MENSAGEM DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA AOS PORTUGUESES

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HOMENAGEM DEPOIS DO TEMPO A UM HOMEM ANTES DO TEMPO!

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Gonçalo Ribeiro Teles é um Homem do nosso tempo.

Depois de uma vida inteira dedicada à Causa Pública, Gonçalo Ribeiro Telles foi, finalmente, homenageado pelo Estado Português! Não sei se pela má consciência dos desastres ambientais de tão trágicas consequências para os Portugueses, se pelo frenesim com que o nosso Presidente da República agracia portugueses mais ou menos distintos?

Acho que este tardio e justíssimo reconhecimento do Estado foi felizmente precedido, de há muito tempo, por um alargado e sincero reconhecimento dos Portugueses. De todos os Partidos Políticos, de todas as sensibilidades socioculturais. Da Nação de que tantos não gostam, por puro preconceito, de falar.

Hoje, digo-o sem nenhuma satisfação, tem mais valor falar de “Sentido de Nação” – de gostar de ser português e de cumprir a seu dever de cidadania ao serviço dos portugueses, do que “Sentido de (um) Estado” que não temos a certeza se é “de bem” mas que temos comprovadamente a convicção de que não faz bem, em tantas áreas importantes da sua intervenção. E é por isso que entendo que Gonçalo Ribeiro Teles é um homem com Sentido de Nação! A tal que lhe deu o merecido e sincero reconhecimento, antes do próprio Estado.

Gonçalo Ribeiro Teles, enquanto político distinguiu-se sempre pelo que mais tem faltado hoje às classes dirigentes – o sentido de ética, de responsabilidade e de compromisso!

A verdade é que Gonçalo Ribeiro Teles foi mais do que um grande dirigente político e um grande cidadão. Foi o Precursor das mais importantes políticas agro-ambientais aplicadas em Portugal e foi teimosamente pioneiro, no permanente alerta às autoridades públicas dos muitos erros cometidos por tantos Governos na preservação, ordenamento, desenvolvimento e qualificação do Território no sentido pleno da palavra!

Gonçalo Ribeiro Teles foi o primeiro “Verde”, por consciência e cidadania, antes de existirem sequer os Verdes por oportunidade política!

E não foi um pioneiro por qualquer arte de adivinhação ou por uma cultura do pessimismo fatalmente portuguesa. Mas antes por ser um dos maiores conhecedores mundiais desta tão importante área do saber – o conhecimento desse extraordinário Mundo Vivo onde todos queremos estar bem!

Foi um Ecologista inteiro – da Terra onde vivemos, da Humanidade que somos e do que é necessário fazer para que estas duas realidades se harmonizem.

Gonçalo Ribeiro Teles foi talvez o primeiro “Ecologista Politico” que sempre soube da urgência permanente de aproximar a “Ecologia da Terra” da “Ecologia Humana”.

Também na defesa da Instituição Real e da forma Monárquica de regime foi um dos primeiros pioneiros da nossa Democracia. Porque antecipou, antes de quase todos, que seriam as Monarquias os regimes que melhor defenderiam as Democracias do futuro. Vejam simplesmente quais são na actualidade as grandes Democracias as grandes Ditaduras do Mundo e terão uma amostra aproximada do que Ele, também aqui, antecipou!

É assim um Apóstolo da Modernidade – de uma modernidade que nos deve fazer pensar, apesar de, como Ele, corrermos o risco de termos razão antes do tempo!

A minha homenagem a este Apóstolo da Modernidade que tão justamente recebe, por feliz coincidência (?) a Ordem do Infante Dom Henrique, outro dos mais célebres precursores da História de Portugal. Aquele de quem Fernando Pessoa dizia ter sido primeiro grande “Globalizador”, o primeiro homem no Mundo que juntou Continentes depois da Glaciação!

Ao Apóstolo da Modernidade - Gonçalo Ribeiro Teles com quem tanto aprendi, o meu modesto, sincero e eterno obrigado!  

António de Souza-Cardoso
Presidente da Causa Real

JERUSALÉM, A PORTUGUESA

Foto de Nova Portugalidade.

