A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

sábado, 31 de janeiro de 2015

VIDA D’EL-REI D. CARLOS I – O REI (2.ª PARTE)

 
A maior das crises políticas, que El-Rei enfrentou foi, logo no início do seu governo, o Ultimato britânico de 1890 usado pelos republicanos para inflamar a insatisfação popular e acicatar o ódio à Família Real Portuguesa. O Reino Unido apresentou a Portugal o Ultimato britânico de 1890, que intimava o desígnio expansionista de Portugal, concretizado no Mapa Cor-de-Rosa a desocupar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique num curto espaço de tempo, caso contrário seria declarada a guerra entre os dois países. Assim se perderam importantes áreas e a propaganda republicana aproveitou o momento de grande alvoroço nacional para responsabilizar a Coroa pelos reveses no Ultramar. Em 31 Janeiro de 1891, no Porto deu-se mesmo um golpe republicano, mas que foi debelado.
 
O que a propaganda republicana não divulgava, pois não lhes interessava, foi o papel do Rei que soube inverter a conjuntura e, fruto do seu exímio dom diplomático instalou Portugal no centro da diplomacia europeia da primeira década do século XX.
 
Um exemplo disso é também a viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África que constituiu o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem considerada indispensável pelo Rei Dom Carlos I.
 
Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa, visitando S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
 
Na metrópole, a situação política agudiza-se, o que conduziu à queda de mais um governo de Hintze Ribeiro. Então, o Rei decidiu chamar para formar governo, João Franco de Castello-Branco, do Partido Regenerador Liberal que teve o imediato apoio dos progressistas, com quem fez um governo de coligação. João Franco começou a governar à inglesa 19 de Maio de 1906, aprofundando a democracia e encerrada a questão dos tabacos, com o novo contrato dos tabacos de Outubro de 1906, João Franco dedicou-se à implantação das suas reformas.
 
Face à greve académica de 1907 na Universidade de Coimbra e à crescente efervescência social, o amparo parlamentar dos progressistas é retirado e os ministros progressistas demitem-se: temiam que João Franco fortalecesse o seu partido à custa do deles e contavam ser chamados para formar governo assim que Franco caísse. Enganavam-se, pois Dom Carlos toma uma atitude diferente do que se esperava, apoiando firmemente João Franco. Este, afrontado pelos constantes ataques provenientes da Câmara dos Deputados solicitou ao Rei que dissolvesse o parlamento, adiando por algum tempo as novas eleições, ao que Dom Carlos aquiesceu, e João Franco passou a governar em ditadura, à turca, a 2 de Maio de 1907. Ressalve-se que ao proceder deste modo o Rei não estava a ir contra a letra da Lei, dado que fazia parte das suas funções, mas os políticos tradicionais, lobrigavam, ao verem ameaçado o seu monopólio político.
 
A oposição gerou então uma campanha anti-governo sem precedentes pois abrangeu, também, o próprio Rei, dizendo que se estava em ditadura. Todavia, não se estabelecera uma ditadura institucional, antes uma medida de excepção, propondo-se criar as conjunturas que possibilitassem ao partido no governo vencer as eleições subsequentes.
 
Traindo Dom Carlos, João Franco reaviva a falsa questão dos adiantamentos do Estado à Casa Real e que vem incrementar a oposição ao Rei. Depois, acontece o episódio da entrevista ao jornal francês Le Temps, que veio agastar ainda mais os espíritos e a contestação ao Rei. Nesta entrevista dada por Dom Carlos, o monarca insiste no seu apoio a João Franco. De forma a cimentar a sua posição; a entrevista tem lugar por teimosia de João Franco, mesmo com a discórdia de outros franquistas, como Vasconcellos Porto, mas teve um efeito adverso na oposição.
 
Não obstante, o antagonismo crescente, o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa. É neste cenário de retorno a uma normalidade e equilíbrio parlamentares, que republicanos e dissidentes progressistas desencadeiam uma tentativa de golpe de estado, em 28 de Janeiro de 1908, frustrado pela apta acção do governo, que dele tivera conhecimento pela indiscrição de um conjurado, que intentou cativar um polícia amigo, mas que o último, patrioticamente foi avisar prontamente os seus superiores. Os conjurados são detidos de imediato: António José de Almeida, o jornalista revolucionário João Chagas, Luz Almeida que era dirigente da organização terrorista Carbonária, Pinto dos Santos e Álvaro Poppe. Com o afastamento destes, a liderança do movimento recaiu sobre Afonso Costa que foi também aprisionado, junto com outros golpistas, entre eles o Doutor Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava, apanhados no Elevador da Biblioteca, ainda de armas na mão, preparados para avançar para a Câmara Municipal. José Maria de Alpoim foi o único a conseguir fugir para Espanha.
 
