UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 30 de junho de 2011

MISSA POR ALMA DE S.M.F. A RAINHA DONA MARIA PIA

A Casa Real Portuguesa e a Drª Isabel Silveira Godinho, Directora do Palácio da Ajuda,  mandam celebrar Missa por alma de S.M.F. a Rainha Dona Maria Pia, na Igreja de S. Vicente de Fora, no dia 5 de Julho, pelas 19h00, na passagem do Iº centenário da sua morte. 

Presidirá à Eucaristia S. Exº Revma. o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo.


Real Associação de Lisboa

ACÇÃO DE VOLUNTARIADO EM PROL DA NATUREZA - 2 DE JULHO - SÃO JACINTO, AVEIRO

 
Esta iniciativa merece o apoio público da Real Associação da Beira Litoral!

"Eu sou sócio da LPN desde os meus 10 anos ." 
S.A.R., O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança

MONÁRQUICO - AQUI E AGORA

Não sou Monárquico, nem sei bem se na verdade o sou mesmo, mas aqui e agora sinto-me Monárquico.
 
De um modo geral os países da Europa com Monarquias instituídas não têm tido, nem estão a ter a mesma dose de problemas que têm os países Republicanos, sendo até os mais bem nivelados sócio e economicamente.
 
É evidente que falo de Monarquias modernas, atualizadas, funcionais, inserida num sistema Democrático Direto e sério, não a uma Monarquia que nos possa levar a uma ditadura ou a um desequilíbrio social pior ainda, muito menos a uma Monarquia de ‘fait divers’ e de ‘jet sets’ carnavalescos que a matariam logo à nascença… mais ‘palhaçadas, já ninguém atura, refiro-me a um regime que represente a nação e o nosso Povo condignamente, com uma imagem mesmo virada para fortalecer o nome/marca Portugal considerando as exportações, pensando também no Turismo direto para eventos reais e indiretos, aliás, não é preciso inventar nada, tudo é feito por aí fora.
 
Voltando ao cerne da questão e que me parece bem mais importante e interessante que é a comparação, teórico prática, com a República, procurando nos recentes acontecimentos pontos que se possam realmente colocar em cima da mesa.
 
A Constituição Portuguesa não permite, por qualquer meio legal, aos portugueses poderem optar por outro regime que não o Republicano, ao contrário de outros países, nomeadamente as nações Monárquicas, quase que ‘obrigando’, se houvesse tal movimento e desejo em massa, a um ato de violência, o que não se põe sequer em causa.
 
Mas no caso da possibilidade da realização de um referendo, por exemplo, estou em crer que a Monarquia teria uma percentagem maior e mais de votantes que os resultados alcançados, pelo atual Presidente da República, nas eleições que lhe permitiram este segundo mandato.
 
Em Portugal o Presidente da República não consegue uma representação significativa em resultado aos votos obtidos, principalmente quando se trata de um segundo mandato, como temos visto desde 1974 até aos nossos dias, enfraquecendo e limitando o seu poder, assim como a capacidade de poder garantir o normal funcionamento do país em circunstâncias adversas, e, não me refiro a nenhum em especial, senão a todos, por muito que o diga e se esforce um Presidente da República nunca o é de todos os Portugueses.
 
Antes de mais, como político, oriundo ou não da esfera militar, está sempre comprometido de alguma forma com o sistema político vigente, neste caso, ‘Partidocrático’, onde grassa o tráfico de influências e a corrupção, produto do poder económico financeiro, assim como de grupos e seitas mais ou menos secretas.
Mencionei a situação desde 1974, porque antes desse ano o que aqui relato é ainda mais relevante.
De notar que a República Portuguesa, das que eu conheço, será das únicas, tem enraizada fortemente uma tradição Monárquica, senão vejamos os longos períodos de presidência das personalidades que exerceram o cargo, excepção feita aos conturbados tempos iniciais do regime, antes sem limite e depois do 25 de Abril, com o limite de dois mandatos, sempre cumpridos facilmente, para não dizer docilmente, até agora.
 
Depois analisemos as funções e verificamos que praticamente poderiam muito bem ser as de um Rei, mas mais, após deixarem o Palácio de Belém em final do limite de mandatos, mantêm pela vida fora mordomias e outras ‘…ias’ como se continuassem a exercer, quase, o cargo, gabinete, secretária/assistente, viatura e motorista… e mais não sei, nem vou querer já saber.
 
E quanto ao resto... 'é fazer as contas...' como dizia o nosso/deles Engº. António Guterres, mas feitas com os gastos e com as receitas... ah... pois a Presidência da República não tem, nem gera receitas... mas a Monarquia além de gastar menos, gera receitas diretas e indiretas.
 
Para além de outros motivos, penso que em momentos cruciais durante esta crise económico financeira, social e política, o Povo Português não se revoltou na prática, tanto como nas palavras e nas passeatas, também por receio de que o poder caísse nas ruas e pudesse ir parar a ‘mãos’ menos certas, piores ainda do que nos é oferecido pelo sistema vigente.
 
Não havia a quem entregar o poder, pelas razões já acima mencionadas, o Povo sentiu-se órfão, esse é o sentimento que não sentiram os chamados ‘acampados’ em Espanha e por isso avançaram e fizeram-se ouvir resultando numa inversão total no resultado das eleições regionais e nas últimas medidas tomadas ontem pelo governo espanhol, que também, obviamente, está a pensar nas sondagens, mas porque lhes tocou fundo o ‘grito’ que o Povo deu.
 
Mas Espanha que estava no lugar seguinte da fila para o FMI/EU, foi logo prevenindo dentro de moldes já diferentes, mais favoráveis ao Povo e em conjunto com estas últimas medidas as probabilidades são mesmo de que não venha a ser necessária qualquer intervenção de fora.
 
No caso de um Rei, como o que representa logo por nascimento é a nação e o seu Povo, e, neste caso sim representa mesmo todos os Portugueses, sendo essa a sua primeira prioridade, jurando cumprir e fazer cumprir a Constituição, tudo sempre fará para evitar desvios no sistema Democrático vigente, nunca se chegando a situações tristemente embaraçosas como a que agora chegámos.
 
Dir-me-ão agora e se um Rei não pensar assim? Se quiser tomar todo o poder? Eu pergunto: e um Presidente da República, não poderá fazer o mesmo?
 
Claro que sempre poderão existir exceções, em qualquer regime, mas o equilíbrio das forças do Poder do aparelho de Estado bem nivelado sempre defenderá a virtude e no fim está sempre o Povo que é quem deve pôr e dispor, e, não a classe económico financeira que deve servir para a função que lhe é adstrita, gerir os dinheiros do estado e o nosso, seja ele pouco ou muito, tendo por lucro um valor justo, nem um cêntimo a mais, nem um a menos.
 
Mas quanto a essas exceções, temos sempre que estar atentos!
 
Nunca pensei chegar a estas conclusões, nem me passava pela cabeça, a não ser pelo lado romântico que nos encanta na Monarquia, mas tenho que ser coerente com a verdade e com a realidade que me rodeia, esta é uma opinião pessoal, mas é a minha, hoje, embora o meu objetivo, o meu ideal seja outro, similar, já mo disseram, mas poderá ter outro nome qualquer.
 
A meu ver a única, mais rápida e melhor forma de termos uma Democracia Direta e séria é com um regime Monárquico, isto colocando de lado tudo o que envolva violência e confrontos.
 
Tenham coragem os políticos portugueses e permitam através da Constituição a realização do tal Referendo e verão a vontade que este POVO tem de mudar e rasgar com tradições falsas que lhes têm querido incutir em benefício de uma minoria em detrimento da maioria.
 
Mas é por estas e por outras que aqui e agora, afirmo, sou MONÁRQUICO!
 
BLUES ON THE ROCK

quarta-feira, 29 de junho de 2011

VIVA O SÃO PEDRO!

CONFERÊNCIA: "DOM SEBASTIÃO - DE DESEJADO A ENCOBERTO"


Conferência por Manuel J. Gandra
Quinta da Regaleira

Sábado, 2 de Julho de 2011, pelas 15.30 horas

D. Sebastião foi desejado de toda a gente. De acordo com um memorialista coetâneo, o seu nascimento, a 20 de Janeiro de 1554, “enxugou […] nossas lágrimas, dando-nos novos espíritos e nova esperança”.

