28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

28.º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO DO PORTO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DOM DUARTE PREOCUPADO COM PERDA DE SOBERANIA


Duque de Bragança compara "a actual e humilhante dependência" de Portugal face aos seus credores à crise financeira que o país enfrentou e que levou à queda da monarquia

Duque de Bragança aproveita o Jantar dos Conjurados para dizer que Portugal atravessa uma das maiores crises e que "aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
"Portugal atravessa uma das maiores crises da sua longa vida". É com esta frase que D. Duarte abre a sua mensagem anual aos monárquicos, no Jantar dos Conjurados, na noite de quarta-feira, no Centro Cultural de Belém.
No tradicional jantar que junta os monárquicos portugueses na véspera das comemorações do Dia da Restauração da Independência, Duarte Nuno de Bragança menciona a possibilidade de ser este um dos feriados a extinguir pelo Governo.
Considerando o 1.º de Dezembro "o dia que mais deveria unir todos os portugueses", aproveita a oportunidade para se referir às consequências da actual crise.

Soberania ameaçada
"A soberania de Portugal está gravemente ameaçada" diz D. Duarte, considerando que a História tem demonstrado que "sempre que o país ficou enfraquecido aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
O duque de Bragança compara mesmo "a actual e humilhante dependência" do país face aos seus credores à crise financeira que Portugal enfrentou e que levou à queda da monarquia.
D. Duarte vê nesta crise sinais de que cada vez mais os portugueses "não se revêem no modelo de representatividade política em vigor" e aponta como caminhos para melhorar a situação económica nacional o aprofundamento das relações com os países lusófonos.
"Acredito que a CPLP deveria evoluir para uma Confederação de Estados Lusófonos", defende.
Fonte: Expresso
S.A.R. o Senhor Dom Duarte contra extinção do feriado de 1 de Dezembro

O chefe da casa real portuguesa, Duarte Pio, afirmou hoje que a soberania de Portugal está ameaçada, considerando que a extinção do feriado do 1.º de Dezembro desvaloriza o dia que mais devia unir os portugueses.
"A soberania de Portugal está gravemente ameaçada", disse Duarte Pio no discurso comemorativo da Restauração da Independência, proferido em Lisboa, defendendo que o país atravessa "uma das maiores crises da sua longa vida".
Para o herdeiro da casa real, a actual crise constitui um risco para a soberania já que a história mostra que "sempre que o país ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
Independência que, para Duarte Pio, está a ser desvalorizada "por alguns", face "à ameaça de extinção do feriado evocativo do dia que mais devia unir os portugueses".
O feriado de 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da independência de Portugal face a Espanha em 1640, é um dos quatro que o Governo pretende extinguir como forma de aumentar a produtividade do país.
"A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892", que "levou ao fim do regime da monarquia democrática", disse.
Em sua opinião "é urgente" criar um debate nacional para analisar os modelos económico e político "que estiveram na origem do depauperamento do Estado", até porque "é notório que os portugueses não se revêem no modelo de representatividade política em vigor".
"Porque não considerar outras formas de representação popular complementares, através de outro tipo de representantes mais directamente relacionadas com a população, por exemplo, oriundos dos municípios, modelo este com raízes mais profundas nas tradições históricas e culturais de Portugal", questionou.
Além disso, adiantou, deve-se incentivar a auto-suficiência económica, apostando nas actividades agrícolas e do mar.
Duarte Pio defendeu ainda a necessidade estratégica de aprofundar as relações com os países lusófonos, propondo a criação de um espaço económico comum aos países da CPLP que possa evoluir para uma confederação.
Criticando o "estilo de vida artificialmente cultivado nas últimas décadas", Duarte Pio afirmou ser necessária "uma rigorosa responsabilização moral", que julga dever começar com o esclarecimento pelos governantes sobre "o concreto destino dos avultados financiamentos resultantes dos compromissos assumidos pelo Estado ao abrigo do programa de assistência económica e financeira".
Ainda assim, Duarte Pio garantiu confiar na "força anímica do povo", em especial da juventude, para "restaurar Portugal".
"Acredito que os nossos governantes tirem conclusões dos erros passados e que tenham a inteligência e vontade de corrigir o que ainda for possível emendar, colocando Portugal acima dos interesses partidários", concluiu.
Fonte: DN


Público – Extinção do 1.º de Dezembro desvaloriza dia que mais devia unir os portugueses, diz Duarte Pio


O chefe da casa real portuguesa, Duarte Pio, afirmou nesta quarta-feira que a soberania de Portugal está ameaçada, considerando que a extinção do feriado do 1.º de Dezembro desvaloriza o dia que mais devia unir os portugueses.



“A soberania de Portugal está gravemente ameaçada”, disse Duarte Pio no discurso comemorativo da Restauração da Independência, proferido em Lisboa, defendendo que o país atravessa “uma das maiores crises da sua longa vida”.

Para o herdeiro da casa real, a actual crise constitui um risco para a soberania já que a história mostra que “sempre que o país ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência”.

Independência que, para Duarte Pio, está a ser desvalorizada “por alguns”, face “à ameaça de extinção do feriado evocativo do dia que mais devia unir os portugueses”.

O feriado de 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da independência de Portugal face a Espanha em 1640, é um dos quatro que o Governo pretende extinguir como forma de aumentar a produtividade do país.

“A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892”, que “levou ao fim do regime da monarquia democrática”, disse.

Em sua opinião “é urgente” criar um debate nacional para analisar os modelos económico e político “que estiveram na origem do depauperamento do Estado”, até porque “é notório que os portugueses não se revêem no modelo de representatividade política em vigor”.

“Porque não considerar outras formas de representação popular complementares, através de outro tipo de representantes mais directamente relacionadas com a população, por exemplo, oriundos dos municípios, modelo este com raízes mais profundas nas tradições históricas e culturais de Portugal”, questionou.

Além disso, adiantou, deve-se incentivar a auto-suficiência económica, apostando nas actividades agrícolas e do mar.

Duarte Pio defendeu ainda a necessidade estratégica de aprofundar as relações com os países lusófonos, propondo a criação de um espaço económico comum aos países da CPLP que possa evoluir para uma confederação.

Criticando o “estilo de vida artificialmente cultivado nas últimas décadas”, Duarte Pio afirmou ser necessária “uma rigorosa responsabilização moral”, que julga dever começar com o esclarecimento pelos governantes sobre “o concreto destino dos avultados financiamentos resultantes dos compromissos assumidos pelo Estado ao abrigo do programa de assistência económica e financeira”.

Ainda assim, Duarte Pio garantiu confiar na “força anímica do povo”, em especial da juventude, para “restaurar Portugal”.