Em resposta, João Franco aprontou um decreto que previa o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública, e que esperava pela promulgação real.
 
Com este casus, estava criado o pretexto cujo desfecho haveria de ocorrer no terrível e fatídico 1 de Fevereiro de 1908, com o Regicídio.

Por Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica

S.A.R. SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA É O REI DOS PORTUGUESES E QUANDO O POVO QUISER SERÁ O REI DE PORTUGAL.


A república imposta em Portugal desde 1910 na sequência de um acto criminoso, o duplo assassinato do Rei Dom Carlos e do Príncipe Herdeiro Dom Luís Filipe, impôs à população um "ideal jacobino da revolução francesa" que se reflecte na actual Constituição que obriga a uma «forma republicana de governo» e assim proíbe uma "forma DEMOCRÁTICA de governo", é o único regime da Europa Ocidental a impor a natureza republicana do estado, e todos nós sabemos que república não é sinonimo de democracia, basta lembrar a 2.ª república fascista a que por vergonha lhe chamam Estado Novo

A população tem direito a ter cultura histórica verdadeira, liberdade e direito de poder escolher para a Nação um regime moderno como o das Monarquias dos países mais evoluídos da Europa, como alternativa à arcaica e corrupta republica.

A Família Real Portuguesa é a garantia de um futuro livre e independente na defesa dos interesses do POVO e de PORTUGAL.
 

CARTA DO TENENTE-CORONEL JOAQUIM MOUZINHO DE ALBUQUERQUE AO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE

Meu Senhor:

Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem, houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real. Foi Sua Majestade buscar-me às fileiras do Exército. Não escolheu por certo o militar de mais valor, mas simplesmente aquele a quem uma série de acasos felizes mais ensejo dera de provar que sabia, custasse o que custasse, obedecer ao que lhe era ordenado  e que também sabia, doesse a quem doesse, fazer cumprir as ordens que dava.

Não por certo a Vossa Alteza como filho e como súbdito, e menos a mim como soldado, compete apreciar e criticar as determinações de El-Rei. A Vossa Alteza como a mim, deu Sua Majestade uma ordem, a ambos nós cumpre obedecer-lhe e nada mais. Mas para bem lhe obedecer não basta ver-lhe a letra, é necessário estudá-la, descortinar-lhe o espírito. Escolhendo um soldado para vosso Aio, que fez El-Rei? Subordinou a educação de Vossa Alteza ao estado em que se acha o País. Nesta época de dissolução, em que tão afrouxados estão os laços da disciplina, entendeu Sua Majestade que Portugal precisava mais que tudo de quem tivesse vontade firme para mandar, força para se fazer obedecer. E como ninguém pode ensinar o que não sabe, o que não tem praticado, foi El-Rei procurar o vosso Aio à classe única em que se encontra quem obedeça sem reticências e mande sem hesitações.

Por esse motivo, o primeiro dos meus deveres é fazer de Vossa Alteza um soldado. É Vossa Alteza Príncipe, há de ser Rei; ora, Príncipe e Rei que não comece por ser soldado, é menos que nada, é um ente híbrido cuja existência se não justifica. Há poucos anos andava pela Europa, num exílio vagabundo de judeu errante, um Imperador que num momento de crise esqueceu que o seu título vinha do latim "Imperator", epíteto com que se saudavam os vencedores, e que se não vence sem desembainhar a espada -- sine sanguine victoria non est. Por um erro igual já subiu um Rei ao cadafalso e outros foram despedidos do trono para o exílio sempre doloroso e humilhante. Príncipe que não fôr soldado de coração, fraco Rei pode vir a ser.

