28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

CRÓNICA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA - A CONJURA

 

Estava uma noite escura e fria, típica do Outono que já ia adiantado, e a neblina envolvia em segredo aquelas figuras que afundadas em capas e capotes negros se abafavam não só do frio, mas se escondiam de olhares indagantes. Os seus largos chapéus de abas e plumas escuras pareciam bailar enquanto as figuras que mal se recortavam no breu se esgueiravam pela noite adentro, sem outra coisa que os denunciasse que não fosse o brilho nos olhos de quem tinha a razão do seu lado, e os tacões que quando em vez apanhando um macadame mais seco troavam, fazendo ladrar um cão na vizinhança. Convergiam todos para uma pequena porta incrustada na velha muralha fernandina.

Um a um, ou às vezes até mais quando o objectivo os fazia convergir ao mesmo tempo, batiam à portinhola e depois de reconhecidas as caras do outro lado pelo proprietário entravam e desciam os estreitos degraus um a um – até porque não dava para o fazer de par em par – até desembocar no jardim do que parecia ser um Palácio. Iam entrando numa pequena sala na qual desembocava a escadaria, e que umas velas de luz mortiça teimavam em não se deixar apagar para alumiar os presentes. O encontro tinha que ser assim, no secretismo que aquele lugar possibilitava por estar longe dos olhares curiosos dos demais habitantes do Palácio, especialmente da criadagem – sempre de língua solta! -, até porque aquilo não era uma tertúlia, mas uma Conjura!

Livres dos embuços que serviram para os camuflar na noite, cumprimentaram-se todos efusivamente.

O que levava aqueles homens da mais distinta Nobreza Portuguesa à possibilidade de tais perigos?!

Durante o Domínio Filipino da nossa Pátria, sobretudo no de Filipe III (IV de Espanha), Portugal, na prática, tratava-se de província espanhola, governada à distância, por quem não demonstrava qualquer cuidado com os interesses e anseios dos portugueses.

No início do reinado de Filipe III, então com 16 anos, em 1621, instalou-se em Madrid a política centralista de Gaspar Filipe de Gusmán, Conde-Duque de Olivares, plasmada no seu projecto Instrucción sobre el gobierno de España, de 1625, apontada à obliteração da autonomia portuguesa, abduzindo por completo o Reino de Portugal. Este documento de intenções apontava três sentidos: 1º – Realizar uma cuidadosa política de casamentos, para confundir e unificar os vassalos de Portugal e de Espanha; 2º – Ir o rei Filipe IV fazer corte temporária em Lisboa; 3º – Abandonar definitivamente a letra e o espírito dos capítulos das Cortes de Tomar (1581), que colocava na dependência do Governo autónomo de Portugal os portugueses admitidos nos cargos militares e administrativos do Reino e do Ultramar (Oriente, África e Brasil), passando estes a ser Vice-reis, Embaixadores e oficiais palatinos de Espanha.

A Governação dos Filipes transformara-se em tirania. Como de simples nativos se tratassem, os habitantes serviam unicamente para serem visitados pelo cobrador de impostos. Este confisco em nada beneficiava o País, pois o tributo não era repartido para fruir as necessidades e premências de Portugal e o bem comum dos naturais, mas ajudavam tão só a custear as despesas do Império espanhol.

Foi sobretudo esta política fiscal que abriu o caminho para a Restauração. Ainda, em 1628, aconteceu o Motim das Maçarocas, no Porto, revolta contra o imposto do linho fiado; depois, em Agosto de 1637, foram os protestos e a violência, que ficaram conhecidas por Alterações de Évora, e que tiveram origem no aumento do imposto do real de água e a sua generalização a todo o Reino de Portugal, assim como o aumento do imposto da Sisa elevado para 25%. Apesar da revolta ter sido instigada pelo Procurador e pelo Escrivão do povo – acicatados ainda pelo imposto da meia-anata -, numa manobra para manter o anonimato dos impulsionadores, as ordens para a marcha da insurreição surgiram assinadas pelo ‘Manuelinho’, um pobre demente da cidade alentejana. As Alterações de Évora, contagiariam todo o País e alastraram a Sousel, Crato, Santarém, Tancos, Abrantes, Vila Viçosa, Porto, Viana do Castelo, Bragança, Beira e Algarve.

Vulgarizam-se os panfletos populares contra Filipe III (IV):

‘Que teve em ti Portugal? Grande mal. E de seres seu Senhor? Gram rigor. Que teve dos castelhanos? Grandes danos.’

Desta forma, o descontentamento era transversal a toda a Sociedade portuguesa: a Nobreza via os poucos cargos de administração que, ainda, sobejavam no Reino de Portugal – uma vez que a Corte estava em Madrid -, e, que outrora haviam sido dos seus antepassados, ocupados pelos ocupantes estrangeiros. Além disso, eram obrigados a alistar-se no exército espanhol suportando todas as despesas, e os que a sua idade já desobrigava da prestação obrigatória do serviço militar retiraram-se para a província, onde viviam nos seus palacetes e solares subsistindo com o mínimo de dignidade que imponham os pergaminhos de família.
Também, a Burguesia estava desiludida e em rota de colisão coma pobreza, pois em consequência da belicosidade castelhana com as demais nações europeias, os territórios e navios portugueses eram atacados e saqueados, ficando os corsários Ingleses, Franceses e Holandeses, com os produtos originários dessas terras e que outrora comerciavam proveitosamente. Assim, comércio e respectivo lucro haviam caído a pique.