“Acredito que os nossos governantes tirem conclusões dos erros passados e que tenham a inteligência e vontade de corrigir o que ainda for possível emendar, colocando Portugal acima dos interesses partidários”, concluiu.
Fonte Público

NA PASSAGEM DE MAIS UM ANIVERSÁRIO DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL


Caro Amigos e Companheiros Monárquicos:
 
Sabeis, desde há mais de 30 anos como penso, o que sempre defendi, o que sempre teimei em concluir acerca de certas posturas de “lutadores” pelo nosso Ideal.
 
Não será ocasião de tecer críticas, muito menos de julgar o passado, presente e futuro de certas correntes de opinião do chamado eufemisticamente “Movimento Monárquico Português”. Nem tão pouco me assumirei como portador de uma Verdade Insofismável, muito menos do líder de qualquer corrente ou movimento de pensamento ideológico original. Nunca tive essa pretensão. Mas tenho, sempre tive, muitas reticências, dúvidas, decepções acerca de uma unidade de acção conducente a uma Restauração que TODOS NÓS desejamos, estou certo.
 
Também sabeis há muito as dúvidas que sempre me assolaram o espírito acerca de certas organizações que, pelo que fui observando através dos tempos, pouco ou nada contribuíram para uma imagem que fosse efectivamente apelativa aos portugueses em geral, maxime aqueles que, por falta de educação política e ideológica, por estupidez ou inércia, por falsos doutrinadores ou tão-somente por inveja, vêem na Monarquia algo relacionado com um passado odioso e por valores associados a fidalguias e desprezo pelos mais desprotegidos.
 
Foi este o legado de uma doutrinação republicana, papagueada durante cerca de 100 anos, pelo que se torna difícil fazer entender aos ignorantes (para não referir os de má-fé) que a Monarquia deu a Portugal as suas mais gloriosas páginas; e que essa mesma Monarquia, mesmo que cometendo erros (qual o Regime que os não comete?), forneceu aos portugueses uma imagem de respeito, admiração e até inveja, que nunca os 100 anos de República conseguiram sequer aproximar-se dela.
 
Por tudo isto, e porque mantenho a minha visão de que somente através de uma verdadeira Revolução de Mentalidades se conseguiria a Restauração, e que nunca será através de jantares ou meras reuniões pseudo-conspirativas que esse objectivo será alcançado, somente poderei deixar aqui a minha palavra e o meu abraço de uma Solidariedade e Respeito aos que ainda verdadeira e desinteressadamente mantêm uma Esperança no dia de uma Restauração da Monarquia em Portugal.
 
Porque é preciso reiterar que acredito ainda haver hoje referências incontornáveis, de personalidades respeitadas, de monárquicos de gema, de uma coragem, abnegação e teimosia a que somente os ignorantes ou invejosos poderão tecer dúvidas.
 
Porque com esses aprendi a amar ainda mais este Ideal.
 
Porque com eles aprendi a ser mais complacente, mas também muitas vezes mais teimoso na defesa de uma Caminho comum.
 
Esta pode assim ser entendida como a MINHA HOMENAGEM a esses MONÁRQUICOS!
 
Porque foi nessas horas que eu descobri a Grandeza e a Profundidade do nosso Ideal. Foi enfim nessas horas que eu enfim constatei o quanto me HONRA a sua Amizade e Companheirismo.
 
Por tudo isto, aqui e agora, como sempre, estarei ao vosso lado, solidário e confiante de que nada nem ninguém destruirá o Ideal que nos fez Companheiros.
 
Bem hajam por tudo isto e pela vossa Fé, Perseverança e Fidelidade aos Ideais e à Amizade!
 
Quero deixar aqui o meu testemunho de uma disponibilidade para um "Repensar" de um Futuro Político que, na minha opinião, merece Reflexão urgente entre os que pensam ser possível agregar esforços num “Grande Projecto Comum”.
 
Estou pronto a pensar, discutir, formular conceitos e estratégias, ouvir opiniões interessadas. Acima de tudo, estarei Solidário num Grande Movimento que congregue personalidades prestigiadas capazes de Sentir o Interesse e Urgência de elaborar uma Alternativa que venha dar maior crédito à Politica em Portugal, que consiga cativar de novo o Povo Português para a necessária Intervenção Cívica e Política.
 
Aqui estou, fiel aos meus Ideais, mas também teimosamente pensando ser urgente uma Meditação acerca de um Futuro construído com Inteligência, Sagacidade e Capacidade Efectiva de Intervenção Política e Social.
 
Hoje, como ontem, nada se constrói solidamente com amadorismos mais ou menos bem intencionados, muito menos em matéria política. Somente uma estratégia bem elaborada e construída com bases consistentes e cuidadosamente elaboradas.
 
Aqui fica a minha disponibilidade. Aqui fica ainda a minha Esperança num Futuro para um Portugal Restaurado na sua Dignidade e Orgulho. Aqui fica enfim o meu testemunho de Fidelidade ao meu Ideal de Sempre.

Fernando de Sá Monteiro
(Ex-presidente do PPM)

AMANHÃ: CERIMÓNIAS DO 1º DE DEZEMBRO NA SHIP-SOCIEDADE HISTÓRICA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

A Direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal convida a todos os interessados a estarem presentes nas Cerimónias Comemorativas da Restauração da Independência, que se realizam em Lisboa. Estas cerimónias encerram o 150.º aniversário Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP).
Dia 1 de Dezembro de 2011
11H00 -  Içar das Bandeiras - No Palácio da Independência;
12H00 - Missa Solene invocativa ao 1º de Dezembro de 1640 - Na Igreja Paroquial de Santa Justa, no Largo de São Domingos;
16H00 - Homenagem aos Conjurados - na Praça dos Restauradores;
17H00 - Inauguração da Exposição Lusitânia Pátria Minha - pintora Maria Sobral Mendonça. - No Palácio da Independência;
18H00 - Assinatura do Livro de Honra da SHIP - No Palácio da Independência.

HOJE: RÉCITA 1º DEZEMBRO

Quarta-feira, 30 Novembro 21H30, preço 3 €

O 1º de Dezembro simboliza a independência de Portugal em 1640 após 40 anos de domínio Filipino. Reza a história que os estudantes do Colégio de S. Paulo, foram na altura os primeiros a dar as boas vindas ao Rei D. João IV saindo à rua com o intuito de comemorar a restauração da independência. Deu-se, então, inicio a uma tradição que se viria a celebrar todos os anos.

Foi em 1868 que se começou a festejar este aniversário em moldes muito semelhantes aqueles em que ainda hoje é celebrado: o carácter académico progressivamente associado às comemorações evocativas da restauração da república na cidade de Braga.