A exaltação do seu carisma providencial fê-lo crescer convicto de que, enquanto “Capitão de Deus”, lhe estavam reservados épicos feitos ao serviço de um cristianismo de cariz gibelino e anti-romano.Encarnando mitos ancestrais e profecias tradicionais, preparou metodicamente a derrota militar em Alcácer Quibir, condição para, como asseveravam tais prognósticos, emergir enquanto Encoberto e agente histórico da Quinta Idade do Mundo.

Será esta a ocasião para o orador apresentar em Portugal, em primeira mão, documentos confidenciais pertencentes a Arquivos espanhóis, testemunhando de forma inequívoca a sobrevivência do Desejado à batalha dos Três Reis, bem como a sua longa tribulação, Encoberto, até à abdicação, morte e sepultamento em Limoges (França).

A Quinta da Regaleira, cenário desta comunicação, concebida pela visão esclarecida e patriótica de António Augusto Carvalho Monteiro, constitui-se como o guardião derradeiro deste legado que, não obstante os nevoeiros dominantes, no dia e na Hora certos, há-de trazer, de novo, à ribalta, o Destino de Portugal.

Está prevista a apresentação de diversas novas publicações do conferencista sobre o tema em apreço.

"Os documentos, alguns assinados pelo próprio Filipe II, também testemunham que o próprio rei de Espanha estava implicado na ocultação de D. Sebastião com o insidioso intuito de chegar ao trono de Portugal. O Desejado foi reconhecido por diversos italianos e espanhóis. Além de que ostentava os 22 sinais particulares reconhecidos em D. Sebastião, alguns dos quais íntimos e bizarros."
JMGandra

OPERAÇÃO VALQUÍRIA - A NOBREZA AO SERVIÇO DA LIBERDADE!

von Stauffenberg
No próximo dia 20 de Julho farão 67 anos que foi perpetrado um atentado contra Hitler,  explosão de uma bomba em seu quartel-general, Wolfsschanze (“Toca do Lobo“), na Prússia Oriental. A represália não se fez esperar: mais de quatro mil pessoas, membros e simpatizantes da resistência, foram executadas nos meses seguintes.


De tal forma eram próximos os contactos com as pessoas que trabalhavam activamente contra o nazismo que no início de 1944 D.Maria Adelaide de Bragança,  neta do Rei D.Miguel I, soube da preparação da Operação Valquíria que tinha como objectivo aniquilar Hilter. Embora D.Maria Adelaide não conhecesse directamente Claus Philipp Schenk Graf von Stauffenberg, falava directamente  com várias pessoas que com ele se relacionavam. Aliás ele era amigo do príncipe Carlos Augusto de Thurn e Taxis casado com a irmã D.Maria Ana de Bragança, e morava perto deles em Baviera.

D.Maria Ana e D.Maria Adelaide foram presas pelos Nazis por ouvir a Rádio BBC, crime punível com pena de morte.  Enfrentando ambas a pena de morte, o Estado Português eficazmente salvou-as, deu-lhes Passaporte Diplomático. Depois de passarem pelas privações e tendo um passaporte de um País Neutro, D.Maria Adelaide poderia ter-se deixado ficar mas tomou o caminho mais difícil.  Com o que viu na Cadeia, a maneira como os responsáveis pela Operação Valquíria foram barbaramente torturados fez com que  decidisse entrar na Resistência activa contra o nazismo. Ofereceu-se para ir tratar os feridos na frente de guerra. Seria mais que justo que o Estado Alemão reconhecesse o contributo de D.Maria de Adelaide de Bragança para a Liberdade que hoje gozam.

Na esmagadora maioria o grupo responsável por esta acção de resistência contra o nazismo era composto por muitos militares oriundos de famílias nobres e de católicos, eram contra o genocídio contra judeus, polacos, russos e outros grupos da população estigmatizados pelo regime de Hitler para além de porem em causa a maneira como o mesmo conduzia a Guerra e distorcia o sentido da Pátria Alemã .  Hoje são recordados pelo Povo Alemão como um exemplo de Resistência e da luta pela Liberdade

Von Stauffenberg diante do pelotão de fuzilamento, suas últimas palavras foram:
– “Es lebe das heilige Deutschland! (Vida Longa para a sagrada Alemanha!)”

Deram o maior exemplo que um “Nobre” pode dar pelo seu Povo, lutar pela Liberdade do mesmo.
Rui Monteiro (Publicado em "Causa Monárquica")

Fontes : Wikipédia, D. Maria Adelaide de Bragança – A Infanta Rebelde de Raquel Ochoa

O ELOGIO FÚNEBRE

Foi apenas quem conduziu o país à bancarrota e ao maior desprestígio internacional, que é "o que fica" para a História

No tom laudatório que é da praxe nos elogios fúnebres, o ideólogo de serviço do defunto Governo e do seu primeiro, veio à praça pública defender os méritos daquela governação, agora valentemente repudiada pelo povo, em expressivas eleições legislativas.
 
Embora mereçam a minha simpatia os que defendem, ao jeito do Robin dos Bosques, os desgraçados, e reconheça que é de uma rara nobreza elogiar os vencidos, confesso que não pude deixar de sorrir ao ler o obituário, não obstante o seu tom pesaroso. Aliás, já me divertira com o encenado drama da comunicação pós-eleitoral do derrotado chefe do Governo, que mais me pareceu uma medíocre comédia. A grandiloquente peça de oratória do demissionário primeiro-ministro, decerto mais preocupado com a sua própria imagem pessoal do que com o interesse da população, que certamente dispensava uma tão extensa alegação de auto-exaltação, era caricata, se não fosse tão verdadeiramente expressiva do que foi o seu desgoverno.
 
Embora respeitável a opinião do cronista, parece que o seu panegírico do infeliz político agora apeado é, na realidade, uma crítica à vontade soberana do povo, cujo veredicto é tanto mais censurável quanto louvável era o agora deposto governante. Na sua óptica, se o povo não peca por ignorante e injusto, peca pelo menos por ingénuo, por ter acreditado naqueles que triunfaram nas eleições e que, segundo o articulista, tinham ao seu dispor a comunicação social. São desculpas de mau perdedor que, talvez, relevem alguma saudade do "centralismo democrático" de outras eras. Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, mas nem sempre as mentalidades acompanham essas mudanças...
 
Tem de facto graça o estilo barroco do bacoco texto encomiástico, palpável na adjectivação magnânima do cadáver político do querido líder: a convicção reformista deste é "notável"; o progresso que introduziu na modernização e na simplificação administrativa é "impressionante"; as suas reformas foram "profundas", como "profundo" é o seu espírito de modernização (outra vez, à falta de melhor...). Quem, sem o conhecer, lesse a citada nota necrológica poderia pensar que o país lhe deve o caminho marítimo para a Índia, a descoberta do Brasil, o Mosteiro da Batalha, Os Lusíadas, as pontes sobre o Tejo e o Douro ou qualquer outro feito histórico. Na realidade, foi apenas quem conduziu o país à bancarrota e ao maior desprestígio internacional, que é "o que fica" para a História de Portugal, já que na mundial não terá qualquer cabimento. Não é fácil ganhar eleições, mas é muito mais difícil saber perdê-las com a dignidade que só a humildade e a veracidade conferem.
 
Mas é certeiro o articulista, quando afirma que "a despenalização do aborto, a agilização do divórcio e a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo ficarão a marcar" o consulado agora findo. De facto, foi contra a vida e a família que mais se destacou o Governo demissionário, que em poucos anos conseguiu a proeza de lograr um extraordinário retrocesso civilizacional, tanto mais questionável quanto realizado por pressão de grupelhos sem representatividade nacional e à revelia da vontade popular, porque até mesmo o resultado do referendo sobre o aborto não foi vinculativo, nem expressivo de uma inequívoca determinação nesse sentido.
 
Se foram de facto, como o dito jurista pretende, reformas de carácter civilizacional, que legitimidade tinha o anterior poder para as realizar, sem um mandato explícito dos eleitores?! Não é verdade que, para uma reforma constitucional, que é de menor importância do que uma mudança civilizacional, se exige uma maioria qualificada? Será portanto necessário que a nova maioria reveja essas reformas que, ao contrário do que se pretende, não são indeléveis - alguns estados dos EUA revogaram, depois de consulta popular, a autorização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo - e oportunamente as corrija, para que a sociedade portuguesa recupere alguma da liberdade e da decência perdidas.
 