O que foram na verdade os Reis primitivos? Guerreiros audaciosos que os companheiros de armas levantaram nos escudos acima das suas cabeças. E o que foi o maior dentre os Reis, aquele cujo nome ribomba como um trovão na história deste século? Um militar ambicioso que, elevado ao Império pelos seus soldados, não se deu por contente enquanto não pôs o pavês que o levantara em cima das costas dos outros Reis da Europa que lhe serviram de pés ao trono. E entretanto, a despeito da sua incomparável grandeza de ânimo, a despeito das qualidades únicas de mando com que a Providência o dotara, talvez para castigo de muitos, por certo para exemplo de todos, caíu esse colosso e o grande Imperador foi derrubado por esses mesmos que tanta vez vencera. Faltava-lhe a tradição da Monarquia, da linhagem Real, que cimenta e consagra a autoridade dos  Reis legítimos.

Mas nessas mesmas linhagens Reais só foram grandes os que souberam lançar mão da espada sempre que lhes foi necessário. Por isso, repito, primeiro que tudo tem Vossa Alteza que ser soldado.
 
Aprenderá a sê-lo na história de seus avós. Este Reino é obra de soldados. Destacou-o da Espanha, conquistou-o palmo a palmo, um príncipe aventureiro que passou a vida com a espada segura entre os dentes, escalando muralhas pela calada da noite, expondo-se à morte a cada momento, tão queimado do sol, tão curtido dos vendavais como o ínfimo dos peões que o seguia. Firmou-lhe a independência o Rei de "Boa Memória", que tantas noites dormiu com as armas vestidas e a espada à cabeceira, bem distante dos regalos dos Paços Reais. E para a formação de vossa Casa concorreu com o ele o mais branco dos seus guerreiros, que simbolizou e resumiu em si quanto havia de nobre e puro na História Medieval, um herói e um santo. Mais tarde o Príncipe Perfeito, depois de haver mostrado que sabia terçar lanças em combate com o melhor dos cavaleiros, depois de haver abatido de vez todas as cabeças que se erguiam por demais altivas perante a Corôa Real, deu pela força da sua vontade de ferro um impulso de tal ordem às nossas naus, que foram ter ao Cabo da Boa Esperança, abrindo a Portugal o caminho por onde chegou ao apogeu da glória. Soldados, se lhes pode bem chamar a estes, porque tiveram o desapego da vida, a força do mando, a obediência cega àquilo que acima de tudo deve imperar nos Reis -- a ideia fixa e pertinaz da glorificação do seu nome e da grandeza do Reino onde Deus os fez os primeiros de entre os homens.

Para não ser injusto nem ingrato, não deve Vossa Alteza lembrar-se somente dos felizes porque nem só eles foram soldados. Houve um Rei de Portugal que, não podendo ser vencedor, soube morrer herói. Não tendo alcançado a vitória ambicionada, procurou a morte gloriosa. "A liberdade Real só se perde com a vida", foram as últimas palavras que se lhe ouviram e do cativeiro infamante salvou-o a morte, única libertadora invencível porque não há algemas que prendam um morto. Errou, é certo, mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado, bem estudada e meditada deve ser a sua História, porque pelo estudo e pela meditação se formam as almas e a alma de um Príncipe para tudo deve estar temperada, até para as maiores desgraças.

Soldado também e como poucos, foi D. Pedro IV. Trabalhou e combateu como soldado e teve a audácia precisa nos lances decisivos, a resignação estóica nas mais dolorosas crises, a presença de espírito nas situações mais difíceis, a decisão rápida e pronta para aproveitar as vitórias. E tanto se lhe enraizaram na alma os brios de soldado que, quando se viu insultado, apupado sem poder desembainhar a espada que tão bem o houvera servido, estalou de dor. As chufas com que o populacho cobarde e ingrato lhe pretendeu enlamear a farda, foram-lhe direitas ao coração, mataram-no.