Trata-se de reavivar a memória de uma data marcante para os estudantes bracarenses. A adopção desta velha tradição pelos estudantes da Universidade do Minho tem um significado especial: representa o assumir de uma identidade, cultura e tradições próprias que nos diferencia de outras academias e uma aproximação genuína a um marco histórico da cidade de Braga.

A Associação Académica da Universidade do Minho tem vindo a reavivar a tradição e a realizar os festejos em homenagem aos patriotas do 1º de Dezembro e aos estudantes da cidade de Braga. Para tal, traz este ano aos palcos do Teatro Circo, a récita do 1º Dezembro que contará com a presença dos grupos culturais da Universidade do Minho.

INAUGURAÇÃO, EM ÉVORA, DO SALÃO DE FILATELIA "MONARQUIA VERSUS REPÚBLICA"


Amanhã, dia 1 de Dezembro, vai realizar-se em Évora mais um Dia do Selo.

No Hotel D. Fernando, pelas 10h00 será inaugurado o Salão de Filatelia "Monarquia versus República".

Estarão expostas ao público seis colecções, sendo três representativas da filatelia no período monárquico.

TRANSIÇÃO PARA A MONARQUIA

A monarquia não é uma ideologia.  É uma filosofia de regime com um Rei imparcial chefe de estado, símbolo da nação e garante do equilíbrio político. A ideologia em qualquer regime monárquico constitucional é contemplada em campanhas nas eleições legislativas, autárquicas e europeias.

O Rei só tem duas ideologias: Portugal e o povo Português, sejam eles quem forem, sem qualquer excepção. Portanto o Rei é servido por monárquicos da esquerda á direita e católicos e não católicos.

Assim se faz nas monarquias desenvolvidas e assim terá que ser feito em Portugal, pois  se quisermos a transição para a monarquia, esta terá que ter o apoio de todas as principais forças do espectro político da esquerda á direita onde se encontram vários monárquicos. 

Tentar instrumentalizar a instituição real para apenas um quadrante político é prejudicar o esforço da transição e para isso já temos os republicanos.

Artur de Oliveira

GRANDE PORTUGAL!

EL-REI D. CARLOS I - A HISTÓRIA DE UM DOS PIONEIROS MUNDIAIS NO ESTUDO DA OCEANOGRAFIA

 
1901- EL-Rei D.Carlos no Iate Amélia IV

D. Carlos nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863. Filho de D. Maria de Sabóia e de D. Luís I, foi educado para ser rei, tendo revelado desde muito cedo uma forte aptidão para as artes, para o desporto e ainda para a observação da natureza. Herda de seu pai a paixão pelo mar que se irá reflectir na sua obra artística e científica.

A 22 de Maio de 1886 casa com D. Amélia de Orleães, filha dos Condes de Paris, de quem teve dois filhos: o Príncipe D. Luís Filipe e o infante D. Manuel, que viria a ser o último rei de Portugal.

Com a morte do pai, em 19 de Outubro de 1889, é confrontado com grandes dificuldades sociais e políticas que encara com coragem e lucidez. No entanto, apesar do destaque que adquiriu a nível científico, tanto nacional como internacionalmente, não foi capaz de resolver os graves problemas políticos resultantes, por um lado, de uma profunda crise interna, e por outro, pelo ambiente internacional, favorável ao desaparecimento das monarquias na Europa.

A 1 de Fevereiro de 1908, quando a Família Real regressava de Vila Viçosa com destino a Lisboa, sofre um atentado em pleno Terreiro do Paço.

D. Carlos é vitimado, bem como o seu filho mais velho, o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. D. Manuel, o segundo filho, é aclamado Rei de Portugal. Dois anos mais tarde é implantada a República e a Família Real abandona o país com destino a Inglaterra.

Campanhas Oceanográficas

D. Carlos de Bragança, rei de Portugal entre 1889 e 1908, dedicou-se com assinalável sucesso a um conjunto diversificado de actividades de que se destacam a Arte e alguns ramos da Ciência, tal como a Ornitologia e a Oceanografia. Neste campo pode mesmo considerar-se como um dos pioneiros mundiais, tendo deixado uma obra de reconhecido mérito. Influenciado pelo crescente interesse do Homem pelo estudo do mar registado no século passado, D. Carlos decidiu explorar cientificamente o nosso mar.

Depois de uma cuidadosa preparação, em 1 de Setembro de 1896, nasceu a Oceanografia portuguesa, quando D. Carlos iniciou, a bordo do seu primeiro iate “Amélia”, uma série de campanhas ao longo da costa atlântica de Portugal que se prolongariam até 1906-1907.

Além do interesse científico, D. Carlos preocupou-se também em estudar os recursos marinhos vivos da costa portuguesa, tendo por objectivo maximizar o rendimento da indústria e do comércio da pesca. Esta era uma das mais significativas actividades económicas do país que, atravessando uma crise política e financeira grave, herdara para governar. Em 1898, dedicou-se, em especial, à investigação sobre pescas marítimas, tendo inclusivamente publicado o seu estudo sobre “A Pesca do Atum no Algarve”, editado pela Imprensa Nacional, Lisboa, em 1899.

A vocação precoce de D. Carlos pela Oceanografia foi incentivada por personalidades de renome internacional, entre as quais, o príncipe Alberto do Mónaco, que adiante se falará mais detalhadamente, Júlio Verne e a equipa notável de cientistas franceses do navio oceanográfico “Travailleur”, de entre os quais se destaca Albert Girard.

Aos 19 anos, D. Carlos tinha lido todos os trabalhos de investigação oceanográfica dessa famosa equipa francesa, constituída pelo marquês de Folin, Léon Vaillant, Edmond Perrier, Alphonse Milne Edwards, Antoine Marion e Paul Fischer, e tivera a oportunidade de a conhecer pessoalmente numa recepção no paço real da Ajuda, aquando da terceira campanha do “Travailleur” nas águas costeiras portuguesas, no Verão de 1882.

Conta-se que sendo ainda um jovem adolescente conhecera também o escritor francês, Júlio Verne, quando este, já rico e famoso, realizou, em 1876, uma série de viagens pelo Mundo, a bordo do seu iate que fez escala em Lisboa.

Durante essa escala na capital, proporcionou-se uma recepção a Júlio Verne, no paço real da Ajuda.

