBIR

Foto de Nova Portugalidade.


De todos os chefes portugueses, nenhum terá sido mais vilipendiado, mais brutalizado pela História ou mais incompreendido que Dom Sebastião. "Desejado" pela massa da população, o último monarca da casa de Avis não foi menos acusado; denigre-se-lhe o julgamento, ataca-se-lhe a idade, ridiculariza-se-lhe como "obsessiva" a vontade de ir colher prestígio marcial a Marrocos. O rei, arrasado na honra por lenda negra de criação recente, confunde-se para a maioria com o "atrasado mental" e o "pedaço de asno" que lhe desenha António Sérgio: jovem, estúpido, débil físico e mental, o arrogante monarca teria embarcado em delirante cruzada africana para nela perder a liberdade nacional; o holocausto da pátria nas mãos daquele rei-menino ofereceriam, continua o mito, prova segura dos perigos da monarquia e da concentração de poder. Trata-se, pois bem, de imbecil mentira política sem coisa que a prove ou evidência que a sugira: o rei não foi criança irracional, mas estratego avisado e sagaz, atento ao mundo e ferreamente consciente do interesse prático, geopoliticamente ditado e interpretado, da nação portuguesa. A cruzada africana foi lógica, fazia sentido, respondeu e correspondeu a uma urgência nacional. É, também, sabido que falhou clamorosamente - o facto em nada fere o argumento geral de que a operação era estrategicamente necessária, por muito que tenha sido tacticamente mal conduzida e acabado, como sabemos, por redundar em rotundo fracasso.

Integremo-nos no contexto português da época. Após longa regência, conduzida a tempos por Dona Catarina de Áustria, avó de Dom Sebastião, e a outros pelo seu tio-avô, o Cardeal Dom Henrique, achava-se maculado o nome de Portugal. Crescera a influência espanhola, de que Dona Catarina era agente fiel; em Marrocos, enfraquecera-se perigosamente a posição portuguesa com a política de retirada estratégica promovida por Dom João III. A Espanha, monarquia aliada com que Portugal partilhava a península, as rotas marítimas e os interesses comerciais, entrara em acelerado declínio no primeiro ano de governo de Dom Sebastião, 1568, devido à revolta das suas província holandesas. À medida que foram crescendo as aflições da coroa castelhana, mais onerosa se foi fazendo a nossa aliança com ela; maiores, mais pesadas e mais problemáticas de satisfazer foram, também, ficando as exigências de Filipe II. Em nome da unidade católica, pediu o Escorial a Dom Sebastião que encerrasse os portos portugueses aos protestantes da Holanda. Requereu-se ainda de Portugal que controlasse o tráfico de ouro da América espanhola - calcula-se que acabava cá um terço do metal precioso lá extraído - para Lisboa. Eram pedidos que Portugal não podia, sem perigar interesses seus, acolher. Como surgia claro aos decisores portugueses, o envolvimento crescente de Castela nos negócios lusos denunciava inquietação que o poderio espanhol já não tinha como aquietar ou esconder; o jovem Sebastião viu na agressividade do gigante acossado manifestação clara do desequilíbrio que se gerara entre Portugal e Espanha. A segunda, mais forte que o primeiro, mas ferida e em grave crise, procurava impor-se-lhe de modo intolerável. Toda a política diplomática de Dom Sebastião partiu desse diagnóstico: por um lado, de que a aliança luso-espanhola era do nosso interesse e vantajosa para o mundo católico; por outro, de que a desproporção de forças entre a Espanha hegemónica e Portugal nos era danosa e abria espaço a excessos que Lisboa não poderia tolerar de Madrid.

O diagnóstico de Dom Sebastião era, quanto a nós, certeiro. Em causa não está, da parte do autor destas linhas ou do Rei Desejado, qualquer má-vontade ante a Espanha. Na sua formação psicológica e natural desejo de fazer, ultrapassar, marcar a História, Dom Sebastião terá tido na pessoa do Rei-Imperador Carlos I & V, seu avô espanhol, objecto primeiro de inspiração. O seu apego à aliança espanhola era sentimental e racional. O autor segue Dom Sebastião na compreensão e defesa dessa política de amizade, e estima-a ponto essencial da política externa portuguesa de todas as eras - incluindo, naturalmente, a actual. Dom Sebastião não se distanciava da avó Dona Catarina na proposição dessa política, que de tão clara vantagem era para Portugal que em nenhum sector causava apreensão. Em causa estava, sim, a recalibração da relação, que só poderia voltar a ser plenamente útil a Portugal - salvaguardando-lhe a colaboração espanhola sem comprometer a liberdade de acção de Lisboa - se fosse reequilibrada: isto é, se pudesse Portugal ganhar frente a Madrid músculo que não demonstrara em décadas anteriores.