"Em Portugal, onde por via de regra as modas chegam quando lá fora já deixaram de o ser, ainda não veio ninguém a público - que eu saiba - defender a impunidade absoluta ou relativa do aborto [...] e nisso tem a intelectualidade portuguesa dado uma prova exuberante do seu fino quilate", escreveu, em 1935, o dr. Alfredo Ary dos Santos, em O Crime de Aborto. Hoje, a ufania desse advogado e publicista já não tem cabimento, porque o provincianismo de alguns levou a trazer cá para dentro tudo o que de pior se faz lá fora. Mas, como então escreveu aquele precursor da defesa do direito à vida no nosso país, "temos pois - sincera e gostosamente o dizemos - que seguir na retaguarda desse movimento e assim estar na vanguarda do progresso, visto que o progresso, em ciência moral e política, não é necessariamente tudo quanto seja novo, senão tudo quanto seja verdadeiro".

P. Gonçalo Portocarrero de Almada in Público (19-06-2011)

terça-feira, 28 de junho de 2011

FUNDAÇÃO D. MANUEL II, FOI DISTINGUIDA COMO MEMBRO HONORÁRIO DUMA ASSOCIAÇÃO LUSÓFONA

No dia 22 de Junho, no Palácio da Bolsa, na cidade do Porto, esteve o Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, para o lançamento da Associação - "CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO-EIXO ATLÂNTICO-SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE-PAÍSES DO GOLFO DA GUINÉ".
 
A Fundação Dom Manuel II, a que Sua Alteza Real, o Senhor Dom Duarte preside, foi distinguida como Membro Honorário da Associação. Sua Alteza Real, não podia estar presente e fez-se representar.
 

PORTUGAL E O POVO

I - Quando houve uma directa participação do Povo, as coisas correram sempre razoavelmente bem para Portugal:
 
1120-1143 --» D. Afonso Henriques e os portugueses contra as tropas feudais de D. Teresa e de seu amante o nobre galego Fernão Peres de Trava;
 
1383-1385 --» D. João o Mestre de Avis, com o Povo e a baixa nobreza conseguem a nossa independência contra a maior parte da alta nobreza portuguesa, aliada a João de Castela.
 
1640 --» D. João, os Conjurados e o Povo unidos contra os espanhóis e a alta nobreza portuguesa posicionada pelo lado de Filipe III.
 
1828 --» A aclamação de D. Miguel I pelo povo (por ter sido aclamado em Cortes, no respeito da Tradição legal portuguesa);
 
1846 --» A Maria da Fonte, enquanto único movimento genuinamente promovido pelo povo até hoje, tendo sido, para muitos, o último fulgor de apoio a D. Miguel I.
 
II - Quando não houve uma directa participação do Povo, as coisas correram sempre razoavelmente mal para Portugal:
 
1834 --» Vitória de D. Pedro (IV) sobre seu irmão D. Miguel I;
 
5/10/1910 --» Por via da força foi implantado o actual regime, sem ouvir o povo num sistema democrático, regime este imposto por via uni partidária, com uma expressão nas urnas cifrada em cerca de 7%;
 
28/5/1926 --» Início da Ditadura Militar e do Estado Novo;
 
25/4/1974 a 24/11/1975 --» Tentativa de imposição de um novo regime ditatorial, agora na posição oposta…na esquerda.
 
PPA
 

ESTA É A NOSSA BANDEIRA!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

MAIS UMA VERGONHA NACIONAL!


Foi decidida a remoção de Camilo Castelo Branco do programa do Ensino Secundário. Obrigados a uma novilíngua e a um obrigatório facilitismo para adequar a estatística aos comparsas da U.E., aproveitam para suprimir Camilo. Politicamente, trata-se de um ajuste de contas, um daqueles desaparecimentos da foto e bem ao estilo da gente que se sabe.
 
Num país que hoje conta com uma "presidenta" (sic) do Parlamento e onde Sampaio dizia "véstoria", Soares "hadem" e "Húngria", compreendemos o incómodo.
 
Esta gente perdeu qualquer tipo de pudor. Esperemos agora uma adequada resposta de Nuno Crato, doa a quem doer.

Nuno Castelo-Branco

PORTUGAL É ISTO!

A MAIS BELA DE TODAS AS OUTRAS!

Já tinha ouvido o Senhor Duque de Bragança, na 1.ª pessoa, falar acerca desta bandeira. Apenas esta semana vi-a pela 1.ª vez. É absolutamente magnifica!

«A Bandeira da Autonomia, pela primeira vez hasteada por José Maria Raposo de Amaral, em Novembro de 1876, na casa do Monte, Ginetes.

In Ferreira, Manuel, A simbologia do Açor, Ponta Delgada 1997»


126º ANIVERSÁRIO DA VIOLONCELISTA PORTUGUESA GUILHERMINA SUGGIA, UMA GRANDE ARTISTA MUNDIAL APOIADA PELA CASA REAL PORTUGUESA

Guilhermina Augusta Xavier de Medim Suggia nasceu em 27 de Junho de 1885, na freguesia de S. Nicolau, no Porto e morreu na noite de 30 de Julho de 1950, na sua casa da Rua da Alegria, 665, também no Porto.

Suggia revela uma tendência prematura para a música e tem como primeiro professor de violoncelo o pai, Augusto Suggia, que reconhece na filha o seu imenso talento musical.

Guilhermina Suggia toma a corajosa decisão de ser violoncelista profissional, sendo a primeira mulher a fazer carreira a solo e a atingir tão grande êxito nessa profissão.

Existem outras mulheres, anteriores a Suggia ou da sua geração que, não podendo comparar-se-lhe em génio musical e consagração, seria injusto esquecer. Lisa Cristiani (1827-1853), parisiense, foi uma das primeiras violoncelistas de que se tem conhecimento; apesar de se reconhecer talento a Cristiani, diz-se que tinha um som pequeno. Gabrielle Plateau (1855-1875), belga, de quem se sabe muito pouco, é considerada possuidora de uma técnica brilhante, mas também sem um som poderoso. De Beatrice Eveline (nasceu em 1877, desconhece-se a data da sua morte), inglesa, sabe-se que fez tournées na Europa como solista. É, no entanto, May Mukle (1880-1963) que é considerada a pioneira das mulheres violoncelistas em Inglaterra e a primeira a conquistar o estatuto de concertista. Beatrice Harrison (1892-1965), filha de ingleses, nasce no Noroeste da Índia. Fez o seu début com 15 anos, foi a primeira mulher violoncelista a tocar no Carnegie Hall e a primeira a ser convidada como solista pelas Orquestras Sinfónicas de Boston e de Chicago.

Na geração imediatamente a seguir a Guilhermina Suggia há a destacar Thelma Reiss (Plymouth, Inglaterra,1906) e Raya Garbousova (Tiflis, Rússia, 1909). Ambas tiveram lições com Suggia. Violoncelistas como Antonia Butler (Londres, 1909) ou Florence Hooton (Scarborough, 1912) têm de ser consideradas, fundamentalmente, como professoras. Zara Nelsova (Winnipeg, Canadá, 1918) marca o início de uma geração de mulheres violoncelistas que já não estudam directamente com Suggia, mas que continuam a reconhecê-la como referência ímpar. Nelsova toca em 1950, no primeiro concerto que se realiza em memória de Guilhermina Suggia, com a Orquestra Sinfónica de Londres, dirigida por Sir Malcolm Sargent, na Royal Academy of Music. Uma outra mulher com um som belíssimo, ligada ainda ao nome de Suggia, é a brilhante e efémera Jacqueline Du Pré (Oxford, 1945-1987) que ganha, com 10 anos, o Prémio Suggia, o qual lhe permite estudar com William Pleeth na Guildhall School of Music.
Guilhermina Suggia era uma mulher muito culta, uma mulher de muitas experiências, uma conquistadora nata, tinha uma lógica própria e relacionava-se com o mundo a partir dessa lógica. Falar do seu temperamento implica falar de música, porque a vida de Suggia é acompanhada sempre de música e do violoncelo. Apesar do seu talento para o violoncelo, estudava muitíssimo, motivada por um ideal de perfeição estilística e musical. Para Suggia, o violoncelo é o mais extraordinário de todos os instrumentos, considerando-o ela o único que tem a possibilidade de suster um baixo por um longo período e a possibilidade de cantar uma melodia praticamente em qualquer registo. Porém, para que se revele a substância musical do violoncelo, é preciso que a técnica não seja estudada apenas como destreza, mas que tenda sempre para a música. “A técnica é necessária como veículo de expressão e quanto mais perfeita a técnica, mais livre fica a mente para interpretar as ideias que animaram o compositor”. [Guilhermina Suggia, “The Violoncello” in Music and Letters, nº 2, vol. I, Londres, Abril de 1920, 106].