Estude Vossa Alteza a História desses seus Avós. Leia-a, relei-a, medite-a, estude-a, meta-a bem na cabeça e no coração. Na convivência deles aprenderá Vossa Alteza a ser como eles, forte, justo, simples e verdadeiro. E bem compenetrado do que eles fizeram, conhecendo-lhes a vida dia a dia, sentirá Vossa Alteza que deles vem, que é um deles. Assim sonhará com futuros de glória que se assemelhem a esse passado de grandeza, e sonhar assim é uma felicidade e uma força. Triste do homem que só cuida do presente, que só preza a intimidade dos vivos. Pobre daquele que precisa adormecer para sonhar com o futuro. No olhar saudoso para o que já passou, no imaginar o que há de vir se vai formando a alma, se lhe vão apurando as qualidades, desenvolvendo a força. E chegada a ocasião de as aproveitar, de as pôr em acção, cai-se-lhe em cima como o milhafre sobre a presa e não se deixa escapar. A ciência da vida assemelha-se à arte da guerra, em que numa e noutra é mais preciso que tudo aproveitar as ocasiões e para o fazer é necessário o exercício constante, a trenagem; ora, o estudo e a meditação constituem a trenagem do espírito.

Nasceu Vossa Alteza numa época bem desgraçada para este País. Foi talvez um favor de Deus porque mais na desventura que na felicidade se prova a força do carácter. Em todo o caso é bem certo, meu Senhor, que a vossa história tem sido muito triste porque, convença-se bem Vossa Alteza, os Príncipes não têm biografia, a sua história é, tem de ser a do seu povo. Nessa história, entretanto, há algumas páginas que Vossa Alteza pode ler sem que lhe corem as faces de vergonha, sem que lhe subam aos olhos lágrimas esprimidas do coração triturado de humilhações. Essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que há na história do Portugal contemporâneo, escrevêmo-las nós, os soldados, lá pelos sertões da África, com as pontas das baionetas e das lanças a escorrerem sangue. Alguma coisa sofremos, é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes e não poucos prostraram em terra para sempre as fadigas e as doenças. Tudo suportámos de boa mente porque servíamos El-Rei e a Pátria, e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda! Por isso, nós também merecemos o nome de soldados; é esse o nosso maior orgulho.

Tudo é pequeno neste nosso Portugal de hoje! O mar já não é curral das nossas naus, mas sim pastagem de couraçados estranhos; foram-se-nos mais de três partes do Império de além-mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o futuro. Não tiveram, portanto, as guerras em que agora temos andado, o brilho épico dos feitos dos nossos maiores. Mas no campo restrito em que operámos, com os poucos recursos de que dispúnhamos, não fizémos menos nem pior do que outros bem mais ricos e poderosos.

A que devemos este resultado? A que no homem do povo em Portugal ainda se encontram as qualidades de soldado: a resignação, a coragem fria e disciplinada, a confiança nos superiores e, mais que tudo, a subordinação. E é preciso que Vossa Alteza, soldado por dever e direito de nascimento, se possua bem da ideia de que a subordinação é a primeira de entre as virtudes militares. Já a tenho ouvido alcunhar de renúncia da vontade. Ora, ninguém como o soldado carece de força de vontade, porque mais que em coisa alguma se demonstra ela na prática da obediência. Renunciar ao capricho, ao egoísmo, à indolência, a tudo quanto o vulgar dos homens mais aprecia e estima, ter por único fim servir bem, por único enlevo a glória, por único móvel a honra e a dignidade, não é renúncia da vontade. E se nós que somos soldados somente desde o dia em que nos alistámos e podemos voltar à classe civil de onde saímos, precisamos para tudo de muito querer e saber querer, quanto mais um Príncipe para quem nascer foi assentar praça e que só pode ter baixa para a sepultura!

De vontade e vontade de ferro precisará Vossa Alteza no duro mister para que Deus o destinou. Houve Reis, meu Senhor, que para desgraça dos seus povos adormeceram no trono em cujos degraus haviam nascido e nesse dormir esqueceram a missão que lhes cumpria desempenhar. No fim do século passado, o povo francês sacudiu-os de forma tal que os deveria ter acordado para sempre e, desde então, Príncipe que dormitasse no trono acordava no exílio. Assim deve ser. Castiga-se a sentinela que se deixa vencer pelo sono e o Rei é uma sentinela permanente que não tem folga porque, nomeado por Deus, só Ele o pode mandar render e então envia-lhe a morte a chamá-lo ao descanso. Enquanto vive tem o Rei de conservar os olhos sempre bem abertos, vendo tudo, olhando por todos. Nele reside o amparo dos desprotegidos, o descanso dos velhos, a esperança dos novos; dele fiam os ricos a sua fazenda, os pobres o seu pão e todos nós a honra do país em que nascemos, que é a honra de todos nós!