Portugal propôs-se reestabelecer o equilíbrio ibérico, que se perdera para dar lugar a situação que o Professor Borges de Macedo classifica de "cerco", através de dois tipos de medidas. Umas, diplomáticas, procuraram compensar a ligação a Espanha - que a avó de Dom Sebastião, Dona Catarina, queria fortalecer pelo casamento entre o neto e uma filha de Filipe II - com o matrimónio do Rei com uma princesa austríaca ou francesa. A primeira tentativa, que faria de Ana de Áustria rainha de Portugal, gorou-se ao substituir-se a Sebastião na união o seu tio Filipe de Espanha. O episódio, como parecerá natural, desagradou grandemente à corte de Lisboa, e fez por envenenar mais ainda as relações entre os dois poderosos impérios ibéricos. Seguiu-se nas preferências de Lisboa uma princesa francesa, Margarida de Valois. O interesse português em Margarida, irmã de Carlos IX de França, consubstanciava uma inovadora tentativa de aliança com a França, agora tida como alternativa à aliança com a Inglaterra protestante. Embora tenha vindo a falhar, o projecto oferece, se entendido na lógica diplomática a que evidentemente obedeceu, prova de um programa político claro e bem pensado. Nenhum destes passos, todos profundamente lógicos e submetidos a um só objectivo - a busca de aliados fora da península - corrobora a imagem tradicional de um monarca irracional, confuso ou politicamente incapaz.

O segundo leque de medidas implementadas por Dom Sebastião foi de carácter militar e concentrou-se, como sabemos, em Marrocos. Tratá-lo-emos a fundo na segunda parte deste estudo.

RPB

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

FOTOGRAFIAS DO 3º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO DOS AUTARCAS MONÁRQUICOS

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
António Lima Martins,Elisabete São Jorge, Eva Vider e Manuel Beninger

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Júlio Domingues, autarca em Monção, António Machado Santos, autarca em Panóias, Braga, e Isabel Beninger, em Vila do Conde

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Prof. Doutor Eduardo Carqueja, PhD, Deputado na Assembleia Municipal do Porto e José Gesteira, Deputado na Assembleia Municipal de Vila do Conde

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
O hastear da Bandeira de Portugal

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Minuto de silêncio por todos os nossos conselheiros que nos deixaram no último ano.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Minuto de silêncio por todos os nossos conselheiros que nos deixaram e em especial ao amigo 
Eng.º Jorge de Alcântara Carreira

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Eng. Manuel Beninger, Presidente da direcção da APAM

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Miguel Paiva, Presidente do Conselho Fiscal da APAM e vereador na Câmara Municipal de Vila do Conde, eleito pelo PSD

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Luís Barreiros, Vice-presidente da Assembleia Geral da APAM entrega a
MEDALHA DE HONRA DA APAM a
Hugo Torres, cantor, compositor e autor.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. António Lima Martins Presidente da Comissão de Honra da candidatura «Juntos por Gualtar»

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Presidente da Associação Porto Histórico Cultural, Dr. José Martins Pereira

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Nicolau Veríssimo

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr.ª Graça Ribeiro da Silva Godinho

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. José Maria Lacerda e Megre

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr.ª Martinha do Rosário Oliveira de Sousa Couto Soares, social-democrata e 1.ª Secretária da Mesa da Assembleia Municipal de Vila Verde, entregue pela Dr.ª Barbara Barreiros, Secretária da Assembleia Geral da APAM e Deputada na Assembleia Municipal de Viana do Castelo, eleita independente nas listas do PSD

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Paulo Rebelo, Vereador em Felgueiras - CDS

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Eng.º Abílio Vilaça, Prof. Doutor no ISAG - Instituto Superior de Administração e Gestão, e no IPCA - Escola Superior de gestão, Presidente da ADERE-MINHO - Associação de Desenvolvimento Regional do Minho (foi vereador Independente em Braga)

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. João Fernando Ferreira Leite, Presidente da Assembleia de União das Freguesias de Merelim (São Pedro) e Frossos, Braga

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Carlos Manuel Antunes Gomes, foi vereador em Braga pelo CDS

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Carla Sofia Gonçalves da Cunha, Deputada na Assembleia Municipal de Ponte de Lima, eleita independente na lista do PSD

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Dr. Luís Artur, Deputado e líder de bancada Independente na Assembleia Municipal do Porto

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Luís Pedroso, Presidente da União de Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade, Braga, com 14.572 habitantes (Independente)

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Prof.ª Doutora Eva Vider, PhD, Professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro, , recebendo o Diploma de Membro Correspondente do "Instituto Balear de la Historia", Espanha

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Eng.º Fábio Reis Fernandes, Conselheiro Benemérito da APAM e Presidente da Real Associação da Beira Litoral, recebe o Diploma de Membro Correspondente do "Instituto Balear de la Historia", Espanha

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Eng.º Mário Guedes

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.