Apesar da insurreição de Évora, em 1637, não ter derrubado o Governo pró-Castela de Lisboa -consequência da repressão das tropas castelhanas que vieram em seu auxílio e que evitaram logo ali revolução -, já ninguém podia mudar o curso das vontades.

Em 1639, o Duque de Bragança, recém-nomeado Governador de Armas do Reino, instalou-se em Almada onde começou a receber a visita da nobreza e fidalguia, entre os quais D. Francisco de Mello que lhe começa a incutir as ideias da restauração da independência.

Eclode uma revolta na Catalunha, também, contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares. A 7 de Junho de 1640, o Rei Filipe IV convoca Dom João II de Bragança para o assistir na viagem à Catalunha e colaborar na campanha de repressão que ia empreender. O Duque de Bragança enjeitou a convocação de Filipe IV, no que foi seguido por muitos nobres portugueses que receberam idêntica intimação, recusando-se também a obedecer a Castela.

Foi, então, que, secretamente, se vinha congregando um grupo de 40 Nobres, que viriam a ser denominados de Conjurados. Nas suas reuniões, no Palácio dos Almadas, propriedade do então titular, Dom Antão de Almada, 7º Conde de Abranches, o grupo patriótico português nascido clandestinamente, começou a analisar e engendrar a melhor forma de revolta contra o domínio castelhano. Principiaram então a tecer uma revolta que tivesse garantias de êxito.

A reunião desta noite de 12 de Outubro de 1640, é a mais importante de todas, pois além do Conde de Almada, fidalga e nobre família que tanto já tinha dado à sua Nação e se preparava para ainda mais dar, incluía D. Miguel de Almeida – o decano destes Conjurados -, o Monteiro-mor Francisco de Mello e seu irmão Jorge de Mello, António Saldanha, Pedro de Mendoça Furtado e o agente do Duque de Bragança em Lisboa, João Pinto Ribeiro.

– Meus senhores… – o anfitrião tomou a palavra –, já é o tempo de encontrarmos despacho neste arrojo conspirativo, pois que de todas as vezes que nos sentamos nesta tabula colocamos nossas cabeças mais perto do cepo! Não desejando perder a minha, tal como de igual modo acham Vossas Mercês grande utilidade às vossas, é o tempo da resolução e da audácia definitiva! Não pode esta tão grande Nação sob jugo ilegal estrangeiro continuar a sofrê-lo e os três estados a verem-se humilhados continuamente pelo ocupante. O tempo urge, por quanto tempo mais ficarão os castelhanos ocupados com aqueles arremedos de independência catalã?

Depois de muito patuá é decidido indigitar um deles para se encontrar com o Duque de Bragança, no Paço Ducal de Vila Viçosa. (Continua)

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE BRAGA APROVA REPOSIÇÃO DO FERIADO DO 1.º DE DEZEMBRO

 


Orgulhosamente português.
Viva o Rei !!!
Viva Portugal !!!



 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE BRAGA APROVA REPOSIÇÃO DO FERIADO DO 1.º DE DEZEMBRO


«Os deputados municipais aprovaram uma moção para que a Assembleia Municipal de Braga recomende ao novo Governo que encete esforços para a reposição do feriado do 1.º de Dezembro, “uma data que traduz porventura como nenhuma outra a identidade, a história e a coesão nacionais”.
 
Da autoria de Manuel Beninger, a moção visa ainda que a Assembleia Municipal dê conhecimento da mesma ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao presidente da Assembleia da República, “para que todos possam contribuir para a reposição, enquanto feriado nacional, do dia da identidade nacional”.
 
Manuel Beninger sustenta na moção que “não há feriado mais importante para uma nação do que a sua independência e para um povo do que a sua liberdade” e acrescenta que o “1.º de Dezembro era o mais antigo feriado civil português e o mais alto dos feriados patrióticos, tendo atravessado regimes e mudança políticas e sociais, sendo a forma como há século e meio os portugueses, da esquerda à direita, dos monárquicos aos republicanos, escolheram celebrar a sua independência e liberdade”. A moção foi aprovada com os votos a favor do PS, CEM, CDU, PPM e presidentes de junta. O PSD e o CDS abstiveram-se.»

Fonte: Jornal Correio do Minho de 29 de Nov de 2015, pág. 8
 

RESTAURAÇÃO DA LEGALIDADE

 

Extinta a Dinastia de Avis, com o falecimento do Cardeal-Rei Dom Henrique e a debandada de Dom António, Prior do Crato, provocada pelos castelhanos, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Filipe I de Portugal era filho de Dona Isabel de Portugal, irmã do Cardeal-Rei e de Dom João III, e portanto neto do Rei Dom Manuel II de Portugal.

Mas de acordo com o hábito e costumes portugueses o poder do Rei sempre adveio de um pacto com as Cortes – que no fundo era um Congresso de Chefes – por isso o Rei de Portugal é Aclamado e não Coroado. Firmado esse pacto, o Rei seria assim o primus inter pares entre os barões do reino.

No caso particular de Portugal, e sempre tal aconteceu desde o próprio Rei Fundador Dom Afonso Henriques, o Rei é Aclamado e nunca imposto! Ou seja, apesar do Príncipe herdeiro suceder ao Rei falecido existe uma participação dos Pares do Reino e do Povo que ratifica essa sucessão sendo que esse passo é o acto jurídico que verdadeiramente faz o Novo Rei! Nos 771 anos da Monarquia Portuguesa o Rei sempre reinou por delegação da comunidade portuguesa que reunida em Cortes o Aclamou e fez Rei.

Então nesta sessão da Assembleia convocada por Dom Afonso Henriques que ficaram conhecidas como Cortes de Lamego reuniu-se a nobreza, o clero, assim como procuradores dos concelhos de todo o Condado Portucalense.

Nessa sessão, os representantes terão eleito o jovem Infante e regulado a sucessão dinástica do Reino de Portugal nas ACTAS DAS CORTES DE LAMEGO:

‘Em nome da santa, e indivisa Trindade Pai, Filho, e Espírito Santo, que é indivisa, e inseparável. Eu, Dom Afonso filho do Conde D. Henrique, e da Rainha Dona Teresa neto do grande D. Afonso, Imperador das Espanhas, que pouco há que pela divina piedade fui sublimado à dignidade Rei. Já que Deus nos concedeu alguma quietação, e com seu favor alcançamos vitória dos Mouros nossos, inimigos, e por esta causa estamos mais desalivados, porque não suceda depois faltar-nos o tempo, convocamos a Cortes, todos os que se seguem: o Arcebispo de Braga, o Bispo de Viseu, o Bispo do Porto, o Bispo de Coimbra, o Bispo de Lamego, e as pessoas de nossa Corte que se nomearão abaixo, e os procuradores da boa gente cada um por suas Cidades, convém a saber por Coimbra, Guimarães, Lamego, Viseu, Barcelos, Porto, Trancoso, Chaves, Castelo Real, Vouzela, Paredes Velhas, Seia, Covilhã, Monte Maior, Esgueira, Vila de Rei, e por parte do Senhor Rei Lourenço Viegas havendo também grande multidão de Monges, e de clérigos.

Juntámo-nos em Lamego na Igreja de Santa Maria de Almacave. E assentou-se o Rei no trono Real sem as insígnias Reais, e levantando-se Lourenço Viegas procurador do Rei disse:

“Fez-vos ajuntar aqui o Rei D. Afonso, o qual levantastes no Campo de Ourique, para que vejais as letras do Santo Padre, e digais se quereis que seja ele Rei.”

Disseram todos:

– “Nós queremos que seja ele Rei.”

E disse o procurador:

– “Se assim é vossa vontade, dai-lhe a insígnia Real.”

E disseram todos:

– “Demos em nome de Deus.”

E levantou-se o Arcebispo de Braga, e tomou das mãos do Abade de Lorvão uma grande coroa de ouro cheia de pedras preciosas que fora dos Reis Godos, e a tinham dada ao Mosteiro, e esta puseram na cabeça do Rei, e o senhor Rei com a espada nua em sua mão, com a qual entrou na batalha disse:

– “Bendito seja Deus que me ajudou, com esta espada vos livrei, e venci nossos inimigos, e vós me fizestes Rei e companheiro vosso, e pois me fizestes, façamos leis pelas quais se governe em paz nossa terra.”

Disseram todos:

– “Queremos Senhor Rei, e somos contentes de fazer leis, quais vos mais quiserdes, porque nós todos com nossos filhos e filhas, netos e netas estamos a vosso mandado.”

Chamou logo o Senhor Rei os Bispos, os nobres, e os procuradores, e disseram entre si, façamos primeiramente leis da herança e sucessão do Reino, e fizeram estas que se seguem.

Viva o Senhor Rei Dom Afonso, e possua o Reino. Se tiver filhos varões vivam e tenham o Reino, de modo que não seja necessário torná-los a fazer Reis de novo. Deste modo sucederão. Por morte do pai herdará o filho, depois o neto, então o filho do neto, e finalmente os filhos dos filhos, em todos os séculos para sempre.

Se o primeiro filho do Rei morrer em vida de seu pai, o segundo será Rei, e este se falecer o terceiro, e se o terceiro, o quarto, e os mais que se seguirem por este modo.

Se o Rei falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reino em sua vida, mas quando morrer não será Rei seu filho, sem primeiro o fazerem os Bispos, os procuradores, e os nobres da Corte do Rei. Se o fizerem Rei será Rei e se o não elegerem, não reinará.

Disse depois Lourenço Viegas Procurador do Rei, aos outros procuradores:

– “Diz o Rei, se quereis que entrem as filhas na herança do Reino, e se quereis fazer leis no que lhes toca?”

E depois que altercaram por muitas horas, vieram a concluir, e disseram:

– “Também as filhas do senhor Rei são de sua descendência, e assim queremos que sucedam no Reino, e que sobre isto se façam leis”, e os Bispos e nobres fizeram as leis nesta forma.

Se o Rei de Portugal não tiver filho varão, e tiver filha, ela será a Rainha tanto que o Rei morrer; porem será deste modo, não casará se não com Português nobre, e este tal se não chamará Rei, se não depois que tiver da Rainha filho varão. E quando for nas Cortes, ou autos públicos, o marido da Rainha irá da parte esquerda, e não porá em sua cabeça a Coroa do Reino.

Dure esta lei para sempre, que a primeira filha do Rei nunca case senão com português, para que o Reino não venha a estranhos, e se casar com Príncipe estrangeiro, não herde pelo mesmo caso; porque nunca queremos que nosso Reino saia fora das mãos dos Portugueses, que com seu valor nos fizeram Rei sem ajuda alheia, mostrando nisto sua fortaleza, e derramando seu sangue.