Para semelhante posto só pode ir quem tenha alma de soldado. Porque ser soldado não é arrastar a espada, passar revistas, comandar exercícios, deslumbrar as multidões com os doirados da farda. Ser soldado é dedicar-se por completo à causa pública, trabalhar sempre para os outros. E para se convencer, olhe Vossa Alteza para o soldado em campanha. Porventura vê-o só a marchar e a combater? Cava trincheiras, levanta parapeitos, barracas e quartéis, atrela-se às viaturas, remenda a farda, cozinha o rancho e o que tem de seu trá-lo às costas, na mochila. Desde os misteres mais humildes até ao mais sublime, avançar de cara alegre direito à morte, tudo faz porque todo o trabalho despido de interesse pessoal entra nos deveres da profissão. Trabalho gratuito, sempre, porque o vencimento do millitar, seja pré, soldo ou lista civil, nunca é remuneração do serviço, por não haver dinheiro que pague o sacrifício da vida.

É assim que, por mais que espíritos desorientados tenham querido obliterar as tradições de honra do Exército, a profissão entre todas nobre, foi, é e há de ser sempre a militar porque nela se envolve tudo que exige a anulação do interesse individual perante o da colectividade. É por isso que ninguém como o Rei tem de se esquecer de si para pensar em todos, por isso que ninguém como Ele tem de levar a abnegação ao maior extremo, ninguém como ele precisa de ser soldado na acepção mais lata e sublime desta palavra, soldado pronto da recruta em todas as armas, instruído em todos os serviços, desde o de cavalaria que, numa galopada desenfreada através de uma saraivada de balas, vai completar com a carga a derrota do inimigo, até ao do maqueiro que vai buscar os feridos à linha de fogo, ao enfermeiro que deles cuida na ambulância. Tão bom Rei, tão bom soldado foi D. Pedro V nos hospitais, como outros nos campos de batalha, porque a coragem e a abnegação são sempre grandes e nobres, seja onde fôr que se exerçam, e tudo que é grande e nobre é próprio de Rei e de soldado.

Não faltará ensejo a Vossa Alteza de revelar aquelas qualidades. Não lhe escassearão por certo provações e cuidados, revezes que trazem o desconforto ao espírito, lances dolorosos que desconsolam da vida. Para todos eles carece Vossa Alteza de estar preparado, temperado pela educação, pelo estudo dos bons exemplos, pela firme vontade de vir a ser um Príncipe digno desse nome e do da sua Casa. E para ser Príncipe é preciso primeiro que tudo ser Homem.

Se para descanso de seu espírito vaticinasse a Vossa Alteza um futuro risonho de despreocupações e gozos, faltaria por completo ao meu dever. Ao escolher-me para vosso Aio, disse-me El-Rei: "Faze dele um homem e lembra-te que há de ser Rei". Proporcionando a Vossa Alteza o conhecimento do que fizeram em África os seus mais leais servidores, apontando-lhe com seu exemplo, procurando temperar-lhe a alma para as mais duras provas por que pode vir a passar, não faço mais que cumprir as ordens de El-Rei e procurar, como tenho sempre feito, corresponder à confiança de Sua Majestade. A Vossa Alteza cumpre realizar as esperanças de seu Augusto Pai e nosso Rei, as esperanças de todos os Portugueses.

Que Deus o guie e proteja nesse difícil e glorioso caminho, é o mais ardente voto do Seu Aio muito dedicado

Joaquim Mouzinho

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

VIDA D’EL-REI D. CARLOS I – O HOMEM (1.ª PARTE)


Dom Carlos I de Bragança foi o penúltimo Rei de Portugal. Nascido no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a 28 de Setembro de 1863, o Seu nome completo era: Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha.

Filho do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia, na qualidade de Príncipe herdeiro da coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal (o 4.º) e Duque de Bragança (19.º), possuindo o usufruto dos rendimentos dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal. O Ducado de Bragança é o único título real hereditário, atribuído sempre ao herdeiro presuntivo da coroa que, ao subir ao trono, por sua vez o passa para o seu próprio herdeiro.

Dom Carlos recebeu desde muito cedo uma esmerada educação, aquela reservada aos herdeiros presuntivos. Os melhores preceptores instruíram Dom Carlos nas mais variadas ciências e artes, e, também, ministraram-lhe diversas línguas estrangeiras. Ainda jovem viajou pelas diferentes cortes europeias.