Assim, D. Carlos teve a oportunidade de ouvir deleitado e trocar impressões com Júlio Verne, o autor de uma das suas obras preferidas, “As Vinte Mil Léguas Submarinas”. Essa obra marcou-o profundamente, de tal forma que veio a dar o nome de “Nautilus” à sua primeira embarcação à vela que recebera como presente do rei D. Luís I, seu pai, e despontou nele a motivação pelo estudo dos abismos oceânicos da costa portuguesa, como veio a efectuar posteriormente ao largo de Setúbal.

É de recordar, neste contexto, o facto pouco divulgado sobre a estadia de Júlio Verne na casa de uma ilustre família portuguesa, no Dafundo. Aí, escreveu precisamente “As Vinte Mil Léguas Submarinas”, em 1870, tendo por horizonte a foz do Tejo. A sua anfitriã perguntou-lhe um dia, após ter lido a obra já concluída, porque razão não fizera nenhuma alusão à casa, onde se inspirara para escrever. Júlio Verne respondeu-lhe que lesse com mais atenção na medida em que a mesa de camilha da sua sala de estar, onde costumava escrever, não fora esquecida, sendo referida na obra como peça de mobiliário do submarino “Nautilus”.

D. Carlos, além dessa pequena embarcação à vela, berço dos seus sonhos de jovem navegador, o referido “Nautilus”, teve, mais tarde, sucessivamente quatro iates. Os três primeiros eram à vela e todos moviam-se por máquinas a vapor, tendo sido devidamente adaptados para as campanhas oceanográficas. Chamaram-se “Amélia” em homenagem à rainha, sua consorte.

O “Amélia I” era pequeno e pouco estável; media 34 metros e deslocava 147 toneladas à velocidade de 9 a 10 nós. O “Amélia II” fez as campanhas de 1897 a 1898; era um pouco maior, media 45 metros e deslocava 301 toneladas à velocidade de 10 a 11 nós. O “Amélia III” era grande e estável, tendo permitido as campanhas oceanográficas mais prolongadas, as de 1899 a 1901. Dispunha inclusivamente de um laboratório a bordo. Media 55 metros e deslocava 650 toneladas à velocidade de 12 a 14 nós.

O último, o “Amélia IV”, sem velas mas o maior, mais luxuoso e rápido de todos, realizou não só as visitas régias, como aos Açores e à Madeira, como também as campanhas de 1901 a 1907. Media 70 metros, deslocava 1370 toneladas à velocidade de 15 nós. Na sua categoria estava muito próximo do famoso “Princesse Alice II” do príncipe Alberto de Mónaco, medindo esse iate 73 metros, deslocando 1394 toneladas e tendo efectuado as campanhas oceanográficas de 1898 a 1910.

Sempre que partia para as campanhas oceanográficas, D. Carlos sentia-se imensamente feliz ao leme desses iates “Amélia”, sulcando as águas indómitas do Atlântico para desvendar, com a persistência própria de um cientista, os segredos profundos do oceano. Então, era o rei digno da gesta audaciosa de um povo de navegadores, granjeando também para Portugal o pioneirismo da Oceanografia.

A fim de melhor realizar as expedições científicas, D. Carlos adaptou os seus iates. Por exemplo, no “Amélia III” mandou transformar a sala de fumo em laboratório, pintado de branco e bem equipado. A bordo iam também instrumentos de precisão para os seus estudos oceanográficos como, entre outros, termómetros de inversão “Negretti & Zambra”, densímetros e flutuadores derivantes para estudar as correntes marítimas. Os iates iam munidos de armamento, como peças de artilharia, na medida em que nessa época as expedições longínquas eram arriscadas, de espingardas de caça para obtenção de espécies ornitológicas e de canhões lança-arpão para captura de cetáceos.

A costa portuguesa é efectivamente uma das mais atractivas para ser estudada, devido à presença de canhões submarinos profundos a poucas milhas da terra, tendo inclusivamente chegado a reconhecer a existência de profundos vales submarinos próximo da costa, na região do Cabo Espichel.

Esta característica torna-a quase única na Europa. D. Carlos estudou minuciosamente a topografia desses canhões, respectivos sedimentos e temperaturas, como revela a exactidão das suas notas e trabalhos escritos. O Rei é inclusivamente o autor da primeira carta batimétrica da zona do canhão de Setúbal, à escala 1/100 000, completada inclusivamente com a referência às espécies locais por ele estudadas.

Em 1898, D. Carlos incentivou a criação do Museu Oceanográfico, no Dafundo, junto ao rio Tejo e perto de Lisboa, tendo sido completado pelo Aquário Vasco da Gama, sendo ambos dos primeiros criados no Mundo. Além da exposição de espécies marinhas vivas no referido Aquário, o Museu foi enriquecido com o legado do Rei, ou seja, toda a sua colecção oceanográfica, bibliografia, documentação diversa incluindo trabalhos escritos sobre cartografia, hidrografia e ornitologia, apontamentos, notas pessoais, inventariação das espécies marinhas portuguesas, preparações microscópicas e instrumentação utilizada.

Divulgação científica

É de salientar o extraordinário papel desempenhado por D. Carlos no domínio da divulgação científica, fazendo chegar ao conhecimento público os resultados das suas campanhas oceanográficas, organizando exposições com o material zoológico recolhido ou ainda com instrumentos de uso corrente em oceanografia e aparelhos de pesca.

El-Rei senhor D. Carlos é justamente considerado uma individualidade artística, homem de ciência e habilíssimo em todos os exercícios físicos, tais como a caça, a pesca, equitação, etc. Espírito desde cedo muito culto, tem pelas belas artes a paixão dum verdadeiro artista, distinguindo-se especialmente na aguarela e no desenho a pastel. Em quase todas as exposições nacionais tem apresentado os seus apreciados quadros, alcançando as mais altas distinções. Ainda ultimamente, em 24 de Janeiro de 1905, se dignou Sua Majestade aceitar o diploma de académico de mérito que lhe conferiu a Academia Portuense de Belas Artes. Seria difícil dar uma lista completa das medalhas e diplomas de honra que El-Rei senhor D. Carlos tem recebido pelos seus trabalhos artísticos e científicos. Aos estudos oceanográficos tem Sua Majestade dedicado a mais particular atenção.

Os resultados dessas investigações receberam rasgados elogios de alguns sábios estrangeiros e constam dos quatro seguintes livros publicados: Yacht «Amelia» – Campanha oceanographica de 1896, Lisboa, 1897. Resultados das investigações scientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança ­Pescas maritimas – I – A pesca do atum no Algarve em 1898 (avec un resumé en français) – Lisboa 1899. Buletin des Campagnes Scientifiques accomplies sur le yacht «Amelia» par D. Carlos de Bragança ‑Vol. I – Rapport préliminaire sur les Campagnes de 1896 à 1900 – Fascicule I – Introduction – Campagne de 1896 – Lisbonne, 1902. Resultado das investigações scientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança – Ichthyologia – II – ­Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as campanhas de 1896 a 1903 (Texto em portuguez e francez) Lisboa 1904.