Suggia dedica uma atenção muito subtil aos pormenores. Em Londres, quando mora num segundo andar, tem uma vizinha que se queixa que, num dos apartamentos do andar de cima, Suggia, para além de dar aulas de violoncelo, toca continuamente. Acrescenta ainda, com humor amargo, que Suggia se mudou para lá no Outono de 1922 e que até então, 1924, não deixou de tocar. Suggia fixa-se em Londres a partir de 1914 e só regressa definitivamente a Portugal nos anos 30.

A formação de Suggia, depois do que aprendeu com o pai e que foi de muita qualidade e da experiência adquirida no Quarteto Moreira de Sá, é aperfeiçoada na escola alemã de violoncelo, que nos finais do século XIX e princípios do XX é a mais conceituada. Suggia parte para Leipzig em 1901 com uma bolsa de estudo concedida pela Rainha D. Amélia para estudar no Conservatório de Leipzig – conhecido pela exigência de ensino e pela exigência na selecção de alunos – com o professor Julius Klengel (1859-1933).

Sobre a sua discípula, informa Klengel num certificado, datado de 19 de Junho de 1902, que “sem dúvida não tem havido uma violoncelista com o mérito da artista de que me ocupo, que também não tem nada a recear no confronto com os seus colegas do sexo masculino. Mlle. Suggia, possuindo alta inteligência musical e um completo conhecimento da técnica, tem o direito de ser considerada, no mundo artístico, como uma celebridade”.

Klengel profetiza que Guilhermina “cheia de talento, conhecedora de todos os segredos do violoncelo, começa a subir e há-de ir tão alto que ninguém a atingirá”.

A profecia de Klengel realizou-se logo a seguir ao período de Leipzig, com Suggia a tocar com o maior sucesso nas mais prestigiadas salas de concerto europeias. Suggia, que sempre elogiou o professor Klengel e os seus extraordinários ensinamentos, destaca também a influência de Pablo Casals (1876-1973).

Em 1906 Suggia está em Paris, toca nessa altura para Casals e ainda durante esse ano começa a partilhar com ele a mesma casa, a Villa Molitor. O primeiro encontro com Pablo Casals foi no Verão de 1898, em Espinho. Casals tinha sido contratado pelo Casino de Espinho para tocar durante o estio, nas noites do Casino. Eram sete músicos, mas uma vez por semana Pablo Casals tocava a solo e dele se dizia que “transformava um café numa sala de concertos e esta num templo”. O pai de Guilhermina, atraído pela fama do violoncelista, pede-lhe para ouvir a filha (com 13 anos) e Casals, entusiasmado com o som dela, aceita dar-lhe lições. Guilhermina passa o Verão a viajar em lentos comboios, entre o Porto e Espinho, carregada com o violoncelo, enquanto Casals ali trabalha. Encontram-se outra vez em Leipzig, durante as visitas do catalão ao professor Julius Klengel.

Com Suggia e Casals a viver juntos em Paris na Villa Molitor, está reunido o casal mais famoso e talentoso de violoncelistas. A casa situava-se na zona de Auteuil e estava alugada a Casals desde Janeiro de 1905. A Villa Molitor faz parte de um bairro de 25 casas. Casals alugou o nº 20 por ter um pequeno jardim e ficar no fim da rua. A casa tem três pequenos andares: a cozinha no rés-do-chão, a sala de jantar e a sala de visitas no 1º andar, dois quartos e a casa de banho no andar de cima. No fim da Primavera ou princípio do Verão, quando acabava a temporada de concertos e os músicos regressavam das suas tournées, encontravam-se todos na Villa Molitor e daí resultavam extraordinários serões musicais. Lembrou Casals mais tarde que tocavam juntos “pelo puro amor de tocar, sem pensar em programas de concerto ou horários, em empresários, bilheteiras, audiências, críticos de música. Apenas nós e a música”. Desse círculo de amigos faziam parte, entre outros, os pintores Degas e Eugène Carrière, o filósofo Henri Bergson, o escritor Romain Rolland, os músicos Ysaÿe, Thibaud, Cortot, Bauer e compositores como d’Indy, Enesco, Ravel, Schönberg, Saint-Saëns.

Durante o período de coabitação parisiense, encontram-se na revista Le Monde Musical muitas referências entusiásticas às interpretações de ambos.

O ano de 1913 é devastador para a relação Suggia-Casals. O violoncelista pretende sepultar no mais profundo esquecimento aquele pedaço de vida a que ele se referiu como o “episódio mais cruelmente infeliz da minha vida”. Suggia, quando mais tarde se referir a Casals, será na qualidade de violoncelista e nunca no plano amoroso.

O quadro que Augustus John pintou de Guilhermina Suggia em 1923 traz para a matéria a têmpera de Suggia quando toca em público. Durante as sessões no atelier do pintor, Suggia tocava Bach. Essa imagem que o artista tão irresistivelmente captou é um legado para a posteridade sobre a atitude interpretativa de Suggia. No palco incarna a figura da prima-dona que domina a música. Quando entra é uma aparição imponente e desde esse momento começa a magnetização do público ao unir a técnica e a compreensão absoluta da obra. É comum ler-se nas críticas que os aplausos são estrondosos, ressoando nas salas com assistências enfeitiçadas. Suggia, mais do que aplaudida, é aclamada.

Suggia provoca, em geral, sentimentos extremos porque ela própria é de uma impenetrabilidade de aço ou de uma generosidade sem par. Pode ser efusiva, rir alto, ser extravagante, mas também recolher-se até à nostalgia, ser silenciosa e austera.

No Porto, dizem que é uma inglesa excêntrica, que gosta de usar palavras estrangeiras na conversação, afastando-se ostensivamente quando alguém espirra. Tem um sentido de humor britânico que exercita nos circuitos sociais. Ao contrário das senhoras portuenses, Guilhermina Suggia joga ténis, pratica remo e natação. Muitas vezes é ela que conduz o seu Renault preto. Se vai para a casa de Leça da Palmeira, dispensa o motorista. Em Leça da Palmeira alugou uma casa para estudar. Leva um dos cães consigo, Mona ou Sandy e o violoncelo.

Durante a Guerra, Suggia permanece mais por Portugal, e no Porto solicitam a sua participação em concertos de angariação de fundos humanitários. No final dos anos 40, o encontro de Suggia com Maria Adelaide de Freitas Gonçalves, directora do Conservatório de Música do Porto, tem consequências para a vida musical da cidade: a formação da Orquestra Sinfónica do Conservatório, integrando alunos finalistas dessa escola, a que a directora chamava carinhosamente o “viveiro”. Suggia apoiou o naipe de violoncelos e foi solista no concerto de apresentação da Orquestra, na noite de 21 de Junho de 1948, no Teatro Rivoli. Tocou o Concerto de Saint-Saëns e Kol Nidrei de Max Bruch. Dos seus alunos – Pilar Torres, Madalena Moreira de Sá e Costa, Isabel Millet, Maria Beires, Maria Alice Ferreira, Celso de Carvalho, Filipe Loriente, Carlos de Figueiredo, Amaryllis Fleming, Audrey Rainier, Jean Marcel – tinha uma intuição muito lúcida quanto ao papel que desempenhariam na música enquanto violoncelistas. É preciso suportar os bastidores e saber que “para tocar queimamos os nossos nervos”, dizia aos seus discípulos, que nunca aceitou em grande número.

Em 1949, Suggia com sinais visíveis de doença, tem a corajosa iniciativa de criar o Trio do Porto, constituído por ela, pelo violinista Henri Mouton e pelo violetista François Broos. É neste período dos anos 40 que Suggia reforça os laços musicais com compositores e intérpretes portugueses, tocando no Porto, em Lisboa, Aveiro, Viana do Castelo, Braga, Viseu... muitas vezes a convite do Círculo de Cultura Musical dessas cidades. Em 31 de Maio de 1950 toca pela última vez em público, num recital no Teatro Aveirense, para os sócios do Círculo de Cultura Musical de Aveiro, acompanhada ao piano por Maria Adelaide de Freitas Gonçalves. Foi o seu último êxito. Regressa ao Porto conduzida pelo motorista, com o carro cheio de flores. A viagem à América, tão desejada e já programada, não se realizará.