Exímio pintor, oceanógrafo, atirador, etc., recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura e ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos.

Tudo parecia predestinado para que o casamento de uma jovem Princesa europeia ocorre-se com o herdeiro de uma coroa norte-europeia, mas uma feliz coincidência impeliu os acontecimentos. De férias em Paris, o Príncipe Real Dom Carlos de Portugal, Duque de Bragança, que procurava esposa, num encontro organizado pela Infanta de Portugal Dona Maria Antónia foi apresentado a Dona Amélia de Orleães e a seus pais. A Princesa de França Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França. O encanto foi mútuo e o pedido oficial foi realizado por Dom Carlos ao Conde de Paris, a 6 de Fevereiro de 1886, sendo lavrado registo matrimonial nesse mesmo dia no Castelo d’ Eu.

A 17 de Maio de 1886, a princesa Dona Amélia, futura Duquesa de Bragança partiu de França e chegou à Pampilhosa no dia seguinte. Em 19 de Maio, pelas 17 horas, a Princesa foi apresentada à Corte em Lisboa.

O casamento real entre Dom Carlos de Bragança, Príncipe Real, Príncipe hereditário de Portugal e Duque de Bragança com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França, foi celebrado no dia 22 de Maio de 1886, na Igreja de São Domingos, e foi acompanhado pela multidão que saiu às ruas de Lisboa para acompanhar o cortejo nupcial.

Depois do casamento, e terminada a lua-de-mel, os Duques de Bragança mudaram-se para a sua nova residência, o Palácio de Belém.

O casamento foi abençoado pelo nascimento do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, o primogénito do presuntivo herdeiro do trono de Portugal, e como tal Príncipe da Beira (4.º).

A 19 de Outubro de 1889 falece El-Rei Dom Luís I, e Dom Carlos é entronizado e aclamado novo Rei de Portugal, passando o muito jovem Príncipe da Beira, como presuntivo herdeiro, a ter o título de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, Duque de Bragança.

Depois, coroando a felicidade do casal real, em 15 de Novembro de 1889, nasceu o Príncipe Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja.

(continua)

Por Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica
 

FOI INAUGURADA A MOSTRA "OBRA CONVIDADA": TELA DE D. LUÍS DE PORTUGAL ESTÁ PATENTE NO MUSEU DE HISTÓRIA E ARTE DO LUXEMBURGO

A permuta de quadros entre Portugal e o Luxemburgo levou a ministra da Cultura do Grão-Ducado a Lisboa para a apresentação de uma tela cedida pelo Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo ao Museu de Arte Antiga. Uma apresentação em que estiveram também Duarte Pio, duque de Bragança, e o ex-ministro Rui Vilar (à esqa). Esta quinta-feira, é a vez de o museu luxemburguês exibir a obra cedida a título temporário pelo museu de Arte Antiga em Lisboa⋌Foto: MNHA 
 A permuta de quadros entre Portugal e o Luxemburgo levou a ministra da Cultura do Grão-Ducado a Lisboa para a apresentação de uma tela cedida pelo Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo ao Museu de Arte Antiga. Uma apresentação em que estiveram também D. Duarte Pio, Duque de Bragança, e o ex-ministro Rui Vilar (à esqa). Esta quinta-feira, é a vez de o museu luxemburguês exibir a obra cedida a título temporário pelo museu de Arte Antiga em Lisboa⋌Foto: MNHA
MNHA

O quadro “O Casamento Místico de Santa Catarina”, de Bartolomé Murillo, oferecido a D. Luís de Portugal pela Rainha Isabel II de Espanha, já está no Luxemburgo e vai poder ser visto a partir de hoje,  quinta-feira, no Museu Nacional de História e Arte, na capital luxemburguesa.

A tela chegou ao Luxemburgo no âmbito da iniciativa “Obra Convidada”, lançada pelo Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, que permite expor no museu português obras-primas das mais importantes colecções de arte do mundo.

Em troca, o museu luxemburguês cedeu ao Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, a título temporário, a pintura “Baco, Vénus e Cupido”, do italiano Rosso Fiorentino (1494-1540). Uma parceria que levou na quinta-feira passada a Lisboa a ministra da Cultura do Luxemburgo, Maggy Nagel (na foto), para assistir à apresentação da tela cedida pelo museu luxemburguês.