Estas são as leis da herança de nosso Reino, e leu-as Alberto Chanceler do senhor Rei a todos, e disseram, boas são, justas são, queremos que valham por nos, e por nossos descendentes, que depois vierem.

E disse o Procurador do senhor Rei.

– “Diz o senhor Rei. Quereis fazer leis da nobreza, e da justiça?”

E responderam todos:

– “Assim o queremos, façam-se em nome de Deus”, e fizeram estas.

Todos os descendentes de Sangue Real, e de seus filhos e netos sejam nobilíssimos. Os que não são descendentes de Mouros ou dos infiéis Judeus, sendo Portugueses que livrarem a pessoa do Rei ou o seu pendão, ou algum filho, ou genro na guerra sejam nobres. Se acontecer que algum cativo dos que tomarmos dos infiéis, morrer por não querer tornar a sua infidelidade, e perseverar na lei de Cristo, seus filhos sejam nobres. O que na guerra matar o Rei contrário, ou seu filho, e ganhar o seu pendão seja nobre. Todos aqueles que são de nossa Corte, e têm nobreza antiga, permaneçam sempre nela. Todos aqueles que se acharam na grande batalha do Campo de Ourique, sejam como nobres, e chamem-se meus vassalos assim eles como seus descendentes.

Os nobres se fugirem da batalha, se ferirem alguma mulher com espada, ou lança, se não libertarem ao Rei, ou a seu filho, ou a seu pendão com todas suas forças na batalha, se derem testemunho falso, se não falarem verdade aos Reis, se falarem mal da Rainha ou de suas filhas, se forem para os Mouros, se furtarem as coisas alheias, se blasfemarem de nosso Senhor Jesus Cristo, se quiserem matar o Rei, não sejam nobres, nem eles, nem seus filhos para sempre.

Estas são as leis da nobreza, e leu-as o Chanceler do Rei, Alberto, a todos. E responderam: “boas são, justas são, queremos que valham por nós, e por nossos descendentes que vierem depois de nós.”

Todos os do Reino de Portugal obedeçam ao Rei e aos Alcaides dos lugares que aí estiverem em nome do Rei, e estes se regerão por estas leis de justiça. O homem se for compreendido em furto, pela primeira, e segunda vez o porão meio despido em lugar público, aonde seja visto de todos se tornar a furtar, ponham na testa do tal ladrão um sinal com ferro quente, e se nem assim se emendar, e tornar a ser compreendido em furto, morra, pelo caso, porem não o matarão sem mandado do Rei.

A mulher se cometer adultério a seu marido com outro homem, e seu próprio marido denunciar dela à justiça, sendo as testemunhas de crédito, seja queimada depois de o fazerem saber ao Rei e queime-se juntamente o varão adultero com ela. Porem, se o marido não quiser que a queimem, não se queime o cúmplice; mas fique livre; porque não é justiça que ela viva, e que o matem a ele.

Se alguém matar homem seja a quem quer que for, morra pelo caso. Se alguém forçar virgem nobre, morra, e toda sua fazenda fique a donzela injuriada. Se ela não for nobre, casem ambos, quer o homem seja nobre, quer não.

Quando alguém por força tomar a fazenda alheia, vá dar o dono querela dele à justiça, que fará com que lhe seja restituída sua fazenda.

O homem que tirar sangue a outrem com ferro amolado, ou sem ele, que der com pedra, ou algum pau, o Alcaide lhe fará restituir o dano e o fará pagar dez maravedis.

O que fizer injúria ao Agoazil, Alcaide, Portador do Rei, ou a Porteiro, se o ferir, ou lhe façam sinal com ferro quente, quando não 50 marevedis, e restitua o dano.

Estas são as leis de justiça e nobreza, e leu-as o Chanceler do Rei, Alberto, a todos, e disseram:

– “Boas são, justas são, queremos que valham por nós, e por todos nossos descendentes que depois vierem.”

E disse o Procurador do Rei, Lourenço Viegas:

– “Quereis que o Rei nosso senhor vá às Cortes do Rei de Leão, ou lhe dê tributo, ou a alguma outra pessoa tirando o senhor Papa que confirmou no Reino?”

E todos se levantaram, e tendo as espadas nuas postas em pé disseram:

– “Nós somos livres, nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertarão, o senhor que tal consentir, morra, e se for Rei, não reine, mas perca o senhorio.”

E o senhor Rei se levantou outra vez com a coroa na cabeça, e espada nua na mão falou a todos:

– “Vós sabeis muito bem quantas batalhas tenho feitas por vossa liberdade, sois disto boas testemunhas, e o é também meu braço, e espada; se alguém tal coisa consentir, morra pelo mesmo caso, e se for filho meu, ou neto, não reine”: e disseram todos: “boa palavra, morra o Rei se for tal que consinta em domínio alheio, não reine”; e o Rei outra vez:

– “Assim se faça, etc.”

Recorde-se que extinta a Casa de Avis, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Mas, entende-se então, que, de acordo com a Lei que resultou das Cortes de Lamego e o Direito Consuetudinário portugueses que Filipe, sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do País um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I. Dona Catarina contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança e foi pai de Dom João II de Bragança que viria a ser o Rei Restaurador Dom João IV de Portugal.

Lembre-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho ilegítimo de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira. Tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de conde de Barcelos, Dom Afonso contraiu matrimónio com a filha de Dom Nuno Álvares Pereira, Dona Beatriz Pereira Alvim. Mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro, foi por este concedido a Dom Afonso, o título de Duque de Bragança – que por ser uma Casa cujo 1.º Duque era filho de Rei, os Duques têm numeração como os Reis.

Assim a Revolta de 1640 não viria mais do que, pondo os pontos nos is, repor e restaurar a legalidade, pois a legitimidade estava do lado de Dom João IV, enquanto neto de Dona Catarina de Bragança.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

domingo, 29 de novembro de 2015

REAL DE TRÁS-OS-MONTES CELEBRA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA


Em tempos em que é determinante a necessidade de afirmação dos nossos valores essenciais, como Povo, de hoje mas forjado nas lições da nossa História, a Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro celebra, este ano em Macedo de Cavaleiros, a Restauração da Independência de 1 de Dezembro de 1640, com um almoço comemorativo.

Honra-nos com a sua presença S.A.R. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança.

É para Macedo, para as Terras de Cavaleiros e suas gentes, mais um reforço da importância da afirmação do nosso território, como acervo de património e história, mas também de potencialidades actuais e para o futuro, designadamente como destino turístico.

Data: 13 de Dezembro às 12 h

Local: Quinta da Charrete – Pontão de Lamas (Macedo de Cavaleiros)

Preço por pessoa: Adultos € 20,00; crianças (dos 4 aos 12 anos): € 10.00.

Devido ao número limitado de lugares, pedimos que faça a sua reserva, de preferência, até ao dia 5 de Dezembro.

Reservas: Enviar e-mail para: realtrasosmontes@gmail.com e CC para: realtmad@gmail.com ou telefonar para: 969091634 / 917158396

COORDENADAS GPS: 41º 57’59.82’’N - 6º 94’61.63’’W

1908: EL-REI DOM MANUEL II, MONARCA JOVEM E DINÁMICO



25 de Novembro de 1908

El-Rei Dom Manuel II de Portugal, Monarca jovem e dinâmico – como o apelidava Sir Winston Churchill – atento à realidade do País e pretendendo manter um Reinado de proximidade com as populações, almoça em Negrelos na Fábrica de Fiação e Tecidos, numa acção de perscrutação do tecido industrial português.
Um Chefe de Estado deve estar atento e disponível para o contacto com todas as camadas da população da Nação que representa, e que no caso do Rei é encarnação e síntese!



Plataforma de Cidadania Monárquica

VAMOS BRINDAR A PORTUGAL NO DIA 1 DE DEZEMBRO

 

sábado, 28 de novembro de 2015

JANTAR COMEMORATIVO DO 1º DE DEZEMBRO EM VISEU

 

A REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU TEM O PRAZER DE CONVIDAR VOSSA EXCELÊNCIA PARA O JANTAR COMEMORATIVO DO 1º DE DEZEMBRO, A REALIZAR NESSE MESMO DIA, ÀS 19:00 HORAS, NO HOTEL GRÃO VASCO, EM VISEU.

O PREÇO É DE 17 € POR PESSOA.

ÀS 18:00 HORAS, NA IGREJA NOVA (Coração de Jesus), SERÁ PEDIDA POR INTENÇÃO DOS CONJURADOS DE 1640 E POR PORTUGAL A SANTA MISSA QUE SE CELEBRARÁ.
 
SEGUIDAMENTE, PELAS 18:40 HORAS, HAVERÁ UMA CONCENTRAÇÃO NA PRAÇA MAJOR PONCES, JUNTO AO PADRÃO DO TRI-CENTENÁRIO, ONDE SE COLOCARÁ UMA COROA DE FLORES.
 
QUER O JANTAR, QUER OS OUTROS MOMENTOS ACIMA REFERIDOS, SÃO ABERTOS A TODOS OS PORTUGUESES QUE QUEIRAM ADERIR, INDEPENDENTEMENTE DE SEREM, OU NÃO, SÓCIOS DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU, OU DE SEREM, OU NÃO, SIMPATIZANTES MONÁRQUICOS.

POR UMA COMPREENSÍVEL QUESTÃO DE LOGÍSTICA, ESTÃO ABERTAS INSCRIÇÕES ATÉ AO DIA 29 DE NOVEMBRO, ATRAVÉS DESTE EMAIL real.viseu@gmail.com . PEDE-SE O FAVOR DE INDICAR O(S) NOME(S) DA(S) PESSOA(S) A INSCREVER.

VIVA PORTUGAL! 
VIVA O PRIMEIRO DE DEZEMBRO DE 1640 !

(A IGREJA NOVA ESTÁ SITUADA JUNTO À ROTUNDA COM A ESTÁTUA DO INFANTE DOM HENRIQUE, NUM DOS EXTREMOS DA AVENIDA COM O NOME DO NAVEGADOR, EM VISEU)

QUEBRA SELO DE ARMAS DE D. PEDRO V

 
Em 26 de Novembro de 1861, como mandava o Protocolo, completando-se precisamente 15 dias sobre o falecimento de Sua Majestade Fidelíssima El-Rei O Senhor Dom Pedro V de Portugal houve lugar à Cerimónia da Quebra dos Escudos com as Armas Reais de D. Pedro V.

No Terreiro do Paço, com os varandins dos edifícios enlutados, sob a sombra da estátua do Rei Dom José I, uma multidão assiste ao curioso e triste cerimonial. Cercados pelo Povo, que a fatalidade fizera perder a ‘sua Esperança’, o Meirinho a cavalo com o Pavilhão Real encoberto por crepes negros de tecido leve e transparente e os oficiais da Casa Real com mantos negros a cobrir os uniformes e as espadas e espadins de gala, de cabeça abrigada com enormes chapéus de abas largas e com enormes fitas negras a cingi-los, assistiam à quebra dos selos com as Armas Reais do Monarca falecido. O Mordomo-mor fardado e com fumos negros no braço, enquanto profere um pregão, segura o Selo com as Armas Reais e bate-o, com força bastante, sobre o espaldar de uma cadeira de madeira maciça, partindo-o – no Paço, haviam sido da mesma forma inutilizados, primeiro cortados em cruz e depois destruídos a martelo, o anel de brasão do Rei e o selo de ferro com que eram autenticados os documentos oficiais. Seguem-se as armas pessoais de Dom Pedro com os Brasões das duas famílias: Bragança e Saxe-Coburgo-Gotha.

Da mesma forma, como mandava a tradição, a igual cerimónia pública, procedem todas as cidades do continente e dos territórios do Império sob administração portuguesa.

‘O Rei morreu! Viv’ó Rei!’, a partir deste momento passariam a ser usados e a ter exclusivamente validade novos Selos de Armas oficiais do novo Rei Dom Luís I.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

MAIS FOTOS DA FEIRA NACIONAL DO CAVALO E BAILE DA JAQUETA

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O DESABAFO DE UMA VERDADEIRA MONÁRQUICA


É lamentável a inércia e a altivez que grande parte dos monárquicos portugueses tem. É lamentável que se sintam confortáveis com a república. Neste momento apenas os republicanos podem estar numa posição quieta e comodistas pois mesmo que nos custe assumir, a maioria dos portugueses ainda sente preferência pela república que actualmente é só ré.
 
Assim, fico impressionada quando vejo os números ridículos de interessados e activos em sessões de esclarecimento e outras acções de cariz monárquico. Choca-me perceber que muitos que se afirmam defensores da monarquia, apenas se interessem por desabafar em redes sociais e em seguir a Família Real em eventos dignos de revistas cor-de-rosa.
 
Acção é zero. Dinamismo é nulo. Pragmatismo é nenhum.
 
Pergunto-me frequentemente se esses "monárquicos" (conformistas) acham mesmo possível a restauração do regime Real; mas a resposta é visível e contraditória - estes sujeitos (que apenas são treinadores de bancada) só denigrem a imagem horrorosa que os portugueses têm de nós.
 
Se continuarmos a investir em jantares de gala, actividades de nobreza e em acções fúteis que ainda por cima só têm visibilidade na comunidade monárquica, permanecerá perpétuamente a ideia generalizada de que os monárquicos não passam de idosos riquíssimos de bigode retorcido a fumar charuto.
 
Outro facto que me mantém preocupada e perplexa é ver comentários (sempre no facebook e sem serem vistos por não-monárquicos) clichés e meramente comodistas como por exemplo: "a actual república faz o trabalho por nós". Mas qual é o nosso objectivo?! É fazer uma oposição burra e falhada ao regime republicano ou melhorar e transmitir a imagem da monarquia na sociedade?
 
Não é nas redes sociais que se muda um país apesar destas serem também uma enorme ajuda.
 
Não é uma crítica, é só um desabafo de quem recusa perder!
 
Bárbara Prado de Mello

AMAR PORTUGAL ACIMA DE TUDO

 

‘Tentei, e fiz tudo o que era possível, para depois de dado este conflito, harmonizar a questão e ver se se liquidava. Foi isso infelizmente impossível, e não pouco trabalhei para que tudo se arranjasse…’
- S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A SOLUÇÃO PASSA PELO REI!

 
‘O problema político que tanto me preocupa! Sempre a mesma luta e as mesmas paixões, que perturbam por completo a vida do País e o regular funcionamento das instituições políticas. E o resultado dessas lutas, tão estéreis e inúteis, é crescerem as forças republicanas e abalar-se o prestígio da Nação!’

– S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal in Carta de 12/5/1910 a José Luciano do Castro

https://plataformacidadaniamonarquica.wordpress.com/2015/11/24/a-solucao-passa-pelo-rei/

O 40º ANIVERSÁRIO DO 25 DE NOVEMBRO (DE 1975)

 



“Quem o inimigo poupa, às mãos lhe morre”.
Provérbio português (muito antigo).

Está à porta…

Mais uma vez os órgãos de soberania, não parecem estar tentados a comemorar o evento. E os órgãos de comunicação social, na sua esteira, usarão a lógica do politicamente correcto e noticiarão, maioritariamente, a efeméride com algum fastio.

Sem embargo, a data é de facto importante, uma das mais importantes do século XX português. [1]

A razão é simples, por ter afastado a hipótese – na altura muito real – de ser implantada uma ditadura comunista e “esquerdoíde”, em Lisboa e a Sul do Tejo.

No resto do país, incluindo ilhas, tal seria impossível.[2]

Tenho para mim, que todos os cursos de promoção a oficial superior e general (idem para os sargentos), não direi desde então, mas desde 1982, data da “normalização” da vida política nacional, com a extinção do Conselho da Revolução, do Pacto MFA-Partidos e a entrada em vigor da Lei 29/82 (Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas) – deveriam começar com a projecção de vários filmes, a saber: o cerco à Embaixada de Espanha e da Assembleia Constituinte[3]; o escabroso “juramento de bandeira”, de punho fechado, no Ralis, a 21/11/75, e a proclamação dos oficiais revolucionários, efectuada no dia anterior, do varandim do jardim do Palácio de Belém, fronteiro à Praça Afonso de Albuquerque.

Por último, o filme sobre a ocupação selvagem da Herdade da Torre Bela, ocorrida a 23/4/75.[4]

Tudo isto se passou no ano da graça de N.S.J.C., de 1975, mais propriamente entre o 11/3/75 e o 25/11/75, período conhecido como “Processo Revolucionário em Curso”(PREC), embora as suas raízes tivessem começado logo no dia 25 de Abril de 1974, data em que uma pequena percentagem da oficialidade decidiu tomar conta do Poder e substituir o regime então vigente (os sargentos e cabos não se envolveram na organização do golpe, ao contrário do que ocorreu, por ex., na implantação da República).

A razão por que defendo este início de actividades lectivas é simples: para que o corpo de oficiais e sargentos das Forças Armadas Portuguesas tome consciência do descalabro gigantesco; do grau de ignomínia alcançado e de como se destruiu uma Instituição Militar magnífica a qual, apenas poucos meses antes, tinha 230.000 homens, espalhados por quatro continentes e outros tantos oceanos, e se batia galharda e competentemente, em três teatros de operações distintos, separados por milhares de quilómetros entre si e a “Metrópole”, que era a sua base logística principal.

E faziam-no sem desfalecimento, há 13 anos.

Não há na História de Portugal, desde Afonso Henriques, feito que se lhe iguale.

Esta descida aos infernos – foi disso que se tratou – provocou em poucos meses, a quase destruição da Marinha, do Exército e da Força Aérea, sendo directamente responsável pela alienação em termos vergonhosos – nunca também historicamente igualados – de 95% do território nacional e 60% da sua população.

É fundamental que o corpo de oficiais e sargentos, tenha isto presente sempre, para que jamais permita que tal se possa repetir ou assemelhar!

Ainda hoje sinto profunda vergonha e revolta, por tudo o que se passou e a Instituição Militar não conseguiu até ao momento, recuperar de tudo o que ocorreu e dar-se ao respeito, e está a desaparecer em grande parte por causa disso.

Até porque não soube, não quis, ou não pôde, separar o trigo do joio justamente a seguir ao 25 de Novembro de 1975.

Tivemos, no fim, alguma sorte, pois a parte mais sã das Forças Armadas; a realidade geopolítica internacional, de então (estávamos prestes a atingir o último pico da Guerra Fria) e a índole do povo português, permitiu que as operações realizadas a 25 de Novembro de 1975 terminassem com a vitória do Bem sobre o Mal.

Foi sobretudo disso que se tratou!

Porém foi uma vitória parcial, em muitos casos, ilusória.

Vejamos:

É costume ouvir dizer-se que o 25/11 foi o marco que permitiu a concretização dos ideais de Abril.

A questão está mal colocada.

A realidade é que só se teve que fazer o 25/11 porque houve o 25/4…

O descalabro começou no próprio dia do golpe, quando os autores do mesmo, numa atitude de inacreditável ingenuidade e ignorância das realidades da geopolítica, da História e da natureza humana, deitaram tudo a perder, não declarando o estado de sítio, deixando, desse modo, vir a população para a rua.

De seguida, começaram a prender-se e a sanear-se, mutuamente, sem critério.

Tudo isto no meio duma guerra…

O resultado foi que os tais ideais de Abril – que tinham pouco a ver com os que acabaram por ficar nos livros de História – acabaram por ser consubstanciados no Programa do Movimento das Forças Armadas. Programa que nunca foi cumprido pela anarquia que se instalou no País.

Mas, após o 25/11, foi a vez das forças vencedoras revelarem quão pouco tinham aprendido com o que se tinha passado.

E permitiram que as forças causadoras de todos os males e que queriam objectivamente instaurar um estado totalitário no país, pela via revolucionária – ou seja, um conglomerado inacreditável de desvairados "esquerdoídes" e o Partido Comunista, que de português nunca teve nada – recolhessem em boa ordem de marcha, a quartéis e ganhassem, posteriormente, respeitabilidade democrática.[5]

Ora, devia ter-se aproveitado a ocasião para pura e simplesmente, proibir estas forças políticas de existirem à face da lei, pois isso era o mínimo que estas fariam a todos os outros, se porventura tivessem alcançado o Poder. Foi isso, aliás, o que fizeram, mais um rol extenso de barbaridades, que faz ter saudades do Tamerlão, sempre que tiveram oportunidade, e em qualquer parte do mundo.

E que se saiba, nenhuma dessas forças, até hoje, declarou publicamente ter renunciado a quaisquer práticas golpistas!

Sem embargo, não se coibiram de ilegalizar todos os partidos ou agrupamentos tidos por “Fascistas” – apesar de não haver nenhum, desde que o Professor Salazar esvaziou os nacionais sindicalistas de Rolo Preto, nos anos 30…

E deviam ter colocado, outrossim, atrás das grades, o então Presidente da República Costa Gomes, personalidade que até ao fim da vida andou, aparentemente, a fazer jogo duplo ou triplo com todo o mundo.

Em vez disso veio a ser promovido a Marechal…

Mais tarde veio-se a reintegrar todos aqueles que à esquerda, ao centro ou à direita tinham sido “saneados”, e com retroactivos (na tropa foram quase todos promovidos a coronel ou a sargento-chefe e até se abriu uma excepção para oficial general…) tudo se passando sem quaisquer julgamento e com critérios muito duvidosos. [6]

Ao invés, meteu-se tudo no mesmo saco e permitiram-se situações incríveis.

Tenta-se justificar esta actuação pela necessidade de apaziguar a sociedade portuguesa, mas não vejo como, gerar injustiças sobre injustiças, possa apaziguar seja o que for.

Alcandoraram-se (e condecoraram-se) uma cáfila de traidores, desertores e, até criminosos de delito comum, a funções de responsabilidade, com a justificação que combatiam a “ditadura” e o “fascismo”, confundindo conceitos e actuações, ou querendo fazer crer que na luta política vale tudo.

Despejaram em seguida subsídios para cima das pessoas; pois bem o país entrou em bancarrota e o dinheiro acabou.

A aceitação do PCP e dos "esquerdoídes", se assim lhes podemos chamar, na vida democrática, também é explicada pela necessidade de inclusão e pela “superioridade moral” da Democracia.

Ora isto parece-me tudo uma falácia, pois nem “eles” se querem incluir em coisa alguma; a sua prática enquanto poder nunca foi democrática (aliás o que é que se entende por Democracia?) e a sua ideologia é, provadamente incompetente, anti - natural e anti - humana.

Aqui não há, pois, superioridade moral, alguma, há é falta de senso, cobardia e estupidez!

E quase toda a gente embarcou nisto: os restantes partidos políticos – que não passam de aprendizes – de - feiticeiro, comparados com o PC – confiados não se sabe bem em quê, deixaram de fazer, sequer, luta ideológica, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989;

A Instituição Militar foi sendo sucessivamente menorizada, desmontada e reduzida à ínfima espécie, e não conta hoje, para nada;

A Igreja é atacada no Ocidente por todos os lados, anda aperreada de receios e pouco firme nos princípios – precisa de apanhar um susto, para ver se acorda;

A Maçonaria está impante mas, como sempre também, minada por divisões de capela e por “irmãos” mais interessados em negócios, do que em rituais e trabalho de casa, além do que têm sido ultrapassados pela burocracia de Bruxelas, “Grupo de Bilderberg” e afins, e pelos poderes mais finos, do capital apátrida;

Os “parceiros sociais” entretêm-se em se anular uns aos outros, em vez de serem complementares;

Alguns “centros de reflexão” com gente preocupada e diferenciada têm, por norma pouca expressão, chovem no molhado, convertem convertidos, mas não dão as mãos em nada. Às vezes bicam-se.

Em comum, têm querer ser considerados bem comportados e refastelarem-se com umas garfadas, devidamente regadas.

A população, em geral, tem a memória curta – os jovens nem têm memória de nada! – e, por norma, não se querem chatear com coisa alguma;

Está feito o quadro.

A Nação Portuguesa, essa, anda à deriva e não se sente.

Como corolário do provérbio da citação inicial, o PC e os tais “esquerdoídes” – que odeiam tanto a sociedade que a querem andar sempre a mudar – estão 40 anos depois, (quase) no governo [7].

E condicionaram todos os anteriores.

Ainda hoje não se consegue mudar a Constituição, eivada de erros…

Pergunta-se: neste 40º aniversário do 25/11 – cuja vitória em termos militares, se deve essencialmente, às tropas “Comando” e às Esquadras de Voo, da Força Aérea – vai comemorar-se exactamente o quê?

João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador




[1] As diferentes conferências e colóquios que tem havido um pouco por todo o país têm sido, ao que sei, da iniciativa de entidades da chamada sociedade civil.

[2] Enfim, nunca se sabe, os Liberais apenas tinham 7.000 homens e poucos navios e venceram a Esquadra Portuguesa de então e os 90.000 H de D. Miguel…

[3] Ocorridos, respectivamente, em 27/9/1975 e 12/11/75.

[4] O filme foi rodado entre 1975 e 1977, e realizado pelo alemão Thomas Harlan. É uma co-produção portuguesa, italiana e alemã e existem quatro versões. A versão final estreou no cinema “King”, em Lisboa, em 2/8/2007.

[5] O PCP, partido fundado em 1921, nunca foi um partido “português”, pois esteve sempre ao serviço de uma potência estrangeira, a União Soviética, que sempre foi hostil a Portugal. Foi um partido internacionalista, directamente controlado pelo chamado Partido Comunista da União Soviética (PCUS), até o regime dos Bolcheviques ter implodido, na época Gorbatchev. Regime que apoiava directamente os movimentos independentistas que nos emboscavam as tropas. Isto costuma ter um nome…

Aliás, o PC já podia (e devia) “encolher as unhas” pois a sua grande missão estava realizada: Portugal tinha saído miseravelmente de África e o poder entregue aos movimentos marxistas e apenas a esses.

[6] E, neste âmbito, não se tratava de julgar as pessoas pelos seus ideais políticos, mas quem tinha cometido crimes ou não se tivesse conduzido “pelos ditames da Virtude e da Honra”.

[7] Mal comparado, estamos a fazer o mesmo agora com a vaga de “migrantes”. Ou seja a deixá-los entrar em catadupa e sem critério. Daqui a (menos) 40 anos falaremos.

Fonte: O Adamastor