Visando distinguir o melhor aluno do Curso Superior de Violoncelo do Conservatório de Música do Porto é instituído por vontade testamentária da violoncelista o Prémio Guilhermina Suggia, atribuído pela primeira vez em 1953.

Igualmente em cumprimento de disposição testamentária é instituído a partir de 1951 o Prémio Guilhermina Suggia a atribuir pela Royal Academy of Music de Londres com o principal objectivo de incentivar os violoncelistas com perfil de intérpretes a solo a dedicarem-se a um período especial de pós-graduação.

Guilhermina Suggia tinha vários violoncelos. Entre eles destacam-se os famosos Stradivarius (Cremona, 1717) e Montagnana (Cremona, supostamente em 1700; na etiqueta o terceiro algarismo não está completamente legível, embora se assemelhe a um zero). Suggia fez poucas gravações. Para além das gravações existentes em 78 rotações, está actualmente disponível no mercado o CD Guilhermina Suggia plays Haydn, Bruch, Lalo, na etiqueta Dutton (CDBP9748), U.K., 2004.

Reportório
Suggia tocava todos os importantes concertos da época para violoncelo e orquestra – os concertos de Haydn, Elgar, Saint-Saëns, Schumann, Eugène d’Albert, Dvořak.

Uma vez que Suggia fez infelizmente poucas gravações, uma das possibilidades para poder imaginar o som dela é a leitura de variadas críticas, por exemplo à mesma peça, interpretada em anos diferentes. A selecção que apresento é muito restrita e tem de ser percebida como um exercício que deixa de fora muitíssimas outras críticas que, no entanto, participam da mesma atmosfera apreciativa. O critério utilizado nesta brevíssima selecção foi o de procurar referências que pudessem sugerir a natureza do som de Suggia e a particularidade da interpretação em diferentes momentos da sua carreira.


Concerto de Dvořak
Liverpool Post, 17 de Novembro de 1926:
“Mme. Suggia, que tocou no Concerto da Filarmónica na noite passada, tem sempre a certeza de uma audiência entusiástica. Seja qual for o significado do termo, ela aparece como uma das artistas mais temperamentais do mundo dos concertos. A noite passada apresentou-se absolutamente no melhor da sua forma, tocando o Concerto de Dvořak com beleza extraordinária de estilo. O seu triunfo junto da audiência foi completo”.
Manchester City News, 19 de Novembro de 1926:
“A beleza de execução de Mme. Guilhermina Suggia poderia transformar em algo atraente a mais árida das melodias: quando a sua arte é utilizada em peça tão bela como o Concerto para Violoncelo de Dvořak, o efeito é supremamente inebriante. Nada mais perfeito no género foi ouvido, quanto a nós, em nenhum concerto Hallé, nos últimos anos, do que a interpretação que Mme. Suggia deu do andamento de abertura e do “adagio” deste concerto para violoncelo no programa de 5ª feira”.
The Times, 25 de Março de 1931:
“Grande é Suggia e o seu violoncelo. Suggia, artista incomparável, inimitável mulher-espectáculo. Suggia tomou o violoncelo nos seus braços num poderoso gesto. Ele tornou-se parte dela. Uma viragem da sua cabeça na direcção do maestro e lá vamos nós. O violoncelo responde a todas as suas carícias. Ele acompanha-a à medida que ela oscila de um lado para outro. Ela inclina-se ligeiramente para trás e recupera forças como a prima donna na ópera e exterioriza as mais graves notas com uma profundidade de sentimento harmoniosa, a qual vem directamente do tom de toda a orquestra. (...) Agora ela está a ter e a dar inspiração ao maestro. Olha para ele através do seu instrumento, com admiração e alegria. (...) Nós vemos os executantes de cello na orquestra inclinados para a frente com as cabeças curvadas e expressões tensas, perdidos na admiração desta grande mestre do seu ofício. Acabando num acesso de glória ela retira-se do palco. A audiência reclamou-a outra vez e outra vez”.
Musical Opinion, Maio de 1931:
“Diz-se que a interpretação de Suggia do Concerto de Dvořak foi uma visão de rara beleza. Jamais ouvimos o fascinante segundo tema do primeiro andamento tocado com tal sentimento, de acordo com as suas qualidades românticas e ao mesmo tempo com tal recato. Nunca se sabe antecipadamente que particular momento de uma peça receberá o toque inesperado da temperamental Suggia”.

Concerto de Schumann
Sunday Times, 8 de Fevereiro de 1920:
“É quase impossível encontrar algo de novo a dizer sobre a arte de Madame Suggia, mas todas as suas aparições são um fresco deleite. A sua leitura do Concerto para Violoncelo de Schumann foi absolutamente subjugadora, não tanto pela perfeição do fraseado e beleza do tom, como pela impressão que se sentiu de que Mme. Suggia estava absolutamente vivendo na música”.
The Daily Mail, 27 de Outubro de 1922:
“Suggia é soberbamente temperamental, sendo sempre ela que dirige o seu temperamento, sem nunca ser dirigida por ele. No Concerto de Schumann anima com o fogo da sua personalidade o que de outro modo ficaria morto; com a esplêndida largueza de arco e a vivacidade do seu som, Suggia dá alento e brilho à peça”.

Concerto de Haydn
Musical Opinion, Outubro de 1930:
“O mais marcante momento do programa foi a interpretação soberba de Madame Suggia do Concerto em Ré M para Violoncelo e Orquestra de Haydn. Não tinha ouvido tocar assim violoncelo desde que ouvi a última vez Casals; perfeição é a única palavra para isto, dizer mais alguma coisa seria supérfluo”.
The Times, Janeiro de 1935:
“O Concerto em Ré para Violoncelo e Orquestra de Haydn raramente soou tão belo como nesta ocasião, tocado como foi pelo magnífico virtuosismo e, ao mesmo tempo, pela mais íntima simbiose por Madame Suggia, a ligação entre solo e orquestra foi perfeita”.

Concerto de Saint-Saëns
Musical Opinion, 9 de Março de 1917:
“A actuação de Mlle. Suggia revelou toda a grandeza. Ela executou Saint-Saëns não da maneira alemã, mas sim da francesa, mostrando todas as suas boas qualidades, toda a sua amabilidade, a sua cortesia, a sua agudeza de espírito e o requinte de execução no qual estas graças vivem sem sobrecarregar a música com sentimentos tensos. As Variações de Böllmann possuem mais exuberância de expressão e de estilo e nestas Mme. Suggia colocou em realce uma energia apropriada, dando mesmo o toque do estilo satânico ao qual conduz a originalidade da música”.
Daily Telegraph, 23 de Outubro de 1930:
“Mme. Suggia executou a sua parte do Concerto como se toda a literatura da música para violoncelo nunca tivesse sustentado nada tão divino. Ela parecia, igualmente, inspirar a orquestra (Orquestra Sinfónica da BBC, dirigida por Sir Adrian Boult) com o mesmo sentimento”.
Musical Opinion, Março de 1936:
“Não houve efeitos, nem distorsões rítmicas, nem ênfases exagerados de qualquer espécie: houve uma absoluta precisão técnica, uma constante perfeição da entoação e toda a peça foi envolvida com luminosidade e frescura”.

Concerto de Lalo
Seara Nova, 5 de Junho de 1943:
“S. Carlos – 4º Concerto da Orquestra Sinfónica Nacional
Suggia é uma grande e extraordinária artista: isto vale dizer tudo. A sua interpretação do Concerto de Lalo foi de uma qualidade de estilo única, de uma eloquência generosa, no 1º andamento, de uma qualidade de som encantadora no 2º e de uma graça e vivacidade insuperáveis no último. Sempre perfeita, sempre elegante, sempre de uma sedução sem par, Suggia deu-nos ainda o Kol Nidrei de Max Bruch, o Allegro Apassionato de Saint-Saëns, a Peça em Forma de Habanera de Ravel e a Dança do Fogo do Amor Brujo de Falla. Extra programa e correspondendo ao entusiasmo do público, executou a ilustre violoncelista o Zapateado de Sarasate e uma Suite para Violoncelo Solo de Bach, onde subiu às culminâncias da grande arte”.

Concerto de Elgar
República, 16 de Fevereiro de 1946:
“(...) a colossal artista emocionou e encantou a assistência, que lhe fez justamente uma verdadeira apoteose. Tocou o Concerto em Mi menor de Elgar com a sua arcada que arrebata, com o brio e a expressão que só ela possui e ouvido em religioso silêncio, teve aplausos intermináveis, tendo de repetir o último andamento...”.

Suites para Violoncelo Solo de Bach
Arts Gazette, 29 de Novembro de 1919:
“Para mim ela foi sempre uma violoncelista incomparável, mas o que nos deu em Boccherini, em Huré e especialmente em Bach, foi a execução duma grande artista. A sensualidade do seu tom passou a uma sobriedade de paixão serena. O modo como toca é não só de uma beleza sem falhas, como tem o auto-domínio sem o qual nenhuma arte pode viver. A precisão dos contornos e ritmos em Bach, o charme delicado em Boccherini, o sonho em Hauré – nada mais perfeito poderia imaginar-se”.
Sunday Times, 12 de Novembro de 1924:
“Ela alcança provavelmente o seu melhor nas Suites de Bach, onde nenhum conjunto de sons orquestrais ou de piano vêm escurecer a insuperável beleza do seu tom. Tem-se dito acerca dela que consegue fazer vibrar a sua audiência através da mera execução de uma vulgar escala, o que dificilmente constitui um exagero”.
Glasgow Evening Standard, 22 de Outubro de 1926:
“Tudo o que possa ser dito acerca de Mme. Suggia já foi provavelmente dito muitas vezes. É assim quase suficiente afirmar que Mme. Suggia estava na sua melhor forma. Admirava-se a um tempo, o fraseamento, o tom delicado e calmo e a articulação quase humana do instrumento. Foi, contudo, talvez no seu Bach a solo que a sua musicalidade atingiu o mais alto nível. Em suma, Mme. Suggia obrigou-nos uma vez mais a tomar consciência de tudo o que o seu nome significa no mundo da música”.
Oxford Mail, 5 de Dezembro de 1930:
“Uma actuação magistral. A violoncelista deu-nos uma interpretação particularmente notável das duas danças e da giga [da Suite nº 4 em mi bemol maior]”.

Bibliografia:
CLÁUDIO, Mário, Guilhermina, INCM, Lisboa, 1986.
POMBO, Fátima, Guilhermina Suggia ou o Violoncelo Luxuriante, edição português / inglês, Fundação Eng.º António de Almeida, Porto, 1993.
POMBO, Fátima, A Sonata de Sempre, Edições Afrontamento, Porto, 1996.

(Fonte: Instituto Camões)

domingo, 26 de junho de 2011

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DO ELMO DE DOM SEBASTIÃO

A REUNIÃO DE APRESENTAÇÃO DO ELMO DE D. SEBASTIÃO terá lugar no DOMINGO, dia 7 de Agosto, pelas 16 horas, na QUINTA WIMMER (Estrada Nacional 117, ao km 10), em BELAS.
São convidadas todas as pessoas que sentem AMOR POR PORTUGAL e curiosidade de saber acerca do REGRESSO DO ELMO DE ALCÁCER-QUIBIR.
Haverá uma exposição, com cerca de 25 vitrinas contendo centenas de objectos ligados à temática de D. SEBASTIÃO, para nos aproximar mais da época do DESEJADO.
Os três palestrantes serão:
1º O Embaixador Professor Doutor Jorge Preto, que nos falará sobre D. Sebastião e o mito lusíada que ele inspirou.
2º Rainer Daehnhardt, cuja temática será o regresso do elmo e o que as "feridas" nos contam.
3º O Ten. Cor. pilav. João José Brandão Ferreira, que nos falará sobre a importância do reaparecimento do Elmo de D. Sebastião na nossa geração.
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Pede-se aos membros diplomados do Núcleo dos Amigos do Elmo, que venham duas horas mais cedo (pelas 14 horas), para que, individualmente, possam ter o ELMO DE D. SEBASTIÃO, por um instante, nas suas próprias mãos.
A partir das 15 horas, voltará à sua vitrina (montada então no Pavilhão Indo-Português), onde poderá ser visto por todos, a partir das 16 horas.

Saudações sebastianistas,
Rainer Daehnhardt

CRISE - MONARQUIA vs REPÚBLICA


Quando José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, chegou a chefe do Governo em 1892, encontrou um país de “tanga”, por força de elevados investimentos ferroviários e em estradas e portos. A dívida pública representava 81% do PIB e o défice orçamental era de 2%.

Juntamente com o Ministro da Fazenda – Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas – tomou medidas drásticas: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado, paragem das grandes obras, saída do padrão-ouro e desvalorização cambial.

Durante dez anos, não foi possível recorrer a empréstimos no estrangeiro, dada a situação de bancarrota verificada.

O desenvolvimento das infra-estruturas no “fontismo” baseou-se num modelo que se pode considerar como a génese das parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.

Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% (!) da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos (nada de novo, portanto).

Se calhar foi por isso que, mais tarde, o mataram.

Não se pode consentir que alguém dê, num país onde é costume tirar…
o melhor, se calhar, é ter cuidado…


 Publicado por Rui Paiva Monteiro em "Causa Monárquica"

ABASTARDADOS

Um dos tiques dos empossados é avisar o povo das dificuldades que aí vem. Também falam da esperança, da esperança que devemos ter "neles". Avisa o primeiro dos ministros, avisa o Presidente da república. Todos avisam porque demonstrar é coisa diferente. Sempre a cantilena da "protecção" das figuras do estado... e é por essa suposta "protecção" que nos encontramos, agora, de mão estendida...
Esta república, centenária, viveu sempre bem a extorquir, a fingir e a propalar a sacra divisão por todos, a sacra indistinção entre pares, a distribuir a liberdade equitativamente, segundo a "tabela" das constituições. Contudo, o que a história nos prova é que este regime tem sido em tudo contrário à sua doutrina: a república não é o mar da Liberdade nem tão pouco a "inventou"; não é a "paz entre os homens"; não é a fonte da riqueza bem distribuída por todos; não é o fim das "regalias" e privilégios! Não, a República é sim tudo aquilo que critica ver de mal na Monarquia, seja ela do ideário medieval ou nas realezas modernas, porque se não fosse não permitiria certos devaneios governativos no seu território. Se o regime se alicerça no compadrio o que poderemos esperar da assembleia governativa? Que governe para fazer cair o regime? Não. A assembleia não governa para fazer cair a mais pequena cadeira, governa para que o regime – de tantas coisas – se mantenha. Dito isto, o regime republicano não tem uma única figura ou organismo que possa ser Imparcial perante todos independentemente de nem todos se reverem nessa figura. Somos um país abastardado. Se é que ainda somos um país.

PORTUGAL SEMPRE! PORTUGAL ACIMA DE TUDO! VIVA O REI! VIVA PORTUGAL!

sábado, 25 de junho de 2011

DIA "HISTÓRICO", DIZEM ELES


Num país que perdeu a memória, tudo é considerado histórico, desde três golos marcados fora de portas, até a uma subida de divisão, a chegada de Mourinho para banhos no Algarve, uma Páscoa sem mortes na estrada, ou um pepino do Entroncamento. Hoje foi a vez do Parlamento, completamente derretido e em delíquios pela eleição da "primeira mulher a desempenhar um cargo máximo do Estado".

Como se fosse verdade!

Sabemos que a Senhora Assunção Esteves não terá a tarefa facilitada, dada a actual conjuntura que o país vive, mas daí a saltar-se sobre a memória da verdadeira História, vai um tanto. Tivemos duas mulheres Chefes do Estado e outras que estiveram para sê-lo, embora os acasos da vida o tivessem impedido pelo seu desaparecimento antes do tempo ou pela sua passagem para segundo plano. Tivemos uma Catarina de Áustria, conscienciosa e infatigável trabalhadora que com abnegação foi Regente. A espanhola Luísa de Gusmão, foi naquelas horas de desastre esperado do regresso da opressão estrangeira, o baluarte de firmeza que ao comando da Regência, administrou um país falido e atacado na Europa e no Ultramar. Regentes foram outras mulheres, como Catarina de Bragança, Isabel Maria de Bragança e as Rainhas Maria Pia de Sabóia e Amélia de Orleães, entre outras. Em qualquer um dos mencionados casos, com responsabilidades infinitamente superiores àquelas que Assunção Esteves enfrenta e no entanto, todas desempenharam a sua obrigação com o sucesso que a História reconheceu.

Assunção Esteves não enfrenta qualquer invasão militar estrangeira e não tem de se preocupar com o império que nos tempos de Catarina de Áustria, ia de Caminha a Macau. É claro que a Presidente do parlamento terá umas tantas dores de cabeça com a lida das tricas inter-partidárias - e uns tantos namoricos entre deputados(as) e deputadas (os) -, mas enfim, há que não exagerar. Pelos vistos, os nossos representantes não medem as proporções e dedicam-se à auto-complacência, cumprindo a sua tradição.
Não tendo a noção do ridículo, o Parlamento está desvanecido porque é dirigido por uma "das suas", seja lá isso o que for.

É de facto,um dia estórico.

Nuno Castelo-Branco

AS ORIGENS DE PORTUGAL

SER MONÁRQUICO SEM RÓTULOS

Se existe tal coisa como o perfil “clássico” e “correcto” de um monárquico, eu falho em todos os requisitos possíveis. Não sou exactamente uma imagem de Portugalidade (com algum sangue marrano e quase de certeza cigano pelo lado do meu pai [mas por aí podemos desmontar a ideia de Português mesmo, tendo em conta que não existe um grupo étnico Português, mas um grupo étno-cultural e linguístico, que tende a ser branco indo-europeu, alguns com elementos semitas e camitas], além de uma passagem nas décadas de 1830 e 1840 de um antepassado pelo Oeste e Sul dos EUA; e a família da minha mãe veio da Turquia Otomana para Marrocos nos anos de 1860 e daí para Portugal nos anos de 1880, sendo a família do meu avô materno Judia Turca de Esmirna-Izmir e a da minha avó materna cripto-Judia Portuguesa que se deslocara para a Turquia evadindo a Inquisição Portuguesa e acreditando que era chegado o Messias na dita Esmirna, e alguns desses antepassados Judeus casaram-se com mulheres Turcas étnicas, Irlandesas, Escocesas e Francesas e Espanholas, e por isso sou como Fernando Pessoa um «Nacionalista que se guia por este lema: “Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”»). Não sigo aquela que as leis da monarquia a partir da mesma década em que a família da minha mãe se instalou perto de Barcelos classificavam de “religião do Reino” (a Católica Apostólica Romana, obviamente) preferindo pensar em mim como um Judeu arquetípico anarquista espiritual (e simpatizo com o «nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana» e a criação «se possível for, um sebastianismo novo que a substitua espiritualmente» de Pessoa).

Não sou conservador (embora seja de certa forma, como o meu “trisavô espiritual” Fernando Pessoa, «Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário», me reveja na classificação de “Anarquista Tory [Conservador]” de Orwell, e como José Adelino Maltez reconheço-me um pouco como tradicionalista não conservador). Não sou fidalgo (tenho de um sangue plebeu suburbano com bastardia de nobreza que desde o meu trisavô ao meu avô paternos esteve ligado à função pública da câmara municipal e de plebeu rural que até a vida avançada dos meus avós maternos não tinha sequer terra própria e vivia na de outros). Não sou elitista (tenho umas inclinações algo populistas, salvo as conotações negativas do termo. OK, digamos popular-democratas. Anti-elitistas, pelo levantar do povo, pela sociedade civil e sector cooperativo e social como alternativa à força da função pública e empresas privadas), não sou ordeiramente tradicionalista e direitista conservador (tenho uma algo anarquista suspeita do Estado e de governos e governantes) e não sou classista pelas classes altas (sendo, tal como o meu avô paterno monárquico, uma “laranja avermelhada” popular, ou como, o já agora republicano, Miguel Torga disse: «Sentimentalmente (…) socialista, (…) mas no fundo (…) um anarquista»).

Uau. Falhei todos os strikes possíveis do perfil de caricatura feito pelos republicanos e por muitos dos próprios monárquicos que são isto e portanto querem impor isto como sendo “A Monarquia”. Ante isto, muita gente, até mesmo republicanos ferrenhos que concordam ou têm factos de background semelhantes aos meus ficariam pasmados, primeiro que eu pudesse NÃO SER dessa tão popular, social, libertadora, inserir tanga de propaganda etc. etc. teoria de regime republicana, e segundo que em vez de ser um agnóstico da questão de regime que pudesse ser convertido quiçá mais tarde sou ferrenhamente monárquico (prefiro o termo realista mas já lá vamos)? Heresia!

Deixem-me explicar a minha curta odisseia ideológica. Apesar de criado por um pai e avô “laranjas” (este último “laranja avermelhado” como já disse) e uma mãe de background “vermelho” mas de tendência de esquerda fora do PC que não punha de lado votos mesmo à direita, quando eu acordei politicamente eu era uma espécie de Comunista Titoísta com 13, aos 14 eu decidi ser um centrista moderado mas mantive-me inclinado em direcção a socialismo e marxismo, eu deixei qualquer ideologia clara (não que tivesse alguma vez lido um texto Titoísta assim eu era um pouco como um dogmático que não sabia o seu próprio catecismo) com 16 e tornei-me tão somente pela liberdade e respública social sem rótulos, mas nesta altura eu sabia pouco da política e ainda menos das suas filosofias para além do que aprendia da tv, conversas de família e livros de história. Foi só com 18 anos que eu realmente fiquei apanhado e começei a voltar às fontes (e não parei desde então). Foi depois de ir ter a Herzen com 18 que eu cortei para sempre com Marx e a minha política e filosofia são influenciadas pelo “não sacrificar pessoas sob o altar de construções mentais” de Herzen e de E. H. Carr.

Mas no geral sabia que estava em volta do centro, era moderadamente conservador em privado mas pelo “mexilhão” e reformista na sociedade-política e economia e libertário em costumes, mas que vinha a devorar gente que se dizia socialista mas era heterodoxa e não tinha nada que ver com o socialismo dos socialistas democráticos e social-democratas (como Aleksandr Herzen, Aleksandr Kerensky, George Orwell, Santiago Carrillo, Emídio Guerreiro, Enrico Berlinguer, Júlio Fogaça, etc., nem de propósito gente que inspirou gente ao meu centro e à direita também), e deixava-me formular por eles. E certamente hoje tenho muito menos inclinação para me desviar da direita e para me pensar de esquerda e quero mais puramente ser e estar ao centro.

Mas e a monarquia? Como um marrão de história que vinha com a ideia de uma bagagem histórica do tempo dos reis, de que tinham havido avanços e continuações estáveis não rivalizados pelas três ou quatro (eu gosto de contar o período pós-fim do Conselho da Revolução e do quasi-presidencialismo Eanista) repúblicas, a família do meu pai era de costela monárquica, principalmente o meu pai e o meu avô, que com as suas estórias me dava a ideia do nosso monarquismo familiar e das nossas admirações desses “gigantes” como os maiores dos nossos primeiros e últimos e reis, o Santo Condestável (que ele sempre me lembrava foi conde da nossa terra e tinha uma casa na parte velha da cidade), Mouzinho de Albuquerque, o Paiva Couceiro, e dos Duques de Bragança que foram também Condes de Barcelos e depois Reis de Portugal). O meu pai sempre viu D. Duarte como o seu Rei, o seu chefe de Estado independentemente das eleições em que votasse e dos candidatos de direita (ou de Bloco Central como em 1991). A minha mãe era de uma família republicana a resvalar o Jacobino, e a minha mãe pouco diferente, mas uma coisa que ajudou a formar mais o meu monarquismo foi o facto de, mesmo antes do corte com a Casa de Windsor e de ela ser tornada num meio do republicanismo Britânico vocalizar a sua causa e tentar forçar a reforma nesse sentido, ser uma das “devotas” de Santa Diana Princesa. Apesar de ela (Diana, não a minha mãe) ter pergaminhos de descendência de nobre (tendo em conta a história sexual da nobreza europeia isso não é nada, até eu plebeu de classe média/média-baixa que sou também tenho qualquer coisa disso) era de classe média-alta de facto, representou um certo “desempoeirar” de costumes, defendia no âmbito do velho “noblesse oblige” causas sociais e combate às injustiças sociais, uma aproximação de vivências com a população de que, tanto quanto sabia em 1981, seria rainha um dia, e até na morte, quando a pressão popular levou (e na minha opinião e da minha mãe bem) a Rainha Isabel II a ceder e dar um funeral de Estado a Diana. Tudo isso (e mais uma certa solidariedade feminina, e não esqueçamos a costela escoto-irlandesa) fazia com que nem a minha mãe republicana empedernida não conseguia resistir ao sangue novo dos Windsor. O “noblesse oblige” Dianista e a ideia de que alguém com uma coroa podia e devia ceder ante a sua vontade popular e que a representava formou a minha mentalidade de maneira que só mesmo ao momento que escrevo estas linhas entendo. Com esta família e esta experiência de uma das principais famílias reais democráticas mundiais fazendo parte mas estórias em directo da minha infância, que poderia ser eu senão um realista?