Esta quinta-feira, é a vez de o Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo inaugurar a mostra do quadro cedido por Portugal.

Considerado “uma das mais excepcionais obras de juventude” de Murillo, pintor barroco espanhol do século XVII, o quadro que os portugueses no Luxemburgo vão poder ver até 10 de Maio tem uma história curiosa. A Rainha Isabel II de Espanha ofereceu duas telas com a mesma representação do casamento místico de Santa Catarina assinadas por Murillo, uma ao Papa Pio IX e outra ao Rei D. Luís de Portugal, durante uma visita do monarca português ao país vizinho, em 1865.

Em 1950, o restauro da tela pertencente ao Vaticano, bem como estudos radiográficos, revelaram que o quadro oferecido ao Papa pela rainha espanhola em 1855 era afinal uma falsificação. O original, segundo os especialistas, é a obra de Lisboa, oferecida dez anos depois pela Rainha Isabel II de Espanha ao Rei D. Luís de Portugal.

No Luxemburgo, a exposição do quadro é completada por uma Sagrada Família, do aprendiz de Murillo Francisco Meneses Osorio (1630-1705), que faz parte da colecção do museu luxemburguês.

A inauguração da mostra no Luxemburgo, com entrada livre, é esta quinta-feira, dia 29 de Janeiro, às 18h. A cerimónia vai contar com a presença da ministra da Cultura do Luxemburgo e com um concerto de guitarra portuguesa, com João Godinho e Paulo Cartaxo.

Até 10 de Maio, o Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo, situado no Marché-aux-Poissons, organiza ainda três conferências sobre arte portuguesa.

MAIS FOTOGRAFIAS E REPORTAGEM DO JANTAR REAL | RIBATEJO EM ALMEIRIM

 

No passado dia 23 realizou-se o Jantar Real _ Ribatejo, com a Presença da Família Real Portuguesa, na Quinta do Casal Branco em Almeirim.

A Real do Ribatejo a mais antiga associação pertencente à Causa Real, homenageou três associados: Eng. Alberto Arthur d’Ornelas de Vasconcellos Jardim, Sócio Benemérito; D. João Vicente Saldanha de Oliveira e Sousa, Marquês de Rio Maior, Sócio Honorário; Senhor Francisco José Pereira Ramalho, Sócio Honorário

Participaram no Evento personalidades nacionais e estrangeiras ligadas a diversas áreas de actividades económicas e sociais.

Os participantes foram acolhidos com muita simpatia pela Família anfitriã Lobo de Vasconcelos.

Na capela foi celebrada a Eucaristia pelo Rev. Padre Manuel Borges, de sufrágio por alma dos Associados falecidos.

Na loja de vinhos foi servido um cocktail que permitiu convívio informal entre os presentes. Seguiu-se a visita à adega durante a qual os Enólogos do Casal Branco, fizeram uma explicação detalhada de todo o processo de produção vinícola que respeita as normas nacionais e internacionais de controlo de qualidade.

O Sr. Dr. José Lobo de Vasconcelos teve a gentileza de referir aspectos económicos da actividade, sendo surpreendente que 95% da produção se destina a exportação.

Foi servido um requintado jantar e degustado o delicioso néctar do Casal Branco, de salientar o elevado nível de eficácia e educação dos profissionais de hotelaria e da cozinha em serviço.

A Pastelaria Bijou ofereceu um magnifico bolo rei. muito apreciado por todos e elogiado por Senhor Dom Duarte.

Agradecemos todas as manifestações de agrado e simpatia que nos têm chegado.



 


 


 


 


 


 


 


 


 

 


 


 


 


 


 


 



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MISSAS DE SUFRÁGIO EM ALMEIRIM, COIMBRA, BRAGA E VIANA DO CASTELO

 

Real Associação Ribatejo


 MISSA DE SUFRÁGIO EM COIMBRA POR EL-REI D.CARLOS I E PELO PRÍNCIPE REAL D.LUIZ FILIPE 

A Real Associação de Coimbra informa que no próximo dia 1 de Fevereiro (Domingo), pelas 17,30 horas, será celebrada na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, Missa de Sufrágio por Sua Majestade, El-Rei Dom Carlos I, e Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luiz Filipe.