O mérito da sua obra foi internacionalmente reconhecido, como o demonstram os numerosos diplomas que lhe foram conferidos pelas mais prestigiadas instituições científicas da época.

Ao longo de doze anos de campanhas, D. Carlos foi reunindo uma colecção zoológica de incalculável valor histórico e científico que inclui animais conservados em meio líquido e naturalizados. Constituindo um valoroso contributo para o inventário faunístico da costa portuguesa, esta colecção tem vindo a servir de base à realização de diversos estudos científicos, nomeadamente sobre peixes e crustáceos.

A Colecção Oceanográfica D. Carlos I inclui ainda instrumentos oceanográficos utilizados durante as campanhas, bem como um extenso conjunto de documentação e bibliografia referentes à actividade científica desenvolvida pelo monarca.

Inicialmente foi sendo guardada no Palácio das Necessidades, com vista à criação de um Museu Oceanográfico. Após a morte do monarca, as colecções foram entregues em Fevereiro de 1910 à Liga Naval Portuguesa, que inaugurou a Secção Oceanográfica D. Carlos I do então Museu de Marinha, situado no Palácio dos Duques de Palmela, ao Calhariz. Mais tarde, com a extinção da Liga Naval Portuguesa em 1929, a colecção transita para o Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais, sendo doada por escritura pública notarial e por decreto-lei de 11 de Junho de 1935, ao Aquário Vasco da Gama de Biologia Marítima.

A Biblioteca Científica do Rei, incluindo verdadeiras preciosidades bibliográficas e constituindo um espólio de valor inimaginável, foi também oferecida nessa mesma altura.

Desde então, o Aquário Vasco da Gama tem sido responsável pela conservação deste fantástico património, parcialmente em exposição permanente ao público visitante desde 20 de Maio de 1943, por ocasião do 45º aniversário desta instituição, altura em que reabriu ao público o Museu Oceanográfico D. Carlos I.

A parte restante da Colecção mantém-se reservada, mas disponível para a consulta a efectuar por especialistas, com vista à realização de estudos científicos.

As sucessivas transferências da Colecção, desde o primitivo Museu no Palácio das Necessidades até ao Aquário Vasco da Gama, contribuíram para o desaparecimento de um número significativo de exemplares e a deterioração de muitos outros.

A parte da Colecção Oceanográfica D. Carlos I que hoje se encontra depositada nesta instituição, embora seja uma pálida amostra daquilo que deveria ter sido no tempo em que o monarca viveu, constitui um legado de incalculável valor histórico e científico, estreitamente ligado ao nascimento da moderna oceanografia em Portugal.


CARLOS I DE PORTUGAL E ALBERTO I DE MÓNACO A PAIXÃO PELO ATLÂNTICO

Em 1873, o príncipe soberano, Alberto I de Mónaco, com 25 anos de idade, tinha adquirido o seu primeiro iate “Hirondelle”. Nesse mesmo ano, fez escala em Lisboa e visitou a família real portuguesa, tendo conhecido o príncipe D. Carlos, com 10 anos, e o infante D. Afonso, seu irmão, com 8 anos. Ambos eram crianças e excelentes ouvintes das odisseias do príncipe de Mónaco.

Em 1879, quando o príncipe Alberto de Mónaco fez outra escala em Lisboa, teve a oportunidade de trocar impressões sobre os seus estudos oceanográficos com D. Carlos, que tinha 16 anos, revelava um entusiasmo por tudo o que fosse relacionado com o mar, a par do conhecimento excelente de várias línguas estrangeiras, sendo fluente em francês e inglês, das ciências naturais e do talento para a pintura e desenho. Durante essa escala, o jovem D.Carlos reproduziu correctamente a “crayon” o iate “Hirondelle” ancorado no Tejo.

Em 1885, o príncipe Alberto de Mónaco iniciou as suas campanhas oceanográficas que se realizaram ao longo de trinta anos. Sulcou frequentemente as águas do Mediterrâneo ao Atlântico, a bordo dos seus sucessivos quatro iates designados respectivamente “Hirondelle”, “Princesse Alice”, “Princesse Alice II” e “Hirondelle II”. Estes foram também convenientemente adaptados, incluindo salas transformadas em laboratórios, bem apetrechados com instrumentos específicos, os mais modernos de então, que lhe permitiram assegurar o prestígio internacional das suas investigações.

Em 1894, por ocasião de uma campanha oceanográfica com o seu segundo iate o “Princesse Alice”, o príncipe Alberto de Mónaco, acompanhado pela mulher, a princesa Alice, fez escala em Lisboa e visitou o já então rei D. Carlos I e a sua mulher, a rainha D. Amélia, que se encontravam no palácio da Pena, em Sintra.

Desse encontro entre duas pessoas admiráveis pela sua inteligência e sensibilidade, nasceu uma grande amizade, tendo em comum a paixão pelo mar, desporto, fotografia, ciência e tecnologia. Essa empatia foi reforçada, ao longo dos anos, através de uma troca de correspondência assídua entre D. Carlos e o Príncipe Alberto, informando reciprocamente sobre os progressos das respectivas investigações, nomeadamente no oceano Atlântico.

Com o decorrer do tempo, o rigor e a qualidade científica dos estudos de D. Carlos sobre a biodiversidade marinha, as correntes do litoral e as cartas batimétricas do “mar português”, permitiram-lhe o reconhecimento e a designação de “Monarca Sábio” pelo príncipe Alberto de Mónaco. É de recordar que o príncipe de Mónaco efectuou doze campanhas no Mar dos Açores que tanto o fascinava, numa perspectiva científica, pela extraordinária variedade e riqueza da fauna piscatória do Arquipélago açoriano. Por ali, navegou a bordo dos seus iates “Hirondelle” e, mais tarde, “Princesse Alice”, permitindo-lhe o conhecimento global da biodiversidade marinha, inclusive dos seus aspectos biogeográficos. Neste contexto, é de salientar a sua descoberta do banco “Princesse Alice”, a sul do Arquipélago dos Açores, pela importância para a pesca.

No mar dos Açores estudou ainda os grandes abismos oceânicos, como a famosa fossa “Hirondelle”, designada como o seu iate, sendo a mais profunda do Atlântico e situando-se entre as Ilhas de S. Jorge e Faial do Arquipélago açoriano.

Durante os referidos anos, em que o príncipe Alberto navegou no mar dos Açores, teve a oportunidade de fazer amizades no Arquipélago, nomeadamente na Ilha de São Miguel.

Entre os seus amigos açorianos, incluía-se o conde de Fonte Bella, Jacinto da Silveira de Andrade de Albuquerque Gago da Camara, que o costumava acompanhar, seguindo a bordo do seu iate ”Áquila”. Este era uma das maiores escunas portuguesas, com dois mastros, medindo 30 metros e deslocando 130 toneladas. Fora construído nos estaleiros de Ponta Delgada, na Ilha supracitada. Dispunha de uma decoração interior requintada e também de um laboratório.

O “Áquila” entrara ao longo dos seus mais de 20 anos de existência não só em campanhas oceanográficas mas também em regatas, sendo quase o único a arvorar e a prestigiar nessas competições o pavilhão de Portugal. A sua deslocação rápida, sulcando as águas com as velas enfunadas e deixando um rasto de espuma, assemelhava-se ao voo de uma águia, daí o seu nome. Era belo de se ver o ”Áquila” fundeado na baía de Cascais, tendo essa imagem sido imortalizada pelo rei D. Carlos numa das suas famosas aguarelas.

O príncipe Alberto de Mónaco rodeou-se também de uma equipa de cientistas de renome internacional, entre os quais, muito admirava, pelo seu saber e competência, um perito em Ciências Naturais, açoriano da Ilha de São Miguel, o coronel Francisco Afonso de Chaves, que fundou o Instituto de Meteorologia de Ponta Delgada. Este Instituto ostenta, ainda hoje, o seu nome.

As fotos dessas campanhas do príncipe Alberto acompanhado pelo conde de Fonte Bella e pelo coronel Francisco Afonso de Chaves, no mar dos Açores e em pleno oceano Atlântico, encontram-se presentemente expostas ao público no Museu Oceanográfico de Monte Carlo, criado no Mónaco, em 1910.

Dessa relação amistosa luso-monegasca perdura o nome de Açores numa das ruas centrais de Monte Carlo e, por sua vez, o de Avenida Príncipe Alberto de Mónaco, em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, e Observatório Príncipe Alberto de Mónaco, na Horta, Ilha do Faial.

Em 1996, Portugal e o Mónaco celebraram conjuntamente o centenário da Oceanografia, prestando as devidas homenagens aos dois “Monarcas Sábios” que muito contribuíram para desvendar os segredos dos oceanos e mares da superfície aos abismos, neles procurando não só a origem da vida e a riqueza da biodiversidade marinha, como também as possibilidades de sobrevivência de náufragos e a previsão de tempestades em prol de uma navegação segura.

Assim, Carlos I de Portugal e Alberto I de Mónaco fundaram a Oceanografia e com ela abriram à Humanidade a última fronteira do Planeta, os Oceanos.



 
A bordo do Amélia II (da esquerda para a direita) D. Carlos I, Alberto Girard e o conde de Mafra escolhem os exemplares acabados de recolher numa das suas campanhas oceanográficas.

 
EL-REI D. Carlos I


 
Exposição de D. Carlos


 
Colecção de D. Carlos


 
Exposição de D. Carlos


 
Colecções de D. Carlos


 
“Campanha Oceanográfica de 1896”


 
Objectivos da Campanha


Objectivos da Campanha


 
1888- Primeiro iate “Amélia”


 

1897-Iate “Amélia” (II)


 

1899-Iate “Amélia” (III)


 
1901 - "Yacona" Iate Amélia IV


 
Interior de um navio oceanográfico, no início do século XX


 
Yacht-Amelia4

BISPO EMÉRITO DE AVEIRO DEFENDE "ECOLOGIA DA PESSOA HUMANA"

O Bispo Emérito de Aveiro reflecte sobre as violações da pessoa e diz que são mais graves que as violações da natureza que os grupos ambientalistas procuram salvaguardar. Na crónica desta semana, o Bispo Emérito aborda questões como o aborto e a violência em ambiente escolar para lembrar que são casos cada vez mais numerosos.
Em prol de uma ecologia da pessoa humana.
Os movimentos ecológicos acordaram, em comum, para a resposta à interpelação urgente de um sinal dos tempos, que se pode traduzir pelo grito de respeito e defesa da natureza criada, ameaçada e, em muitos casos, já destruída, pelos atropelos que contra ela muitas pessoas fazem. Justifica-se a preocupação, dado que se trata de um bem de todos e a todos necessário. O que já se conseguiu neste campo, sobretudo com as crianças e a gente mais nova, é impressionante. Muito é o que se tem feito através da educação nas escolas, das campanhas publicitárias e da multiplicação dos meios adequados e acessíveis que ajudam a respeitar ambiente natural e a saber classificar e recolher resíduos e desperdícios. Se recordarmos o que entre nós se passava há trinta ou quarenta anos, vemos uma diferença abissal neste aspecto, hoje com proveito para toda a gente.
Acontece, porém, que natureza criada é, também, a natureza humana, a pessoa concreta e, no respeito por ela, há ainda muito caminho para andar. É verdade que a defesa da natureza criada e do que ela comporta e significa faz-se em razão das pessoas. Mas não podem parar aí os cuidados comuns. Há, segundo o que vemos e sentimos, a urgência de uma defesa clara da natureza humana, ou seja, das pessoas concretas, frente às agressões graves contra as leis que regem a sua vida.
Pensemos, por exemplo, na distribuição, nos centros de saúde públicos, de anticonceptivos químicos que bloqueiam, interrompem e desviam o curso normal das leis da natureza, muitas vezes com consequências graves na saúde da mulher. Cientistas de grande valor internacional, defendem e provam que os métodos naturais, não por razões morais ou religiosas, mas por razões científicas provadas, são os únicos que respeitam a sequência normal das leis da natureza em relação à concepção de novas vidas.
Atento, desde há muitos anos, a este problema, nunca vi os movimentos de ecologistas preocupados com o que se faz em relação ao aborto e com a destruição das mulheres, protagonistas de primeira importância, humana e social, na procriação. Os raciocínios correntes são redutores e parece interessar mais a eficácia, o imediato sem esforço, que o respeito pela natureza humana e suas leis, em ordem à vida procurada e defendida. Dirão que a ciência tem, também, a sua palavra. Pois que a diga, ao serviço da vida, não da sua destruição.
As violações da pessoa humana são mais numerosas e graves que as violações da restante natureza. Delas passam ao lado muitos ecologistas, delas se ocupa o Estado com mezinhas jurídicas. A sociedade foi-se deixando anestesiar e para tudo encontra justificação? Kabril Gibran, um profeta dos tempos novos, escreveu: “Os homens não têm a felicidade nos lábios, nem a verdade nas suas entranhas, porque a felicidade é filha das lágrimas e a verdade é gerada pela dor”. Quando as pessoas não valem, todas as coisas sobram. Uma ecologia a favor da pessoa humana não pode ser fruto de facilidades, de distracções, de prazeres imediatos. É uma luta diária. A natureza é para as pessoas e são as pessoas que lhe dão sentido e valor consistente.