A minha anglofilia (e mesmo anglo-americanofilia) levou-me a atentar muito sobre o sistema político britânico, a sua história e a sua casa real. E descobre-se que em 1969 só 19% da população Britânica apoia a República, e hoje, mesmo depois que todos os problemas que deram uma nova fama de fábrica de escandaleira à Casa de Windsor, é pouco mais (os republicanos quase que tiveram de oportunistamente aproveitar-se do luto do dianismo para tentar atrair simpatia e ligeiro aumento!).

Ao contrário da ideia de que a monarquia representa um classismo elitista que entorpece acommonwealth social, sem cair a monarquia o National Health Service (Serviço Nacional de Saúde) e o Estado providência baseado no projecto do Liberal Beveridge e não só não impediram como até apadrinharam o consenso do pós-II Guerra e mesmo o consenso do pós-Thatcherismo, e veremos que outro consenso pós-primeiro Governo de Coligação não entre os partidos do Bipartidarismo (National Government) a rainha ajudará a dar à luz. A Suécia viu o mesmo e mais igualitarismo, feminismo e democracia social que muitas repúblicas podem só sonhar com, feita pelos Liberais, Centristas, Social-Democratas e mesmos Conservadores moderados, e tem uma democracia igualmente histórica e enraizada. As principais questões políticas do Reino Unido são decididas pelo parlamento, mesmo por referendo na sociedade civil, e não seriam avançadas pelo fim da monarquia constitucional. A monarquia Britânica é inútil então? E que dizer da presidência Portuguesa? A Rainha Isabel II várias vezes no seu longo magistrado (que mais que reinado é um magistrado moral) se opôs a decisões de Primeiros-Ministros que poderiam enfraquecer a União, mas não forçava os governos a retroceder, e ao contrário dos nossos presidentes eleitos depois de concorrerem graças a apoios partidários não precisa de temer ser acusada de não ser isenta (como o nosso Presidente Cavaco teve quanto à crise sobre o PEC IV por causa de temer ser acusado de favorecer o PSD ou toda a oposição ou de ceder ao PS), e a tentação do Primeiro-Ministro mandar o chefe de Estado dar uma volta ao bilhar grande é muito menor (estamos a falar do Rei-Terra, o símbolo feito gente de toda a história e de tudo o que vem com a nacionalidade!).

Assim chegamos à principal razão porque eu, esteta, místico e amante de simbologia e símbolos defendo a monarquia: nacionalismo e integração de simbologia nacional e da própria nação na chefia de um Estado democrático e moderno. Como o meu amado Orwell disse em «O Leão e o Unicórnio: Socialismo e o Génio Inglês»: «Uma pessoa não pode ver o mundo moderno como é a não ser que uma pessoa reconheça a força avassaladora do patriotismo, a lealdade nacional. Em certas circunstâncias pode quebrar-se, a certos níveis de civilização não existe, mas como uma força POSITIVA não há nada para colocar a seu lado. Cristianismo e Socialismo internacional são tão fracos como palha em comparação com ele. Hitler e Mussolini ergueram-se ao poder nos seus próprios países muito largamente porque eles podiam apanhar este facto e os seus oponentes não podiam.» Para mim, enquanto anti-nazi-fascista de sangue Judeu e com avós paternos que tinham apoiado a campanha de Humberto Delgado, o “Nunca mais” é vital para mim, e aqui Orwell toca sobre um ponto essencial: se o nacionalismo, ou no mínimo o patriotismo, for purgado e abolido, será propriedade de fanáticos, racistas, autoritários, totalitários. E a melhor ferramenta para isso é a ligação à tradição, história e todo o que a nação representado pela figura do monarca e toda a instituição.

Sim, mas e como conciliar isso como inclinações reformistas, libertárias, populistas, pró-harmonia de interesses de classes, e mesmo anarquistas que tenho com monarquias milenares e tradicionais. Mesmo considerando uma revolução Socialista nacionalista/patriótica que abolisse a sociedade de classes Britânica dizia «Um governo Socialista Inglês irá transformar a nação do topo a baixo, mas irá ainda carregar por todo o lado as marcas inconfundíveis da sua própria civilização (…).

Não será doutrinária, nem sequer lógica. Abolirá a Casa dos Lordes, mas muito provavelmente não irá abolir a Monarquia. Deixará anacronismos e pontas soltas em todo o lado, o juiz na sua ridícula peruca de pelo-de-cavalo e o leão e o unicórnio sobre os botões de boné de soldado.» Por muito que os republicanos queiram dar uma imagem de ultra-racionalidade para os seus argumentos e o seus regime, o que fundamentalmente faz os sistemas funcionar é a psique de um povo, as éticas, as instituições, o dia-a-dia, que não é matemático, ultra-lógico, que não pode ser forçado por uma fórmula a resultar, mas por senso comum, emotividade, amor pela nação e herança de uma pessoa. Por muito que, como dizia Orwell «quase qualquer intelectual Inglês ficaria mais envergonhado de ser apanhado de pé em atenção durante God Save the King [o hino Britânico que muda conforme o sexo do soberano] do que de roubar de uma caixa de esmolas», a realidade é que para os populares factores emocionais, de orgulho, de comunidade, tradicionais são a verdadeira ética re(s)publicana. É por isso essencialmente que eu defendo a monarquia, por desde a Idade Média portuguesa em que muitos reis ascenderam ao trono sustentados pelos pequenos contra os grandes, e a união do apoio da nobreza minhota e dos pequenos de Portucale e Colimbria se ergueu D. Afonso Henriques, como segundo a lenda da “Gesta de Afonso Henriques” o Conde D. Henrique deixou em testamento ao seu filho futuro primeiro rei de Portugal no seu leito de morte em Astorga: «sê companheiro a filhos d’algo/E dá-lhes sempre seus soldos bem contados./E aos concelhos faz-lhes honra e forma-os como ajam direitos assim os grandes como os pequenos./E por rogo nem cobiça não deixes a fazer justiça/Que se um dia deixares de fazer justiça um palmo/Logo em outro dia se arredara de ti uma braça./E porem, meu filho tem sempre justiça em teu coração./E tu terás Deus e as gentes./E não consintas em nenhuma forma que teus homens sejam soberbos nem atrevidos em mal nem façam pesar a nem falem torto/Que tu perderias por tais coisas o teu bom nome se o não vedasses.» Temos algum dos gabarolas da ética republicana que nos têm governado um discurso sequer, muito menos um viver, ao nível disto? Quem hoje se governa pelo “Pela lei e pela grei [nação, povo, clã; descendência; conjunto dos paroquianos]”?. Perdoem-me os republicanos da eleição do chefe de Estado, tenho aqui toda a ré(s)publica que preciso. Por isso prefiro, mais que monárquico, o termo republicano realista, por que é isso que sou, um re(s)publicano a sério, mas com um chefe de Estado real.

Com a minha costela anarquista não posso deixar de concordar com aquela frase do Britânico Russel Brand “a minha relação com a monarquia é como com a pornografia: gosto mas não sei se deva.” É o que emocionalmente não consigo não apoiar. Pode não ser o melhor, e enquanto outros meus correligionários criam mil e uma razões racionais (das orçamentais às constitucionais) para a apoiar a monarquia, para mim é tão-somente isto tudo que vos disse. Se vos tocar o coração como ao meu juntem-se a nós, se não, não pode ser feito acontecer.

Avigdor Tuvalkabil Cunha