  Convidam-se todos os Portugueses a estarem presentes neste piedoso acto em memória do Soberano e do Herdeiro da Coroa de Portugal.
 Na mesma Cerimónia será igualmente sufragada a alma do recentemente falecido Dr. Carlos Morão de Paiva, que exercia as funções de Presidente do Conselho Fiscal da Real Associação de Coimbra e que durante a sua vida prestou relevantíssimos serviços à Instituição Real.

 Que Deus Guarde Portugal e a Família Real!

Com os melhores cumprimentos,
Joaquim Costa e Nora


 
 A Real Associação de Braga promove no dia 01 de Fevereiro de 2015 às 18.00h, na Sé Catedral de Braga, uma missa dedicada a Sua Majestade o Senhor D. Carlos I e a S.A.R. o Príncipe D. Luís Filipe, por ocasião do 107º aniversário do seu cobarde assassinato.
Pede-se a todos a sua comparência nesta homenagem.


Real Associação de Braga  

 

A Real Associação de Viana do Castelo manda celebrar no próximo dia 1 de Fevereiro de 2015, às 18h00m na Sé Catedral de Viana do Castelo, uma Missa de Sufrágio por Alma de Sua Majestade El-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, bárbara e covardemente assassinados, por amor à Pátria no dia 1 de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço em Lisboa.
 

DOM LUÍS FILIPE – DO PÉRIPLO PELAS COLÓNIAS AFRICANAS AO REGICÍDIO

 

El-Rei Dom Carlos entendeu ser da maior importância que o Príncipe herdeiro visitasse o Império, a exemplo do que faziam outros presuntivos herdeiros das Coroas Europeias pelos seus domínios em representação dos Monarcas.

A viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África foi o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da Família Real a fazer tal viagem. Embarcou a 1 de Julho de 1907 e visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.

Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou.

Em S. Tomé deliciou-se com a vegetação tropical e foi recebido numa colónia engalanada e em festa. Em Angola os Sobas, na sua Presença, e perante expressivos arranjos musicais dos instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Depois, em Lourenço Marques, foi recebido, a 29 de Julho, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa e desfilou nas ruas por entre arcos enfeitados a rigor e perante uma entusiástica população que aplaudia o seu Príncipe Real. Depois foi à Rodésia e por fim à África do Sul, onde teve um acolhimento singular da comunidade local que lhe rendeu diversas homenagens. Depois do Cabo regressou a Angola e no regresso a Portugal passou por Cabo Verde. Chegou a Portugal em 27 de Setembro de 1907, onde encontrou uma Nação em efervescência política.

Em todos os locais que visitou causou Dom Luís Filipe de Bragança a mais distinta impressão, facto pelo qual, já na metrópole foi elogiado pelo seu desempenho pelo Rei, seu pai, e pelo Conselho.

Foi por essa altura que o jovem e garboso Príncipe de olhos azuis e cabelo louro terá conhecido o amor, tendo-se apaixonado por uma jovem de seu nome Margarida, filha de uns Barões. Porém, sem desmérito para a prendada e virtuosa moça, o platónico amor não poderia, segundo os códigos da época prosseguir e transformar-se em algo mais sério, pois a um herdeiro da Coroa era esperado casar-se com alguém, também, de sangue real.

“Exercia a sua insinuante figura, a um tempo tão moça quão varonil uma atracção indefinível, por todos experimentada. Acrescia um amor pela sua terra, um fervor no sentimento patriótico que a todos também se comunicava, enquanto que uma educação primorosamente cuidada servida por uma inteligência claríssima e auxiliada pela prodigiosa memória da sua Casa, contribuía poderosamente para o êxito triunfal da viagem, destinada afinal a marcar apenas os derradeiros lampejos de glória de um Reinado a que ia em breve pôr termo a mais atroz tragédia da história”, escreveu o Conselheiro Ayres D’Ornellas in «Viagem do Príncipe Real», Lisboa, 1908, pág.8.

A 1 de Fevereiro de 1908, quando regressava de Vila Viçosa, dados ‘Cem Passos’, a Família Real Portuguesa foi vítima de um atentado terrorista perpetrado por membros da maléfica Carbonária.



Por Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica