UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS!

LEI DO PROTOCOLO DO ESTADO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

segunda-feira, 31 de maio de 2010

DESDOBRÁVEL DO XVI CONGRESSO DA CAUSA REAL

UM COMPROMISSO REAL!

"Desde sempre, tenho acompanhado os portugueses, cultivando muito em especial relações com as nossas comunidades no estrangeiro, para que as futuras gerações não percam de vista o país onde estão implantadas as suas raízes.

Em Portugal, particularmente, no seu interior, tenho partilhado as alegrias e angústias das populações tantas vezes esquecidas. Tem constituído minha preocupação o desenvolvimento sustentável dessas manchas da nossa Terra, respeitando os valores culturais e espirituais das suas géneses.

A defesa da Natureza, do equilíbrio do meio ambiente e da nossa paisagem humanizada, são temas em que me tenho empenhado desde a minha infância e que necessitam do envolvimento de toda a comunidade humana.

Nestes domínios as Monarquias da Europa e do Mundo têm dado provas de eficácia através de uma proximidade com as populações, enriquecendo as democracias contemporâneas, no respeito pela dimensão onde se inscreve a existência humana.

Penso que Portugal, também beneficiaria desta vantagem e este espaço também abordará estas problemáticas, bem como outras que me queiram fazer chegar.

Estar próximo dos portugueses - Esta é a Herança que recebi e que aqui uma vez mais assumo."

Dom Duarte
Publicada por Monárquicos Nortenhos

1º ANIVERSÁRIO DA MORTE DE S.A.I.R. DOM PEDRO HENRIQUE DE ORLEANS E BRAGANÇA

S.A.I.R., Dom António de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil e S.A.R., Dona Christine de Ligne, Princesa de Ligne mandam rezar uma Missa pela alma de seu filho, o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, uma das vítimas da tragédia, do vôo 447 da Air France, no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro no dia 1 de Junho de 2010, às 12 horas, por Sua Excelência Reverendíssima Dom José Palmeiro Mendes, OSB, e concelebrada pelos Padres Alessandro de Bourbon Duas-Sicílias e Jorge Luiz Neves Pereira da Silva (Pe. Jorjão).
Na Bélgica, em 30 de Maio de 2010, os Príncipes de Ligne mandam celebrar missa no Castelo de Beloeil, com a presença da Princesa Dona Amélia de Orleans e Bragança, segunda filha de Dom António de Orleans e Bragança.
Aguardam-se mais celebrações em todo Brasil.

Um grupo de amigos manda celebrar Missa por sua alma, HOJE, segunda-feira, dia 31 pelas 19:00h na Igreja da Encarnação (Chiado) em Lisboa.

(Fonte: Facebook)

ESTABILIDADE E CONTINUIDADE


A estabilidade dos poderes do Estado é um postulado da ordem social e da justiça, como a continuidade de orientação governativa é indispensável ao prosseguimento de uma obra ou ao cumprimento de uma missão nacional.

Se o Poder muda continuamente de mãos sem uma orientação superior estável, quebra-se a continuidade necessária. Ora é isto o que acontece na normalidade republicana.

Quer os Governos, quer os Parlamentos, quer o Presidente, estão sujeitos periodicamente e a curto prazo às mais imprevistas e súbitas mutações dependentes das contingências eleitorais

No sistema republicano não existe nenhum órgão, nenhuma instituição, que represente a continuidade da Pátria. Todos os poderes são caracterizadamente políticos, na origem, nas funções, no significado e, como tal, inconstantes e instáveis como a opinião pública de onde provêm.

Na Monarquia, a instituição dinástica identifica-se com a perenidade da Pátria. A continuidade assegura-se supra-Governos, num plano perfeitamente compatível com as naturais oscilações políticas. Eis por que a Realeza permite conciliar a estabilidade com a liberdade, a continuidade com as substituições das equipas governamentais e a renovação dos métodos e das ideias no Governo.

O Poder republicano pode estabilizar-se e permanecer demoradamente, é certo, mas fá-lo em geral negando o ajuste eleitoral.

Essa permanência assume, então, todo o aspecto de uma imobilidade política, com prejuízo da liberdade popular e dos direitos cívicos.

Conforme fica anotado, a prolongada duração de um governo republicano não tem analogia válida com a continuidade que a Realeza estabelece. Devemos estar precavidos contra confusões que neste ponto se levantem.

Mário Saraiva
in Razões Reais, Cap.VI
(Fonte: Arautos d'El-Rei )

CARTA ABERTA DE JOÃO BRAGA AO CHEFE DO ESTADO

Excelência:

Contra o que é meu hábito hesitei bastante em tomar a decisão de escrever esta carta porque tenho simpatia pela sua pessoa, como penso ser do conhecimento de Vossa Excelência, porque o currículo académico de Vossa Excelência é digno de respeito, porque o percurso profissional de Vossa Excelência nos meios da alta finança confere-lhe um prestígio sem mácula, porque o facto de ter sido Ministro das Finanças do Dr. Francisco Sá Carneiro é para mim indissociável da figura ímpar daquele político e estadista.

Mas decidi escrevê-la pelos mesmíssimos motivos que me levam a criticar duramente Vossa Excelência: achei que seria demitir-me dos deveres patrióticos de cidadão dado à luz em terra portuguesa, o que constitui, no meu entender e desde que esse entendimento se produziu, uma responsabilidade de alto grau decorrente do peso da descendência que honra todos os que nascem em terra tão ilustre como aquela que é a nação portuguesa, por mor desses antepassados que contribuíram, por amor ao Reino de Portugal, para que ela se tornasse em uma das mais marcantes, essenciais e meritórias da História da Humanidade.

Posto isto, vamos às razões que me levaram a tanto:

1) – Nas últimas presidenciais, foi Vossa Excelência eleito pela maioria dos votos dos portugueses, à primeira volta, e tomou posse em Março de 2006 do cargo de Chefe do Estado por um período de cinco anos como manda a Constituição que temos.

2) – Por obra e graça do vosso antecessor herdou Vossa Excelência, como Primeiro-Ministro, aquele que será talvez o Chefe de Governo mais nefasto, mais mentiroso e mais indigno, que consta da História de Portugal.

3) – Esta apreciação resulta de algumas das mais disparatadas iniciativas governamentais que promoveu, de algumas das mais descaradas faltas à palavra dada consubstanciadas em promessas feitas em campanha eleitoral e já no desempenho das altas funções para as quais foi eleito pela maioria absoluta do povo português, no primeiro mandato, e por uma maioria simples no segundo e, por último, de algumas das mais ignominiosas leis por ele preconizadas para a sociedade portuguesa.

Perante este negro quadro da realidade actual da nação portuguesa cabe perguntar o que terá feito Vossa Excelência para lhe pôr um termo. A resposta é nada, absolutamente nada, para lá de umas titubeantes escusas a comentar o que ia acontecendo, sob o pretexto falacioso de não aumentar a instabilidade política, falacioso porque com esse procedimento tem vindo Vossa Excelência a tornar-se no maior contribuinte para o agravamento dessa instabilidade, expressa nos resultados desastrosos da Economia, da Justiça, da Educação, da Cultura, da Saúde, da Segurança, no insustentável agravamento do custo de vida dos portugueses e no vertiginoso achincalhamento do prestígio internacional da nação portuguesa.

Se não tiver paciência nem cara para ler o que lhe estou escrevendo, ouça ao menos as palavras de Henrique Medina Carreira, de Nuno Crato, de João Duque, de Fernando Ulrich, de João Salgueiro, de José da Silva Lopes, de Luís Campos e Cunha, de José Manuel Fernandes, de Vasco Pulido Valente, de José António Saraiva, de António Barreto, de Manuela Ferreira Leite, de António Pires de Lima, de Mário Crespo, de Henrique Monteiro, de José Luís Saldanha Sanches, de Vicente Jorge Silva, de Maria Filomena Mónica, de Marcelo Rebelo de Sousa, de Miguel Urbano Rodrigues, de Aura Miguel, de Vasco Pinto de Magalhães, de Joaquim Letria, de muitos outros e muitas outras, de tantos e desvairados quadrantes políticos, que tudo têm feito, num ecumenismo político nunca dantes observado, para despertar a aparentemente entorpecida consciência política de que Vossa Excelência tem vindo a dar mostras de uma forma relapsa e contumaz por meio dos seus numerosos “não posso comentar as decisões do governo”, “não tenho declarações a fazer sobre esse assunto”, “não me pronuncio sobre essa matéria”, e por aí adiante.

E se Vossa Excelência pôde contar com o álibi da maioria absoluta do primeiro dos governos do actual Primeiro-Ministro para não dissolver o Parlamento e convocar eleições, já desde as de Setembro último, face aos resultados eleitorais então verificados, deixou Vossa Excelência de poder escudar-se nesse álibi para fazer o que lhe competia. Mais concretamente, desde 31 de Março passado, que Vossa Excelência dispôs de 58 (cinquenta e oito) dias para agir e fazer o que urgia e urge, mas optou por continuar a esquivar-se às medidas requeridas por essa urgência, aduzindo a necessidade de travar ou pelo menos não agravar a sacrossanta instabilidade política.

No âmbito deste quadro aflitivo creio ser legítimo concluir que a instabilidade que angustia o dia-a-dia de Vossa Excelência é aquela que poderá evitar a vitória de Vossa Excelência nas presidenciais do próximo ano, tornando-o no primeiro presidente não reeleito desta república, desde 1974. E é a partir desta conclusão que eu me vejo obrigado a pedir a Vossa Excelência que faça aquilo que Vossa Excelência nunca teve a coragem para pedir ao ainda Primeiro-Ministro durante esta sombria página da nossa História: demita-se, Senhor Presidente!

Demita-se e poupe a Portugal e aos portugueses o triste espectáculo de uma campanha eleitoral esbanjada em patéticos esclarecimentos do inexplicável, em desajeitadas imagens do tempo de antena de Vossa Excelência e de vossa excelsa esposa ao lado ou mesmo à frente de Sua Santidade o Papa, como se estivessem ambos com as mãos nos ouvidos e nos olhos, em debates a justificar o injustificável, esquecendo-se da regra de ouro que revela acusar-se quem tanto se explica.

Ou não. Ou então siga o piedoso, mas sábio, conselho dado há dias na SIC Notícias por um dos seus rancores de estimação, o Dr. Pedro Santana Lopes: não dissolva o Parlamento e, dentro dos poderes presidenciais que lhe assistem e do que decorre das normas constitucionais, proponha um Governo de Salvação Nacional, cujo Primeiro-Ministro, que não este, seja do partido mais votado nas últimas legislativas — José da Silva Lopes ou Ernâni Lopes, por exemplo —, ou outro, mais ou menos independente, que o PS não chumbe, e que os restantes partidos aceitem, para que a legislatura se cumpra, resguardando o país de novas eleições e arrancando com a recuperação económica que devia ter começado há pelo menos oito meses.

Um governo composto por individualidades com provas dadas na condução das mais importantes empresas de Portugal, que não tenham rabos de palha no que a casos de corrupção diga respeito, mostrando dessa forma Vossa Excelência a vontade de meter um travão na verdadeira instabilidade política e económica, ao mesmo tempo que eximiria este martirizado povo do pagamento de centenas de milhares de milhões de euros que incontáveis políticos da área da governação têm vindo a desviar dos fundos comunitários para o próprio bolso, o dos respectivos familiares e amigalhaços, evidência que está indesmentivelmente na origem da tremenda crise da qual parece não lograrmos sair, por via da instabilidade política, social e labora, que lhe está inerente, situação em que presentemente nos encontramos e pela qual Vossa Excelência sobressai como principal responsável, já que uma duvidosa licenciatura acrescida de um passado pouco lucrativo para a economia do país conferem ao actual chefe do governo uma inimputabilidade intelectual que um doutorado em York não pode avocar.

Estou convencido de que partido algum se atreveria a reprovar um governo da iniciativa de Vossa Excelência, dado que o eleitorado jamais perdoaria uma tão grande demonstração de interesse videirinho, de leviandade política, de ausência de sentido do estado, através da falta de apoio a esse seu gesto excepcional de se iniciar o erquer de Portugal do abismo para onde foi empurrado.

Olhe que isto não necessita de uma coragem por aí além, bastar capacitar-se de que assim as próximas eleições legislativas jamais colidirão com as presidenciais do seu desassossego.

Respeitosamente

João Braga
(Fonte: Facebook)

domingo, 30 de maio de 2010

PORTUGAL: UM REI PRECISA-SE!

FOTOGRAFIAS ANTIGAS

S.A.R. D. Duarte de Bragança, então Príncipe da Beira, em 1953.

Os jovens irmãos D. Duarte, D. Henrique e D. Miguel de Bragança.

ESTADO SENTIDO – ALDRABICES REPUBLICANAS

A bandeira “deles” e o que verdadeiramente significam as

ALDRABICES REPUBLICANAS

Pouco ou nada entendo de heráldica e nem sequer esta é matéria do meu interesse. No entanto, estes dias têm servido para uma vez mais levarem ao engano os portugueses mais incautos, até porque os símbolos são importantes, exactamente pelo seu verdadeiro significado.

O chamado partido republicano português (prp), foi desde o início, uma organização que pugnava pela federação da chamada Ibéria, na qual se incluiriam todas as regiões de Espanha e um Portugal republicano, livre dos “ominosos Braganças da Restauração de 1640“.

A verdade que sempre tentaram esconder, é esta:

Nos anos setenta e oitenta do século XIX, existia uma agremiação que dava pelo nome de Centro Republicano de Badajoz e que tinha como símbolo, uma bandeira bipartida a verde e vermelho. O verde representava a “república portuguesa” integrada na Ibéria e o vermelho, a parte espanhola também já republicanizada. Foi também com o verde e vermelho que o brevíssimo bambúrrio do 31 de Janeiro – que os áulicos exaltam, mas que na verdade nada mais foi senão uma perfeita demonstração de inépcia, cobardia e laxismo dos gloriosos revolucionários de tasca – decorou o mastro onde alçou a bandeira do Centro Republicano Federal, um pano vermelho com uma bola verde ao centro. A partir daí, estas ficaram a ser as cores pelas quais os prp’s e o seu braço armado, a Carbonária, se reconheciam.

Com a golpada do 5 de Outubro, simplesmente fizeram hastear nos navios a bandeira Carbonária. Após um aceso debate entre Guerra Junqueiro – que pretendia manter o azul e o branco – e os arrivistas recém chegados ao poder, decidiu-se a Comissão – sem ninguém consultar, coisa que se tornou moda até ao dia de hoje – pelo verde e vermelho. Disparate que viola todas as regras da heráldica, pois o verde é um esmalte e o vermelho também, necessitando de um metal – o ouro/amarelo ou a prata/branco – para os separar. Enfim, para não nos alongarmos, apenas mudaram a disposição das cores da bandeira da terrorista carbonária e assim, o verde ficou junto do mastro (tralha) e o vermelho na parte posterior (1). Outras asneiras foram perpetradas, como o ridículo vivo a branco e a negro à volta do escudo que felizmente, não ousaram abolir. A esfera armilar, dita dos descobrimentos, é também uma habilidosa justificação enganadora, pois na verdade, é mais uma contribuição da Carbonária.

O resto, já se sabe: a 2ª república patrocinou a coisa até à exaustão e deu-lhe lírica interpretação (2), desde verdes esperança até ao vermelho de sangue derramado (neste último caso, com toda a razão, dado o que se passou após 1910). Até a justificação dos castelos “conquistados no Algarve”, consiste numa descarada mentira, pois não passam de um recurso de D. Afonso III, que desta forma distinguiu as suas armas relativamente às do seu irmão D. Sancho II. De facto, os castelos fazem alusão à mãe de ambos, oriunda do país vizinho, seguindo O Bolonhês, aquilo que a norma heráldica ditava.

Assim, os portugueses podem hoje comprar em qualquer loja chinesa a bandeira da Carbonária e com um bocadinho de sorte, decorada com pagodes. Para rir.

(1) Tal como aconteceu com o prp e com apenas sete por cento dos votos, tudo isto equivale ao CDS conseguir amanhã dar um golpe de Estado e decidir impingir ao país uma bandeira azul e amarela, justificando-se com o “azul do mar e o amarelo das estrelas da Europa”… Ridículo.

(2) O mesmo fazem os republicanos brasileiros, pois apresentam agora o verde como a “mata amazónica” e o amarelo como o “ouro de Minas”. A verdade é outra. Nos dias em que ocorreu a declaração da independência (1822), a então princesa real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, D. Leopoldina de Habsburgo, decidiu criar uma bandeira própria para o Reino do Brasil. Como cores, adoptou o verde da Casa de Bragança (do marido, D. Pedro) e o amarelo da Casa de Habsburgo (a sua família). Como vêem, a falcatrua parece ser um recurso habitual na família republicana.


A actual bandeira e a da Carbonária: descubra as diferenças, se conseguir

Nuno Castelo-Branco
(Fonte: Blogue "Causa Monárquica")

sábado, 29 de maio de 2010

PROGRAMA DO XVI CONGRESSO DA CAUSA REAL


Vai realizar-se em Viseu, nos dias 19 e 20 de Junho, o XVI Congresso da Causa Real. No âmbito do Programa associado ao Congresso, vão decorrer, na tarde de sábado (dia 19), quatro palestras abertas ao público e, ainda, um desfile desde o local do Congresso, que decorrerá no Teatro Viriato, até ao Rossio, onde na Câmara Municipal serão recebidos SS.AA.RR. Os Duques de Bragança.

Em ano de comemorações do centenário da República a presença dos monárquicos nestas actividades, nomeadamente em torno dos Duques de Bragança, é essencial como demonstração pública da adesão de muitos portugueses à defesa da restauração da Monarquia e da sua fidelidade à Família Real.

Neste espírito, a Real Associação da Beira Litoral quer organizar uma deslocação dos seus associados e amigos a Viseu, no dia 19 de Junho, sábado. Estamos certos de que podemos contar com a presença de muitos dos nossos associados nesta jornada de afirmação monárquica. Convidamo-los, caros associados, a inscreverem-se por e-mail, telefone ou no jantar da próxima Sexta-feira, dia 4, em Paços de Brandão.


VIVA O REI!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!


O PREÇO DA PROPAGANDA

Talvez sob o patrocínio da Comissão Nacional para as Celebrações do Centenário da Republica do Dr. Santos Silva, o Diário de Notícias titula hoje que a “Rainha pede cortes no meio do luxo” a propósito do discurso na sessão inaugural do parlamento inglês. Este aleivoso título é ilustrado com uma imagem de pompa e circunstância de Isabel II à chegada a Westminster. Num pequeno texto a negrito em baixo pergunta-se, numa tentativa de ironia, se a casa real britânica que cujo orçamento de 2009 foi de 48,2 milhões de euros este ano também vai apertar o cinto.

Espantoso é todo este preconceito alimentado neste país sempre “na crista da onda”, esbanjador e à beira da falência, que pretende, quem sabe, direcionar a ancestral mesquinhez e ressabiamento luso, para os imperialistas da Velha Albion, a mais antiga, estável e prospera democracia do mundo. A rainha deslocou-se numa carruagem dourada usando uma tiara com três mil diamantes preciosos, salienta a jornalista Patrícia Viegas, sem explicar que todos estes artefactos pejados de simbolismo, pertencem ao Estado, e que nestes ancestrais rituais se identifica todo aquele povo empreendedor e orgulhoso. De resto não é feito nenhum estudo comparativo entre os 48,2 milhões e os custos de outras chefias de Estado europeias, como por exemplo a portuguesa: a presidência da república custa a cada português nada menos que o dobro do que custa a cada Britânico a sua Monarquia. A diferença é ainda mais gritante se a comparação for feita em percentagem do PIB (valores Wikipedia para 2007): 0.0115% do PIB em Portugal, 0.0023% do PIB no Reino Unido. De resto, não falemos de eficácia, sobre isso estamos conversados.

Fontes: The British Monarchy e Ministério das Finanças, Direcção Geral do Orçamento
Agradecimentos a Luís Bonifácio
publicado por João Távora
(Fonte: Blogue da Real Associação de Lisboa)

O REI SOLDADO

Já vai distante o tempo em que vi chegar ao Aeródromo Base nº. 3, na então Vila do Negage, um jovem Alferes Miliciano Piloto que dava pelo nome vulgar de Nuno Bragança. Magro, louro, de bigode bem desenhado sobre uma boca que parecia apenas saber pedir desculpa e esboçar aqueles sorrisos que distribuía para um lado e para... o outro... porque eram gratuitos, dizia eu cá para os meus botões.

Aquele militar não era uma pessoa qualquer, mesmo que o ti António o houvesse mandado para Angola como mais um e não como alguém que mereceria outras honras se estivesse inserido num outro sistema governativo que não uma república, pois era apenas e tão só o HERDEIRO DA COROA PORTUGUESA!

Sei que a Causa Monárquica não estava aqui em "causa", mas o que é verdade é que aquele jovem Oficial Piloto era nem mais nem menos que D. Duarte Pio de Bragança, o Princípe da Beira e Duque de Bragança, que havia levado o seu portuguesismo ao ponto de se oferecer para servir em África, no combate ao terrorismo que havia deflagrado em Angola, Guiné e Moçambique.

Talvez a contragosto, Salazar acabou por autorizar que ele viesse para Angola... mas com expressas ordens para não ser exposto às agruras do combate e ao perigo de captura por parte do inimigo, para que não houvesse exploração do facto por parte das facções partidárias da Monarquia, como se compreenderá.

No dia da sua chegada foi um espectáculo a subserviência patente no comportamento de alguns Oficiais do AB3, que em grandes reverências, quase tocando o nariz no chão, o tratavam por "Sua Alteza", "Majestade", "Senhor D. Duarte" e outras coisas do mesmo jaez, até que o Comandante Gião colocou um ponto final no caso! O jovem piloto era o Alferes Bragança e mais nada!

Como por magia, o herdeiro da Casa de Bragança simpatizou comigo, talvez por saber que também eu tinha alguma simpatia pela Causa, passando a ser o seu confidente, o seu amigo, o seu conselheiro e tudo o que se possa dizer numa situação em que alguém confia na nossa maior experiência das coisas do Negage e nos pede que lhe sirvamos de cicerone, o que fiz com toda a boa vontade.

Pela minha mão conheceu a Vila do Negage, algumas das pessoas mais antigas da terra, como o velho Ginja, o Fernando Santos, o João Ferreira, os Padres Prosdócimo de Pádua e Fortunato da Costa, o Manuel Manso, o Professor Carvalhosa... enfim: as pessoas que havia feito o Negage, que lhe deram um estatuto, uma história capaz de não envergonhar aquele que bem podia ter sido o seu Rei.

Chamo a D. Duarte Pio o Rei Soldado sem ironia, pois Rei deveria ele ser, pela graça de Deus, e soldado era-o na realidade, porque foi nessa condição que o vimos um dia chegar às terras mártires de Angola.

Ainda hoje me pergunto se alguma vez Portugal se poderá perdoar por não ter aproveitado a circunstância de ter no seu seio um homem bom que nasceu para ser Rei... mas a quem a tacanhez de espírito dos homens resolveu recusar o lugar que a história, por direito inalienável, lhe outorgou, que é o de REI DE PORTUGAL!

Blogue "Batuques do Negage"

«REI DOM CARLOS - O MARTIRIZADO» (RAMALHO ORTIGÃO)


É o título do célebre opúsculo que Ramalho dedicou a El-Rei Dom Carlos, logo após o seu assassinato.

El-Rei herdou o Rotativismo. E o Rotativismo (que VPV - já o publicitei aqui - comparava ao jogo PS/PSD da actualidade) estava dando conta do País. João Franco e o seu Partido Regenerador Liberal (resultante de uma dissidência do Partido Regenerador) surge como uma terceira alternativa. Tal qual na Grã-Bretanha actual. É um momento em que o Rei considera dever intervir.

Do prefácio de Rui Ramos à reedição fac-similada de «Cartas d'El-Rei Dom Carlos a João Franco Castelo-Branco seu último Presidente do Conselho»:

«Perante um conflito entre o parlamento e o governo, o rei tinha duas opções. Ou demitia o governo, ou encerrava o parlamento e dissolvia a câmara dos deputados, convocando novas eleições. Só que a convocação de novas eleições não tinha de ser imediata. Podia demorar. Durante esse interregno, os governos continuavam em funções, e havia até o precedente de emitirem legislação por decreto. Chamava-se a isto "ditadura". Não afectava os direitos dos cidadãos, mas apenas a relação entre os poderes do estado».

A reacção dos dois partidos históricos foi a pior: temiam a ascenção de um novo partido, capaz de escangalhar o status quo.

D. Carlos tomou posição. Não sem que proclamasse - «Governem bem, e contem comigo».

De 1906 a 1908 houve bastante correspondência entre o Rei e o Presidente do Ministério. Este veio mais tarde a publicá-la. Excertos:

«Governe-se com o Parlamento, é esse o meu maior desejo, mas para isso é necessário que ele também faça alguma coisa. É preciso obras e não palavras. De palavras, bem o sabemos está o País farto».

«A minha confiança no resultado final é cada dia maior, e cada vez mais, tu e os teus colegas, podem contar com o meu completo e mais decidido apoio».

Muitos dirão que o Rei agiu politicamente mal. São opiniões. O que não se poderá dizer é que não agiu. Ou que foi gozando os seus dias a caçar e a pintar, ou a navegar. Até porque a sua opção lhe custou a vida.

Publicado por João Afonso Machado
(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A DESPESA MONSTRUOSA

Na Câmara dos Lordes, a Rainha leu o discurso de abertura do novo Parlamento, onde o 1º ministro anuncia o programa do seu governo. Os cortes na despesa são profundos e denotam a vontade de saneamento das contas públicas. Um sector atingido é o das mordomias dos políticos que vêem cortados inúmeros privilégios e despesas de ostentação até agora pagas pelo Estado. Limusinas (10 milhões de Libras “trabalhistas” por ano!) – que agora apenas poderão ser usadas em actividades oficiais -, chauffeurs, assessores, prendas e viagens, são alguns dos draconianos cortes que impedirão conhecidos e escandalosos abusos.

(…)


Em Espanha, além do corte de 15% dos salários-políticos, desaparecem organismos parasitários, como Fundações fantasma, gabinetes de estudo contratados a apêndices da partidocracia, etc. Enquanto isso, os políticos e autarcas apertam o cinto.

Em Portugal, novas medidas foram tomadas. O 1º ministro vê aumentados para mais treze o número de motoristas disponíveis, não houve o menor anúncio de corte das frotas automóveis à disposição de presidentes, ministros, secretários de Estado, subsecretários de Estado, assessores presidenciais, directores do sector empresarial do Estado, dos juízes de Supremos, PGR, ministérios, etc, etc. Enquanto isso, os jobs for the boys continuam em força, como se nada de extraordinário se passasse em Portugal. A Assembleia da República viu aumentada a sua dotação e comprou novas viaturas de luxo para a sua presidencial Mesa, enquanto o Palácio de Belém bate aos pontos e para mais do dobro, a dotação do seu congénere espanhol. De facto, enquanto aumenta a despesa com subvenções, a despesa de Belém passa para 21.000.000 de Euros por ano, vendo acrescida em quatro milhões, a soma até agora recebida. Note-se que nos finais de 2009, a Casa Real espanhola enviou uma nota ao sr. Zapatero, indicando não querer receber qualquer aumento de verbas – 8.000.000 Euros/ano – para a despesa da representação oficial do Estado. Alegremente, o presidente Cavaco, o 1º ministro, ministros e outras “altas individualidades”, vão viajando nos Falcon e sempre que podem, organizam cortejos de limusinas em constante renovação. O OGE prevê 160.000 Euros de despesa de comunicações móveis do gabinete do 1º ministro. Não se vislumbra qualquer corte no subsidismo a Fundações privadas que se erguem com o dinheiro público, enquanto aumenta o clientelismo caciquista. Não se anunciaram medidas de corte na contratação de gabinetes de estudos paralelos a entidades oficiais, nem uma política mais rígida na contratação de assessores e outros quadros técnicos. A república auto-comemora-se este ano, sorvendo cabedais em jantares, conferências, publicações onanistas, visitas de estudo, selectas festas e obras de fachada em Praças e Museus que foram da Monarquia. O monstro está aí, mais gordo que nunca.

Tudo na mesma. Não aprendem.

Portugal é um país pobre e em dificuldades. Não pode manter a república. Que seja abolida!

(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

QUE FUTURO TERÁ A NOSSA DEMOCRACIA?

Por volta do ano 350 d.C. um genial Berbere do Norte de África, o futuro Santo Agostinho, escreveu um tratado de política que continua muito actual, “A Cidade de Deus“.

Pergunta o autor: “qual a diferença entre um Governo e um bando de ladrões?“ Um bando de ladrões pode muito bem governar um país e contar com o apoio satisfeito da maioria da população a quem dá pão e circo, mas tem como objectivo o enriquecimento pessoal dos seus membros.

Um Governo, para o ser, deve ter como objectivos o progresso espiritual e material do Povo.

Não pode permitir a injustiça, mesmo que praticada contra minorias com o apoio da maioria...

Disse também que é dever de todos participar na construção da Cidade de Deus, o que significa que ninguém tem o direito de se alhear da vida pública.

Actualmente muitos dos portugueses mais capazes e bem formados, afastam-se da política porque preferem usar o seu tempo exclusivamente em trabalhos bem pagos.

O Dr. João Soares, teve a coragem de dizer que “Portugal não vive em democracia mas em partidocracia“. Para se ser eleito Deputado ou Presidente da República, não interessa ter a simpatia e a confiança dos eleitores, o que é necessário é ter o apoio das lideranças partidárias.

Os portugueses tratam a política como o futebol: acham que os seus responsáveis só querem ganhar campeonatos. E os eleitores apoiam um dos “clubes” ou outro não pela qualidade das suas propostas ou dos seus dirigentes, mas por simpatias ou tradição familiar, preferindo em geral ser “do clube que ganha“…

Esta ausência de uma verdadeira “cultura democrática“ de participação das gentes e responsabilização dos eleitos perante os eleitores leva a um aumento da abstenção e da indiferença. Enquanto houver paz e os salários em dia, a Democracia funcionará.

Mas virão momentos de crise e nessa altura será que as “instituições democráticas“ terão a autoridade suficiente para merecer a confiança de um Povo angustiado? Ou cairemos mais uma vez na tentação de querer um ditador “que nos governe“?

Estes são algumas das considerações que me levaram a aceitar participar nas actividades do recém-criado "Instituto para a Democracia", que junta personalidades de sectores políticos e culturais muito diferentes mas unidos na preocupação de que Portugal seja um país livre e independente, numa Europa unida pelos valores que decorrem das suas raízes culturais e espirituais gregas, judaicas e cristãs.

Temos uma missão importante a desempenhar na construção do nosso futuro colectivo.

S. A. R. Dom Duarte de Bragança
Setembro/Outubro 2007
Publicada por Núcleo Monárquico de Abrantes

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A NOSSA LIBERDADE CONDICIONAL

Passou demasiadamente despercebida na blogosfera a notícia publicada ontem no Jornal i sobre a um projecto escolar no distrito de Aveiro a respeito dos cem anos da república portuguesa em que alguém se atreveu a incluir um quadro sobre o período da 2ª República. Lendo a notícia não se percebe tanta indignação, porquanto professora Joaquina da Conceição, responsável pelo projecto defende que só conhecendo o Estado Novo "podemos compreender o 25 de Abril e perceber porque é que o 25 de Abril foi necessário".

O Estado Novo continua ser injustamente o parente pobre da nossa centenária república, apesar de não passar dum subproduto do regime terrorista seu antecessor. De resto, não será por acaso que a indignação de alguns escrupulosos pais e professores tenha sido assumida pelo deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares, que se tomou de calores denunciando obrigar alunos menores de idade a serem actores num acto laudatório e acrítico de uma página negra da história de Portugal. A História instrumental sempre teve os seus mais fanáticos partidários e pior do que apagar ou adicionar factos, só mesmo a sua manipulação: os mais atentos sabem bem que o regime jamais promoverá uma rememoração isenta da república que celebra e publicita pelas escolas do País. Como bem sabemos a estratégia da Comissão para as Comemorações do Centenário da República contornou habilidosamente os engulhos que constituem os factos históricos com um discurso exclusivamente focado nas intenções e princípios abstractos da democracia, aliás emergentes e comuns às monarquias constitucionais modernas. De resto, uma abordagem desapaixonada aos factos subsequentes ao golpe de estado do 5 de Outubro, como as perseguições à Igreja, os assaltos e encerramentos de jornais, a restrição aos ancestrais direitos de voto, as prisões políticas, a criação da Formiga Branca, organismo antecessor da PIDE e todo o terrorismo de Estado, seriam assuntos de insubestimável importância para uma compreensão do golpe militar de 1926 e a emergência de Oliveira Salazar e do Estado Novo.

Triste é constatar que afinal os portugueses, através dos seus media e representantes eleitos, mantém a terminante e comprometedora recusa de se olharem cruamente ao espelho da sua história, livres de tabus e preconceitos ideológicos: essa é uma matéria cada vez mais limitada ao meio científico e académico que afinal o regime zela vigilante para que não extravase as bibliotecas e os gabinetes e universidades.

publicado por João Távora
(Fonte: Centenário da República.org)

COMUNICADO DA DIRECÇÃO NACIONAL DO PPV SOBRE A PROMULGAÇÃO DA LEI DO "CASAMENTO" GAY


Considerando que

1. O presidente da república sabe que, de acordo com todos os estudos de opinião pública, a maioria dos portugueses está contra a lei do casamento homossexual. Cavaco Silva sabe também que, sem os votos daqueles que hoje estão em frontal desacordo com a promulgação desta lei degradante, não teria sido eleito presidente.

2. Ao contrário do que pretendeu fazer crer no seu discurso, o presidente sabe que não é necessariamente verdade que, no caso de vetar a “lei”, ela passaria de qualquer maneira, porque um Presidente pode dissolver a assembleia da república e pode também renunciar ao mandato para não assinar um diploma que viole a sua consciência. Sabe também que o governo a quem estendeu a mão da "cooperação estratégica", jamais colocaria em causa a continuidade do actual presidente que, mais que qualquer outro, lhe interessa manter no lugar. E até sabe que, forçando a demissão do presidente, a sua reeleição estaria mais do que assegurada, como provou Alberto João Jardim nas eleições regionais que provocou em 2007 e veio a vencer com maioria reforçada.