REI ABDALLAH DA JORDÂNIA AMPLIA AS REFORMAS DEMOCRÁTICAS

Abdallah II, prometeu na semana passada que, a partir das próximas eleições gerais, os governos serão formadas por aqueles partidos ou coligações que obtiverem uma maioria no Parlamento do país. O país assumirá o sistema parlamentar, prometeu Abdullah II, cujas responsabilidades que ainda detêm é a nomeação de primeiros-ministros e ministros.
"Estamos comprometidos e dispostos a adoptar um sistema parlamentar", disse o monarca, que actualmente tem o poder de nomear primeiros-ministros e ministros do governo.
"Pretendemos implementar o novo sistema a partir do próximo mandato, como parte do processo de reformas democráticas", disse ele durante um discurso transmitido pela televisão por ocasião da primeira sessão da câmara baixa do Parlamento após o recesso de férias.
Abdallah II não especificou a data da próxima eleição, mas em declarações recentes, deixou claro que preferia a realização de eleições no início do segundo semestre de 2012, após a adopção de uma nova lei eleitoral e outros partidos políticos.
"As mudanças na região leva-nos a expressar a nossa forte convicção sobre a necessidade de reforma e participação popular, para corrigir os erros do passado, ser responsável e garantir a separação de poderes", disse o monarca.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O NATAL DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA









(Clique para ler)

Fonte: Flash!

HOJE: LANÇAMENTO DO LIVRO MARIA PIA DE SABÓIA

Por ocasião do Centenário da Morte da Rainha Maria Pia (1848-1911), o Palácio Nacional da Ajuda e a Câmara de Cascais editam o livro Maria Pia de Sabóia, Rainha de Portugal. Fotobiografia, de Maria do Carmo Rebello de Andrade.
O lançamento terá lugar no Palácio da Ajuda, no próximo dia 29 de Novembro, pelas 20h00, data de encerramento do ciclo de conferências A Rainha D. Maria Pia e o seu Tempo.
Instituto dos Museus e da Conservação

 

VERGONHA NA CARA



Nestes inauditos tempos de História que atravessamos, não nos basta ter de aturar o bando de tudológos oficiais nas rádios e televisões a choramingar banalidades sobre as “injustiças” do sinistro ajustamento económico a que estamos condenados, temos também a má fortuna deste regime nos legar uma crescente troupe de inimputáveis presidentes e ex-presidentes da república, que do alto da sua insignificância contribuem para o ruido com trivialidades sobre o “diálogo”, o perigo do “empobrecimento”, ou a famosa “distribuição dos sacrifícios” assunto para o qual cada um parece ter a sua receita mágica. Todos eles gozam por estes dias o seu peso em prebendas e mordomias douradas pelos actos ou omissões que nos conduziram à actual ruína. 
O último a botar a boca no trombone foi o pardacento e lacrimoso Sampaio, que não perdeu a oportunidade de lançar achas para a fogueira, sublinhando que o País está “num momento muito difícil” (!) e defendendo que “é preciso reforçar os instrumentos de diálogo”(!!), concluindo num desavergonhado assomo de lata que “afinal de contas” tinha razão na frase célebre frase “há mais vida além do orçamento” (!!!). Nestes tempos de emergência nacional falta-lhes é vergonha na cara.

publicado por João Távora em Real Associação de Lisboa

UMA REPRESENTAÇÃO DE ESTADO PARTIDARIZADA


Com a revolução de 1910 alguns determinaram que a partidarização da chefia de Estado resolveria os nossos problemas. Passou-se a dar uma cor, ou seja, um lado ao representante que devia ser de todos os portugueses. Confundindo os pouquíssimos pobres de espírito e de conhecimento, o Partido Republicano conseguiu que os problemas políticos da época, gerados no Parlamento e pelo Governo, fossem desembocar ficticiamente na nossa Chefia de Estado. De forma oportunista fizeram-se recorrer da força das armas para atingir mortalmente Monarquia Constitucional. Ou seja, naquela data eliminou-se o nosso último garante, o garante quase milenar do povo: o Nosso Rei! Retirou-se a última hipótese de termos um representante preparado à nascença para o cargo, apartidário, incorruptível, progressista e que pusesse Portugal e os interesses dos portugueses acima de tudo.

 
À luz da actual crise é fácil concluir como estamos actualmente com essa partidarização, com a república e com o republicanismo, em escassos 100 anos (cujo mesmo prazo de desenvolvimento da nossa Monarquia [D. Afonso Henriques a D. Afonso III] já nos trazia crescimento e progresso). Mais grave é ainda a constatação quando verificamos, comparativamente, onde se encontram hoje as Monarquias Constitucionais do mundo em desenvolvimento humano, níveis de democracia e progresso...!
 
PPA
 

CADA UM QUER TUDO


“Em Portugal cada um quer tudo e quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho. 
(…)

Em nenhuns reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.”

Padre António Vieira, in ‘Sermões’

COROA RICA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA NA COVA DA IRIA

A coroa rica de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria, além do seu valor devocional no culto Mariano, é um interessante testemunho gemológico. Uma campanha junto das mães de Portugal, nos anos 1940, resultou na reunião de um significativo conjunto de jóias em ouro, prata e pedrarias para a sua feitura. Estes ex-votos foram utilizados pela Casa Leitão & Irmão, os antigos joalheiros da coroa, na sua produção que culminou, em 1946, na sua colocação na imagem original de Nossa Senhora de Fátima da Capelinha das Aparições.

A sua composição é um reflexo do que existia na época em Portugal como joalharia civil, pois os seus materiais derivam do desmancho total ou parcial de jóias oferecidas. Contam-se aqui diamantes, em grande quantidade e nos seus mais variados estilos de lapidação, destacando-se também as esmeraldas, rubis e safiras, assim como pérolas, granadas e berilos esverdeados que constituem as quatro grandes gemas rectangulares transparentes na base da coroa. Mais recentemente, o Papa João Paulo II fez chegar ao Santuário o projéctil que o atingiu no atentado de que foi alvo no dia 13 de Maio de 1981, o que lhe terá despertado a sua grande devoção a esta invocação mariana. A Casa Gomes da Póvoa de Varzim procedeu então à sua colocação, por engaste, no interior da coroa, imediatamente debaixo do orbe azul celeste.

Capelinha das Aparições © Arquivo do Santuário de Fátima

A REPÚBLICA SAI CARA E É DE MÁ QUALIDADE

Carregue na imagem
Em Espanha, a Monarquia custa 19 cêntimos a cada cidadão, enquanto que em Portugal a Presidência da República custa 1 Euro e 58 cêntimos (8 vezes mais!). Por sua vez, o orçamento disponibilizado pelo Governo espanhol para a Casa Real ronda os 9 milhões de Euros, enquanto o orçamento transferido pelo Governo português para a Presidência ascende quase ao dobro (16 milhões de Euros).

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101 anos de República...afinal para quê? Pagar tanto para não ter nenhuma identidade histórica?

Um povo com raízes tão antigas e tão nobres a viver sem orgulho e sem patriotismo?

Não ter uma figura nacional sequer para cunhar nas moedas de Euro e andar com a cara do Rei de Espanha nos bolsos?

Ver a nossa cultura a ser absorvida pela U.E. por leis "antissepticas" que acabam com os nossos produtos regionais e tradicionais

Monarquia.TV  dos Arautos d'El-Rei 

PRINCESA VICTÓRIA DA SUÉCIA E DANIEL WESTLING: "SOMOS UMA FAMÍLIA MODERNA"

Victoria da Suécia e Daniel Westling viajaram até ao condado de Västernorrland, no norte do país para uma visita que durou dois dias.
Grávida de cinco meses, a princesa visitou uma fábrica de cadeiras de rodas eléctricas, sempre na companhia do marido.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ALCAIDE DE OLIVENÇA CAUSA POLÉMICA COM RECRIAÇÃO DA GUERRA DAS LARANJAS

Godoy, pintado por Goya, está na origem deste episódio bélico
Godoy, pintado por Goya, está na origem deste episódio bélico (DR)
A Guerra das Laranjas, episódio bélico que durou 18 dias e conduziu à ocupação de Olivença em 1801, durante a 1.ª Invasão Francesa, vai ter uma recriação teatral que está programada para o primeiro fim-de-semana de Junho de 2012. O projecto está a ser posto em marcha pelo alcaide de Olivença, Bernardino Píriz, eleito pelo Partido Popular (PP), envolve cerca de 300 figurantes, e será completado por um evento gastronómico. O autarca espanhol espera ter portugueses entre os figurantes. O presidente da vizinha Câmara de Elvas, Rondão de Almeida (PS), já disse que, se a ideia for por diante, poderá haver manifestações de protesto da parte portuguesa.
A Guerra das Laranjas - designação que surge associada a um gesto do primeiro-ministro e chefe militar espanhol, Manuel Godoy, que enviou um ramo de laranjeira colhido nos campos de Elvas à rainha de Espanha Maria Luísa, de quem se dizia ser amante, para a informar de que tinha tomado Olivença - é a primeira surtida militar no âmbito das invasões francesas. Godoy, nascido em Badajoz e filho de mãe portuguesa, comandou a ocupação de uma dezena de localidades portugueses junto à fronteira.

A paz é alcançada no Tratado de Badajoz, a 6 de Junho de 1801, que restitui à coroa portuguesa as praças de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, mas não Olivença. Mais tarde, a 9 de Junho de 1815, o Congresso de Viena decide a restituição de Olivença a Portugal, sem que as autoridades espanholas lhe dessem cumprimento até aos dias de hoje. É mediante este passivo histórico que o autarca de Elvas lembra: "Não interessa uma nova batalha em cima das campas dos nossos antepassados".

"Fomentar os laços de união

O objectivo, disse o alcaide de Olivença, num comunicado enviado à imprensa, "não é outro que não seja fomentar os laços de união entre oliventinos e portugueses". E define a "obra de teatro" com uma realização luso-espanhola. O texto que dará suporte à representação cénica, salienta, "está escrito para sarar as feridas e não abri-las".

Os primeiros a reagir com desagrado à iniciativa do autarca oliventino foram os seus antecessores eleitos em listas do PSOE, Manuel Cayado e Ramón Rocha. Em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, afirmaram que a recriação histórica pode resultar numa "ofensa gratuita aos portugueses" e até "afectar" as relações entre Olivença e Portugal.

O primeiro, que é porta-voz do PSOE em Olivença, sustenta que a recriação da Guerra das Laranjas "pode afectar negativamente" as relações entre os dois países. E lembra que "este capítulo da história ainda não está superado", assinalando que o sentimento dos portugueses sobre Olivença é o mesmo dos espanhóis em relação ao território de Gibraltar, administrado pelo Reino Unido num extremo da Andaluzia.

Ramón Rocha adverte para as consequências do evento teatral, realçando que este "não é o momento" para a representação e chamando a atenção para o problema fronteiriço que "ainda não está resolvido". Com efeito, o troço da fronteira entre os dois países ibéricos entre ribeira do Caia e a ribeira dos Cuncos não está delimitado. Portugal sempre recusou a colocação dos respectivos marcos, por não reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença.

"Com os nossos vizinhos portugueses não se pode estar em guerra toda a vida", frisa Ramón Rocha, mostrando-se contrário à realização de um espectáculo que inevitavelmente retratará uma guerra que foi "cruel" e conduziu ao "desencontro" entre os povos dos dois lados da fronteira.

Este argumento é partilhado pelo presidente da Câmara de Elvas, Rondão de Almeida, que, numa carta publicada no jornal Hoy, de Badajoz, diz estar "surpreendido" com a "macro-representação da Guerra das Laranjas". O autarca não tem a "menor dúvida" de que, para além de "ensombrar" as relações diplomáticas entre Portugal e Espanha, o projecto "parece de muito mau gosto e é inconveniente".

Rondão de Almeida deixa um aviso: o espectáculo mobilizará o grupo Amigos de Olivença, que reclama a devolução da cidade estremenha a Portugal, e dará força a manifestações contra a sua realização.

O autarca alentejano admite juntar-se a uma acção de protesto desse tipo e diz ter ficado muito "desapontado" pelo facto de o alcaide de Olivença não o ter consultado antes de avançar com a ideia da representação teatral. Mesmo assim, pede-lhe que "tenha um momento de reflexão" e que recorde que o povo de Olivença "descende daqueles que estiveram na Guerra das Laranjas."

O presidente da Câmara de Elvas está convencido de que os portugueses não participarão no evento e assegura que já falou com os presidentes das câmaras de Campo Maior e de Vila Viçosa, que também estão contra a iniciativa de Bernardino Píriz.