3. A hierarquia católica do Patriarcado de Lisboa terá dado garantias a José Sócrates em Outubro de 2009 de que «a decisão do governo não provocará nenhuma guerra santa. [..] A Igreja continuará a repetir a sua doutrina sobre o assunto mas não sairá à rua.» segundo noticia do jornal i. Dividida a Igreja, o governo sentiu-se naturalmente encorajado a avançar com esta lei. Também D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e organizador da visita do Papa, defendia publicamente que o assunto fosse «despachado o mais depressa possível» e que quando o Papa viesse a Portugal, em Maio, a questão do casamento entre homossexuais não fosse abordada. Afinal a questão foi mesmo levantada por iniciativa do próprio Papa no encontro com as Organizações da Pastoral Social, em que Bento XVI disse: «As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum». A pedra rejeitada pelos “construtores” tornou-se pedra angular - os temas-tabu, a não abordar, para o Santo Padre, pelo contrário, encerram «alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum».

Perante estes factos, o PPV vem a público manifestar a sua posição política

O PPV discorda e lamenta profundamente a decisão de promulgação da lei do casamento homossexual pelo presidente da república. Todos os pressupostos relevantes, invocados pelo presidente no seu esboço de auto-justificação, apontavam para uma decisão de sentido contrário ao anunciado. Delapidou a sua base de apoio e deu um exemplo mais da incoerência entre os valores pessoais e a acção pública – de que temos numerosos exemplos na política portuguesa. Os portugueses não compreendem esta “facada nas costas” do Papa Bento XVI, pouco depois da aparente cordialidade durante toda a sua visita, terminada apenas há 3 dias.

Impõe-se, cada vez mais, que os portugueses conscientes da importância da Família para o futuro da sociedade portuguesa encontrem uma personalidade disponível para se candidatar à Presidência oferecendo garantias de agir sem receio de sacrificar a carreira política aos ditames da sua consciência. Nenhum dos candidatos anunciados preenche este requisito - nem Cavaco Silva, nem Manuel Alegre, nem Fernando Nobre que hoje mesmo assumiu a sua divergência em relação ao Papa nas questões do aborto e família. Seria uma tragédia cívica que os milhões de portugueses que partilham as nossas posições relativamente ao aborto e à família, não tivessem em quem votar nas próximas presidenciais, e se vissem constrangidos pela consciência a abster-se ou votar em branco.

Perante a confusão instalada entre os seus fiéis, bom seria que a hierarquia católica e os bispos evangélicos esclarecessem os seus fiéis sobre as reais implicações do compromisso de «imitação de Cristo». Não parece conciliável a postura passiva defendida por alguns reponsáveis cristãos com a atitude do próprio Cristo que saiu à rua a enfrentar os “vendilhões do templo” a quem «fazendo um chicote de cordas» (Jo 2, 15) expulsou Ele mesmo do Templo?

A concluir a sua mensagem, disse o presidente: «Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um». Registamos esta declaração de assunção de responsabilidades políticas e morais de Cavaco Silva pelas consequências que trará à sociedade e à economia portuguesa esta lei do casamento homossexual.

DIRECÇÃO POLÍTICA NACIONAL DO PPV - PORTUGAL PRÓ-VIDA
(Fonte: Arautos d'El-Rei)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE, SUA SANTIDADE O PAPA E O SANTO CONDESTÁVEL

"Tive um privilégio que gosto muito de lembrar quando estou com os meus primos, chefes de casas reais e reis, para ser um pouco snob com eles. Um momento que nunca conseguiram ter, tal como um almoço com o Papa e meia dúzia de pessoas em Jerusalém, na residência do patriarca latino, onde o Papa fez o elogio de Nun’Álvares ao dizer que... foi o santo que mais gostou de canonizar. Refira-se que hoje há muita gente, entre palestinos e israelitas, que acham que São Nuno podia ser um modelo para os palestinos porque lutou pela liberdade do seu povo." 

S.A.R. O Duque de Bragança ("in revista NS' de 15/05/2010)


PODEMOS PAGAR A REPÚBLICA?

Podemos pagar a república?

por Dom Vasco Teles da Gama(*)

No extremo ocidental de uma Europa em decadência moral e em pré-falência económica, com uma moeda a enfraquecer em resultado da irresponsabilidade de alguns europeus, bem como de efeitos gerados pela globalização, somos, mais uma vez, obrigados a apertar o cinto.
Graças ao regabofe instalado pelos medíocres políticos que esta terceira república nos tem oferecido, só à classe média, que somos quase todos, se pedem os sacrifícios, enquanto os responsáveis pelo estado a que chegámos acumulam cargos em empresas públicas e arrecadam chorudas reformas, pagas pelo orçamento do Estado.
Autores das leis em que se auto-atribuem escandalosas prerrogativas, saltam, dentro da Lei, de alguns anos de subserviente e obscura passagem pelo Parlamento, para a vereação de uma qualquer Câmara Municipal e daí por nomeação, para um qualquer “tacho”, sejam Institutos, Fundações, Entidades Reguladoras ou Empresas Municipais ou Estatais, cujos ordenados ou reformas ainda conseguem complementar, se tiverem uma licenciatura (mesmo que tirada ao Domingo), com o rendimento de umas aulas numa qualquer universidade privada, das muitas que antes haviam criado, para lançarem doutores analfabetos num mercado de trabalho que deles não precisa.
Como é possível que se tenham afectado dez milhões de Euros à comemoração do centenário disto, que nos vem endividando todos os dias há vários anos, depois de terem vendido o ouro que o Estado Novo acumulou, com o sacrifício de várias gerações e que nestes cem anos, nos brindou com turbulência política, perseguições à Igreja, várias ditaduras, desde a do General Pimenta de Castro à loucura do Vasco Gonçalves, sempre propagando a falácia de que qualquer português pode ser eleito Chefe de Estado. Alguém ainda acredita nisso?
O problema é que temos todos que ver aumentar os impostos, para continuarmos a pagar as reformas douradas destes biltres e ainda as regalias legais de todos os que já foram Presidentes, além dos custos astronómicos das campanhas eleitorais, que dividem os Portugueses de cinco em cinco anos. Temos tido a instintiva sabedoria de reeleger, até hoje, todos os Presidentes, o que nos reduz os custos a três reformados e um ainda no activo.
Mas seremos tão ricos que nos possamos dar a este luxo, mesmo sabendo que a Monarquia, que nos serviu durante tantos e gloriosos séculos, para além de todas as vantagens, quer na regulação independente do exercício do poder político e militar, quer na representação externa, teria, sem dividir periodicamente os Portugueses, um custo bastante inferior?

in Diário Digital, 18-Mai-2010
(Fonte: Blogue "Lusitana Antiga Liberdade")

(*) Presidente da Assembleia Geral da Real Associação de Lisboa

terça-feira, 25 de maio de 2010

ASPIRAÇÕES RELATIVAMENTE AO XVI CONGRESSO DA CAUSA REAL

O XVI Congresso deverá ter como pano de fundo algo de muito importante: A Vontade em Restaurar a Monarquia! Nos dias 19 e 20 de Junho, os Monárquicos que estiverem presentes, terão que se comprometer em ajudar na mudança! Já não há paciência para esta república de bananas….

Nestas coisas só há duas alternativas: querer ou não querer. A Estratégia terá que ser a Restauração da Monarquia em Portugal. Como fazê-lo, também é importante todos estarem de acordo. Discutir resultados obtidos é fundamental. E lutar por objectivos, também.

Que no Congresso da Causa Real, se lance um repto para apoio às populações locais nas suas reinvidicações por uma vida melhor – para evitar escandalos como em Valença do Minho (ao menos usassem Bandeiras Monárquicas Portuguesas) e por outro lado, também, o forte desejo de uma Marcha sobre Lisboa de todos os Monárquicos a nível nacional, o quanto antes! O que se pede é mobilização de vontades, de todas as Reais Associações e todos os Monárquicos em geral, para marcharmos sobre Lisboa, apelando, claramente, a uma mudança de regime ou quanto muito, que seja possível escolher em Referendo!!! É tempo, dado o estado da Nação, uma forte posição de força por parte dos Monárquicos! Para que o “vamos para diante” de Paulo Teixeira-Pinto, Presidente da Causa Real, faça verdadeiramente sentido!

Não podemos mesmo perder a oportunidade que a república está a dar à Monarquia! Não será tão depressa que teremos outra oportunidade como agora!

É fundamental e imperioso mesmo, que se digam aos Portugueses as vantagens da Monarquia Parlamentar e criar empatia dos Portugueses pela Ideia Monárquica, e por último, e não menos importante, a confiança pública no Rei!

Muita gente não conhece o Senhor Dom Duarte! Muita gente tem uma ideia errada dele. Conheço algumas pessoas, que depois de terem lido a Biografia do Senhor Dom Duarte, mudaram completamente de ideia, para melhor! Assim como ficaram amplamente convencidas de que a Monarquia tem que voltar o quanto antes.

Pelo que é possível! É possível se todos os que acreditam nas suas convicções, fizerem algo para que a mudança aconteça! Viva o Rei!

Maio 23, 2010
David Garcia
(Fonte: Blogue do PDR-Projecto Democracia Real)

PORTUGAL DE HOJE E A UNIÃO EUROPEIA DE AMANHÃ

A Europa precisa de salvar o euro como moeda forte. Este é o grande objectivo e a grande prioridade da política europeia.
Para que assim seja, todos os países da zona euro, têm de ter contas públicas sem derrapagens e controladas. Esta é a ordem política essencial da União Europeia.
O controlo do deficit e a sua aproximação para níveis da ordem dos 3% do PIB como limite é a imposição a que Portugal está obrigado, para poder continuar a manter os níveis do custo de seu endividamento e para continuar a aspirar na obtenção de novos empréstimos.
Mas o endividamento externo português e a estagnação do desenvolvimento económico, constituem os dois mais graves problemas nacionais.
A redução do deficit das contas públicas portuguesas é assim uma imposição de Bruxelas, que nos irá viabilizar a persistência do erro, que é continuar a recorrer aos empréstimos externos para pagar as despesas correntes do Estado.
A persistência neste erro, tem como consequência lógica o adiamento das reformas essenciais do sistema de Ensino público, da Justiça, do Estado providência, que são factores determinantes para o desenvolvimento económico e para a diminuição da despesa corrente do Estado.
Os aumentos de impostos que agora já são anunciados e as quebras de rendimentos subsequentes, irão penalizar ainda mais o consumo privado, a inexistência de poupança nacional e como tal penalizar ainda mais a nossa tendência de estagnação económica.
Dependentes a sermos os meninos bem comportados desta União disciplinada pelo rigor alemão, também somos simultaneamente induzidos a fazer-lhes o favor de continuar a obter e a pagar o dinheiro que os seus bancos nos facultam e assim promover o seu desenvolvimento e enriquecimento.
O nosso empobrecimento progressivo, é o nosso contributo para o seu enriquecimento.
O nosso desenvolvimento não lhes interessa minimamente, pois não contam com o nosso mercado para vender os seus produtos ou serviços.
A noção actual de solidariedade europeia é exclusivamente financeira e não de natureza económica e do bem-estar dos povos dos países que a integram.
Esta é uma profunda alteração da política da União, consequência directa do Tratado de Lisboa, onde países como Portugal perderam claramente a sua capacidade negocial e de influência política.
Este primado financeiro da política da União, terá o reverso da medalha inevitável no acentuar das disparidades do desenvolvimento dos países periféricos e a consequente revitalização das suas dinâmicas nacionalistas.
Ao alargamento precipitado da União, seguir-se-á o processo do seu desmembramento.
Políticas governamentais como a portuguesa são de tal forma insustentáveis em termos económicos e financeiros, que serão insuportáveis para o rigor financeiro que vai ser exigível à moeda única e na actual concepção europeia isso vai ser determinante nas escolhas de quais os países que têm condições para o assegurar.
A delicadeza deste gravíssimo problema, não pode levar a que Portugal mantenha a cabeça debaixo da areia e não o encare com realismo e antecipação.
Estamos a correr um risco demasiado elevado.
Não é tanto o que muitos pressentem de que a União tem os dias contados, pela sua incapacidade de subsistência face à globalização dos mercados. É que essa luta da União, vai originar critérios políticos de rigor orçamental muito apertados, para os quais Portugal, não tem qualquer hipótese de resposta, precisamente pela sua concepção de Estado. Um Estado que consome mais de 50% do Produto Interno do país.
O despesismo português, a macrocefalia do Estado, a nossa escassa produtividade empresarial, não são problemas que se resolvam com a celeridade que a crise da União imporá como exigência de adaptação, muito menos com o sistema político que temos.
Aos portugueses exige-se encarar a realidade e encontrar alternativas por antecipação.
Este debate público terá de começar a ser feito.
Não pelos mesmos que com mais ou menos responsabilidades continuam amarrados a preconceitos e a ideias fixas, mas pela massa critica competente e consciente, que por descrença neste sistema, tem sido marginalizada do debate nacional.
É a hora de surgir a terreiro a competência e a nova ideia.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

segunda-feira, 24 de maio de 2010

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA EXPULSO DE ANGOLA EM 1972


Foto: em Angola, 1972

(...) Achava errada a forma como as Forças Armadas estavam a ser conduzidas. Fui expulso de Angola em 1972, porque organizei uma lista de candidatos da oposição ao Parlamento português. Muitos dos meus apoiantes eram africanos negros. Se ganhássemos as eleições, teríamos um grupo de deputados na Assembleia Nacional que discordaria do Governo, mas seria contra a independência.

FOI EXPULSO POR CAUSA DISSO?

Dom Duarte: Sim, porque o Governo de Marcelo Caetano estava a preparar um golpe de independência em Angola, apoiado pelos EUA e a África do Sul, para obter uma independência tipo Rodésia…

A SUA LISTA PODERIA TER GANHO?

Dom Duarte: Sim. E o impacto internacional teria sido incrível, porque se veria que o verdadeiro movimento de oposição em Angola não são os guerrilheiros independentistas. Querem justiça, desenvolvimento, progresso. A independência, logo se veria. O MPLA e a UNITA achavam que Angola não estava ainda preparada para a independência. Precisavam de mais tempo.

OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO TERIAM DESISTIDO DA LUTA?

Dom Duarte: Não. Mas tive apoios discretos deles. Se o nosso movimento tivesse tido êxito e a evolução política de Angola tivesse sido positiva, talvez se tivesse chegado a um acordo com esses movimentos. Tornar-se-iam partidos políticos, iriam a eleições…

E EM PORTUGAL NÃO TERIA HAVIDO 25 DE ABRIL.

Dom Duarte: Exactamente. Não teria sido preciso.
(...)

Excertos da entrevista ao Jornal Público - Dezembro de 2008

A PONTE

A forma como um país recebe o Papa, pode aferir muito da sua cultura.

A visita do Santo Padre só pode constituir o expoente máximo da vida nacional. Não se me passa, sequer, perspectivar o Papa, como chefe de Estado. O Papa é o Papa. O sucessor de Pedro. O Sumo Pontífice. E a palavra "Pontífice" diz tudo. Como afirmou um dia o senhor D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, aquando da eleição do Papa, nós acreditamos que, naquele momento, há a presença e a intervenção do Espírito Santo. Esta é a suprema dignidade que muitos não sentem e muitos simplesmente desconhecem. O Santo Padre, não é só um chefe de Estado, não é só o Bispo de Roma, mas sim o Sumo Pontífice. E a Ponte leva-nos a Cristo.

Assim não foi para muitos, Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Não foi para muitas pessoas nem para muitas empresas. Impunha-se uma clareza total na permissão de todos poderem acompanhar, fosse essa a vontade, a visita do Santo Padre. E a ausência daquele prisma, de suprema dignidade, levou aos mais tristes e profundamente lamentáveis comentários sobre a sua Pessoa e sobre a sua visita.

Para muitos era só um “homem”. Para muitos que apoiam o despesismo fútil do Estado, do partidarismo e do clientelismo, já consideraram dispendiosa a visita do Santo Padre! Do nazismo à pedofilia, de tudo se versou…

Muitos portugueses desconhecem que Portugal se fundou na Missão Cristã e cuja nacionalidade foi avalizada pela Santa Sé.

A este gratuito e jacobino ataque ao Papa e à Igreja, eu respondo com a minha mais profunda repulsa e nojo. Pois, na verdade, aquilo que o Estado, recebendo para isso, é obrigado a fazer e não faz, fá-lo a Igreja.

Mas, na generalidade, vi uma calorosa recepção ao Papa. Não seria de admirar que o nosso Primeiro-Ministro não soubesse sequer o tratamento cerimonial adequado ao Papa, dirigindo-se ao mesmo da forma de “Eminência”, considerando as matérias morais que tenta despachar, foi, contudo, pleno de fé, que o Povo, e assim Portugal, o recebeu.

O Papa percebeu que foi acolhido por um País católico. As ruas e praças encheram-se de gente. A juventude esteve com ele. E vi a felicidade na sua face. Tendo sido testemunha da nossa fé, o Papa deixou-nos, ao mesmo tempo, uma mensagem de esperança e de sentido de vida. E quão oportuna é esta mensagem num período em que os políticos agravam a economia e destroçam a moralidade social.

Sobre todos os insistentes e intemporais ataques à Igreja, Portugal saberá exclamar bem alto e bem firme:

Viva o Papa! Viva o Papa! Viva o Papa!

Publicada por Mário Neves
Vice-Presidente da Real Associação da Beira Litoral
(Fonte: Blogue "Fidelíssimo")

A RAIZ DE PORTUGAL

Portugal é um território onde foi plantada uma forte raiz.
Ventos gelados e as mais diversas intempéries,
Têm definhado o brotar da mais bela flor do mundo,
Uma forte raiz a quem se nega, o surgimento da arvore florida.
Muitos de nós nunca viram essa maravilhosa flor,
Nunca sentiram o seu perfume, nunca puderam apreciar a sua beleza.
Já muitos de nós dela não se lembram, já dela não falam a seus filhos.
Quem pode ter paixão pelo que se esquece e pelo que nunca sentiu?
Esta é a terrível arma do esquecimento, que impede a nossa paixão.
Uma violação da natureza, um pecado capital,
Traição dos insensíveis à beleza, ao sentimento, renegados sem coração.
Que renegam a si próprios a essência humana e obrigam outros a essa condição.
Traição ao humanismo, ao heroísmo dos antepassados e ao futuro dos seus filhos.
Vis traidores que apenas olham para seu umbigo asqueroso.
Ignorantes e pequenos, tão senhores do seu egoísmo, esqueceram-se de pensar.
A raiz é secular, é profunda e forte, foi plantada num solo sagrado.
Tão forte que bastará uma pequena clareira de sol aberto, para que o seu vigor se expresse.
Esse dia de Primavera chegará breve, bastará seu anúncio pelos que têm essa lembrança.
O povo está saturado do vento frio, das tormentas e anseia pelo sol.
Nesse dia todos jubilarão de alegria a ver a árvore a crescer e a ramificar.
O espanto daqueles que nunca a tinham visto, será transformado em sentimento,
Os que dela estavam esquecidos, reconhecerão a verdade dos convictos apaixonados.
Fugirão para longe para sempre desterrados os apátridas sem valor, nem sentimento.
A flor mais bela do Mundo, estará livre para se mostrar.
A Alma do povo ressuscitada motivará de novo o orgulho, a honra e a glória.
Portugal voltará a afirmar-se no Mundo com todo o seu esplendor.
Porque os portugueses voltaram a ver, a sentir e poder exprimir, a sua condição e a sua paixão.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Acção Monárquica")

domingo, 23 de maio de 2010

SS.AA.RR. OS DUQUES DE BRAGANÇA APOIAM A SELECÇÃO NACIONAL

"Quando Portugal joga com o estrangeiro fico muito entusiasmado e espero que na África do Sul possa acontecer algo bom." 

 S.A.R. o Duque de Bragança. ("in" revista NS' de 15/05/2010)


FORÇA PORTUGAL!!!

A HISTÓRIA DA MINHA VIDA

(Arquivo de Ricardo Gomes da Silva)
(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")

EL-REI DOM MANUEL II EM ESPINHO, NA INAUGURAÇÃO DA LINHA FÉRREA DO VALE DO VOUGA

Faz no próximo dia 23 de Novembro cento e dois  anos que o último rei de Portugal, elrei D. Manuel II visitou Espinho. Integrada numa vasta visita ao Norte do país, D. Manuel II visitou Espinho tendo como principal objectivo a inauguração da linha férrea do Vale do Vouga, no entanto, el-Rei não deixou passar a oportunidade de visitar a Real Fabrica de Conservas Brandão Gomes & Cª., e também de se inteirar dos prejuízos decorrentes das invasões do mar ocorridas nesse longínquo ano de 1908.

Os Republicanos, o Regicídio e a Subida ao Trono do Infante D. Manuel

Corria o ano de 1908 quando o infante D. Manuel assumia os destinos do reino em resultado do regicídio que a 1 de Fevereiro de 1908 vitimou seu pai, o Rei D. Carlos, e o seu irmão, o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe. Assumindo o destino do país com a tenra idade de 18 anos, e em tão trágicas e conturbadas condições, não esqueçamos que os republicanos à muito ameaçavam a monarquia portuguesa, testemunho disso foi o 31 de Janeiro de 1905, onde por momentos chegou a ser declarada a implantação da República na cidade do Porto, de facto, se inclusivamente analisarmos o próprio momento do regicídio, perpetrado por
Manuel Buíça, e Alfredo Costa, acérrimos republicanos, poderemos conjecturar, sem nunca o poder provar é certo, que a implantação da República só não terá ocorrido nesse momento, porque, provavelmente, muitos e ilustres republicanos não aprovaram, nem queriam que a implantação da República em Portugal estivesse tão directamente ligada a um atentado. A este propósito, é conveniente recordar por exemplo as palavras do primeiro Prémio Nobel português, o Prof. Dr. Egas Moniz, republicano convicto, que inclusivamente fora preso a 28 de Janeiro de 1908, na sequencia de mais um movimento revolucionário, que visava implantar a República, a propósito deste assunto, o Prof. Dr. Egas Moniz proferiu no Parlamento em 15 de Julho de 1908, um discurso do qual apresentamos um pequeno excerto “A noite de 28 de Janeiro fez abortar o movimento que havia fatalmente de produzir-se, apesar das prisões feitas, se um acontecimento inteiramente imprevisto não viesse transformar, por completo, a vida política portuguesa. Refiro-me ao atentado de 1 de Fevereiro. Com êle nada tem, nem poderia ter, o movimento revolucionário. Foi um fenómeno esporádico e imprevisto que, mesmo no ardor de luta revolucionária, seria condenável. Basta recordar que o movimento revolucionário se produziu na noite de 28 de Janeiro, em que dei entrada no cárcere dos Lóios, quando a Familia Real estava longe de Lisboa e se dizia que só tarde regressaria a Portugal.

(…) Foi assim que no Terreiro do Paço dois populares praticaram, a tiros de carabina e de revólver, o atentado de que resultou a morte do Rei e do Príncipe Real.”(1). De facto, como disse atrás, não podendo provar o porquê da não ocorrência de um movimento republicano aproveitando a morte do Rei e do Príncipe Herdeiro, estas palavras de Egas Moniz são elucidativas da visão de um dos mais importantes republicanos e rostos políticos de então, convém recordar, que para além de uma notável carreira na investigação cientifica que culminou com a atribuição do Prémio Nobel, Egas Moniz teve uma importantíssima intervenção na vida política no antes e no pós 5 de Outubro de 1910. Para além da hipótese explicativa formulada atrás, o facto de poder evidentemente surgir uma vaga de fundo por parte da população, solidária com os monarcas, (em especial com o jovem infante D. Manuel) e sobretudo não compactuantes com tão extremo acto, terá também contribuído para refrear os ânimos daqueles que queriam instaurar o regime republicano nesse momento, poder-se-á inclusive especular, se o regicídio, não terá tido o efeito contrario de ter adiado por mais tempo a implantação da República, essa ideia, fica aliás, subentendida no discurso de Egas Moniz.

É nesta conjectura política agravada por um descontentamento geral decorrente do reinado de seu pai que como vimos culminou de tão trágica forma, que o jovem D. Manuel é solenemente aclamado rei na Assembleia de Cortes de 6 de Maio de 1908, ficando conhecido para a história como D. Manuel II, “ O Desventurado”.

(1) In MONIZ, Egas. Um ano de Politica, Portugal-Brasil Limitada Sociedade Editora, Lisboa, 1919.

El-Rei D. Manuel II e a Visita ao Norte do País

Aclamado Rei em Maio de 1908, perante os deputados da nação e jurando cumprir a Carta Constitucional é passados poucos meses da assunção do trono português, que a casa real, comunica a vinda de S. M. el-Rei D. Manuel II ao norte do país: “Segundo uma communicação recebida hontem, S. M. el-Rei D. Manuel vem para o Porto no domingo, 8 de Novembro, em comboio especial, desembarcando na estação de Campanhã, ás duas da tarde.”. (“Comercio do Porto”, 31 de Outubro de 1908, pág.1).

A visita real de D. Manuel II ao norte do país, deverá ser explicada e entendida sob a égide de uma multiplicidade de factores, em primeiro lugar, estará a necessidade de serenar o pais em torno da casa real, não nos podemos esquecer que os republicanos estavam a ganhar terreno e ameaçavam um golpe de estado a qualquer momento, desta forma, esta visita serviria como uma acção de charme junto do povo, não esquecendo também o facto da primeira tentativa de revolução republicana ter acontecido, como já vimos, no Porto a 31 de Janeiro de 1905, em segundo lugar, era urgente que o rei aproveita-se o período de complacência que lhe era devotado neste período, para ganhar o apoio do povo e dos organismos públicos, em terceiro lugar, estaria o facto anunciado como sendo o verdadeiro motivo da visita, a necessidade do monarca recém-chegado ao trono, conhecer o seu reino, e de se dar a conhecer aos seus súbditos: “Esta viagem no actual momento historico tem uma singular significação. D´ella devemos esperar que resulte para o juvenil soberano uma lição fecunda, d´essas que os preceptores dos príncipes não pódem substituir por prelecções as mais sábias. El-rei vai, finalmente, conhecer o seu povo, tratar e lidar com elle, escutar outras vozes differentes das que diariamente lhe fallam. Desemparedado do seu paço. O monarcha vai começar a viver. A sua magistratura póde afoitamente dizer-se que principia só agora a exercer-se. O rei vai percorrer o seu reino, visitando o seu povo.”. (“Comercio do Porto”, 8 de Novembro de 1908)

Entre 8 de Novembro de 1908, dia da partida de Lisboa e de desembarque na cidade do Porto, e dia 4 de Dezembro de 1908, dia do regresso à capital do país, o monarca visitou inúmeras cidades, respondendo ás inúmeras solicitações, toda a gente queria ver e ser vista pelo rei.

A Visita a Espinho


Foi no dia 23 de Novembro de 1908 que el-Rei D. Manuel II visitou Espinho. Foi de manhã que el-Rei chegou a Espinho sendo esperado por todas as autoridades, presente esteve também o Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Luiz Coelho da Silva. Á chegada o Presidente da Câmara, Henrique Pinto Alves Brandão, saudou el-Rei em nome de Espinho. A presença de Henrique Brandão, como Presidente da Câmara na recepção ao Rei, teve um carácter um pouco caricato, uma vez que ainda nessa manhã tinha sido empossado um novo Presidente de Câmara, Dr. António Augusto de Castro Soares, que legitimamente deveria ter estado presente nesta recepção: “A Camara d`Espinho, ultimamente eleita, devia tomar posse, como de facto tomou, na segunda-feira 23, dia da visita régia.(…) Apesar dìsto, fora da lei, a vereação cessante fez as honras da recepção.”. (“Gazeta de Espinho”, 29 de Novembro de 1908)
De seguida falou, em nome da Comissão Fomentadora dos Melhoramentos de Espinho, Manuel Ribeiro Nunes, que solicitou ao Rei a protecção para os pescadores de Espinho, vítimas das invasões do mar. El-Rei agradeceu a recepção, e prometeu interessar-se pela situação dos pescadores. Seguidamente, organizou-se um cortejo até a Fábrica Brandão Gomes, fazendo parte deste cortejo o Bispo do Porto, D. António Barroso: “Organizou-se emtão um cortejo, em que tomaram parte, em automóveis e trens, as pessoas da comitiva de el-rei e muitos outros cavalheiros, entre os quaes o exe.mo bispo do Porto, D. António Barroso, que se fizera acompanhar do capelão do paço episcopal, ver. Benjamim dos Santos Ferreira Neves, seguindo todos em direção á Fábrica de Conservas dos snrs. Brandão, Gomes & C.ª”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Nesse cortejo estavam também integrados os alunos do Seminário Internato dos Carvalhos, que quiseram agradecer a visita de el-Rei a Espinho: “A essas saudações associaram-se também os alumnos do Seminário dos Carvalhos, em número de 10, acompanhados do seu vice-reitor monsenhor Nunes, professores e prefeitos, que levantaram calorosos vivas a el-rei, á rainha, á família real, á pátria e á monarchia, etc.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Na Real Fábrica de Conservas Brandão Gomes & C.ª, tomou a palavra o sócio Gerente Augusto de Oliveira Gomes, que saudou o Rei. De seguida, o Rei efectuou uma visita á Fábrica na qual se mostrou extremamente interessado por tudo quanto viu pedindo inclusive esclarecimentos: “Á sua passagem por varias secções, el-rei deteve-se a examinar o trabalho dos operários, fallando com alguns e sendo-lhe fornecidos amplos esclarecimnetos pelos referidos proprietários.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
A Banda de Música da Fabrica, composta por operários, interpretou à passagem do Rei pelas instalações da fábrica o Hino Nacional: “Ao passar pela secção dos soldadores, os operários que fazem parte da banda de musica da fabrica, cessaram o trabalho e executaram o hymno nacional, como já antes haviam feito.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
De seguida e após a saída da Fábrica, el-Rei D. Manuel II dirigiu-se com a restante comitiva à praia, onde viu com os próprios olhos os estragos produzidos pelos avanços do mar, no extremo da Rua Bandeira Coelho: “Sahindo dàlli, el-rei, acompanhado da sua comitiva, dirigiu-se à praia, sendo-lhe mostrados, no extremo da rua Bandeira Coelho, os estragos produzidos pelo mar, especialmente ao norte.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Após essa breve paragem junto á praia, el-Rei e os convidados dirigiram-se para a Assembleia de Espinho, onde foi servido, no salão nobre, um banquete: “D`alli, dirigiu-se o soberano para o edifício da Assembleia, que estava exterior e interiormente, ornamentada a capricho pelo hábil armador snr. Alberto Pereira.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)

A Ementa e os Convidados do Banquete Real

MENU
Consomé a Ia Royale
Patés de foie-gras a Ia Périgord
Coeur de filet a Ia gastronome
Chaud-froid de perdreaux a Ia diplomate
Pintades rôties au cresson
Salade russe

Entremets
Glace a Ia crême, aux noisets pratinées

Dessert
Gelée au rnarasquin, charlotte russe au café, fruits et bonbons divers, patisserie sortie

Vins
Collares, Aguieira, Madère, Porto, Moêt et Chandon, Anadia Café


A direita do Rei sentaram-se: Presidente do Conselho, Bispo do Porto, Ministro das Obras Públicas, Presidente da Câmara Municipal de Espinho, Conde de Paçô Vieira, Conde de Tarouca. Á esquerda: Ministro da Justiça, Ministro da Guerra, Bispo-Conde de Coimbra, Conde de Águeda, D. Fernando de Serpa, Conde de Castelo de Paiva. Os restantes convivas, em número de 140, achavam-se sentados indistinctamente á mesa, que tinha forma de U.” (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Finalmente, após o banquete, o Rei e toda a comitiva dirigiram-se para a Estação do Caminho de Ferro do Vale do Vouga, para fazer a inauguração do troço da linha de Espinho até Oliveira de Azeméis: “Após o almoço na Assembleia de Espinho, S. M., el-rei embarcou no comboio especial da nova linha férrea do Valle do Vouga, que ia ser inaugurada.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
O comboio era constituido por: maquina n.º 12, duas carruagens de 1ª classe, um salão para convidados, e salão real. Todo o material foi oriundo dos Caminhos de Ferro de Vila Real, em virtude de não ter chegado o material encomendado no estrangeiro: “Era constituído pela machina n.º12, duas carruagens de 1.º classe, um salão de convidados e o salão real, tudo de Villa Real, visto ainda não terem chegado as carruages que a Companhia do Valle do Vouga encomendou no estrangeiro.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
O comboio prosseguiu para Oliveira de Azeméis, intercalado por paragens durante o percurso para as populações aclamaram o Rei de Portugal. Inaugurado solenemente a 23 de Novembro, o Caminho de Ferro do Vale do Vouga, só a partir de 21 de Dezembro de 1908 entraria em funcionamento.

Toda a visita de el-Rei ao norte do país foi documentada fotograficamente pelos mais sonantes fotógrafos da altura, em Espinho, esse registo fotográfico* foi levado a cabo por Aurélio da Paz dos Reis, o pai do cinema em Portugal, que curiosamente era membro da maçonaria e estivera implicado na tentativa revolucionária do 31 de Janeiro de 1905 no Porto, essas fotografias são estereoscópicas, e terão sido encomendadas a Aurélio da Paz dos Reis pela Fábrica Brandão Gomes & C.ª. Nessas fotografias é possível testemunhar o ambiente festivo e o entusiasmo vivido pela população, destaque especial para a Real Fábrica de Conservas Brandão Gomes & Cª, que se achava profusamente engalanada, (tanto no exterior como no seu interior), para receber o Rei: “Tanto a estação do caminho de ferro como as ruas do percurso – Avenida Serpa Pinto, ruas Bandeira Coelho e do Cruzeiro, Bairro da Rainha D. Maria Pia e largo da fábrica, recentemente construído – achavam-se vistosamente ornamentados, primando pela originalidade e pittoresco das orações.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)

E foi assim, a visita de el-Rei D. Manuel II a Espinho…

Tiago Castro

Bibliografia:

- “Gazeta de Espinho” , 29 de Novembro de 1908.
- “Comércio do Porto”, 31 de Outubro de 1908.
- “Comércio do Porto”, 8 de Novembro de 1908 a 4 de Dezembro de 1908.
- V/Autores Livro d'ouro da primeira viagem de S. M. El-Rei de Portugal D. Manuel II ao norte de Portugal em 1908, Foz do Douro: Carlos Pereira Cardoso, 1909.

(Fonte: Câmara Municipal de Espinho)