Não, não era Meca que os Portugueses queriam, era Jerusalém

Como a seu tempo notou Luís Filipe Thomaz, dir-se-ia que a expansão portuguesa no Oriente obedecera a um plano pré-existente de dominação política e económica do Oceano Índico. Contudo, pondo de parte as manifestas dificuldades de que a análise marxista dá sinais ao abeirar-se do século XVI português, interessa 
localizar, para lá do conhecimento das facções da corte e lutas pelo poder, qual a ideia de expansão que tinham as sucessivas gerações de governantes que animaram o esforço português no Oriente. D. Manuel I parece ter sido fortemente influenciado pelo messianismo dos seus preceptores e, depois, por Duarte Galvão, seu conselheiro muito impregnado de ideais joaquimitas. Os planos de D. Manuel I para a conquista do Médio Oriente não são frequentemente referidos na documentação coeva. A conquista do reino mameluco não era muito publicitada, por forma a não alvoroçar os restantes reinos cristãos que aspiravam à posse de Jerusalém, assim como as repúblicas mercantis italianas envolvidas do tráfico do Levante. Albuquerque pertencia ao círculo da corte que se identificava com a crença messiânica de iminente queda do “sultanato de Babilónia”, ou seja, do Cairo mameluco. Esta crença da proximidade de um acontecimento transcendente estava, aliás, muito difundida no círculo do Paço. Por volta de 1516, Diogo Velho exprimia tal convencimento, referindo-se expressamente à tomada de Jerusalém, à conversão dos judeus e do Xá Ismail:

“O grão Rei Dom Manuel
a Jebussen (judeus) e Ismael (Xá da Pérsia, aliado de Portugal)
tomará e fará fiel à lei universal.
Já os reis [do] Oriente
a este rei tão excelente
pagam páreas e presente
a seu estado triunfal” (1)

O que teria sido do destino do Médio Oriente se, por volta de 1520, Portugal tivesse expugnado Jerusalém? Não sabemos; ninguém sabe.

MCB


(1) Cancioneiro geral de Garcia de Resende, v. III. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991.

SEM A LÍNGUA PORTUGUESA NÃO HÁ NAÇÃO EM TIMOR-LESTE


O jornalista inglês Max Stahl afirmou em Coimbra que falar português foi um acto de resistência mas também de sobrevivência do país, considerando que, "sem a língua portuguesa, não há nação em Timor-Leste".










Hoje, os jovens em Timor-Leste questionam-se para que "serve a língua portuguesa", num país tão distante de Portugal ou do Brasil, mas os timorenses que lideraram a luta pela independência do país "continuam muito conscientes de que a sobrevivência da nação depende da diferença, da identidade única do povo", onde o português se assume como uma das bandeiras, sublinhou Max Stahl.

O jornalista filmou e divulgou o massacre de Santa Cruz, em 1991, quando o exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e outras 127 que viriam a morrer nos dias seguintes.

Apesar de a língua portuguesa continuar a ser "minoritária em Timor-Leste", está no "meio de uma luta não só da língua, mas dos valores que comunicava, especialmente através da Igreja, mas não só", sublinhou o jornalista inglês, que apresenta em Coimbra, na terça-feira, a estreia do seu mais recente documentário "A Língua, a Luta, a Nação", sobre o papel do português na construção da nação timorense.

Para ilustrar tal consideração, o jornalista inglês recordou que os activistas escreviam documentos em português durante a luta pela independência, assim como os comandantes "que lutavam no mato" e faziam questão de enviar mensagens em português, "apesar de os soldados não entenderem" a língua.

"Mais do que um papel simbólico, [a língua] estava na base da luta", vincou.

Max Stahl recordou que Timor-Leste "tem muitas línguas e dialectos", sendo que "a sobrevivência" de Timor-Leste enquanto nação "depende de valores, mas também de algumas bandeiras e símbolos".

"Porque é que os timorenses não são indonésios? É por isso que há uma determinação de vários líderes de que esta língua vai sobreviver em Timor", notou, sublinhando que o português "vai crescer" e que nunca houve "tantos timorenses" a falá-la, apesar de ainda ser uma percentagem reduzida.

Max Stahl falava aos jornalistas à margem do colóquio que se realiza hoje em Coimbra, intitulado "Timor: mil palavras, mil imagens", em que participam investigadores que abordam a relação entre os ‘media' e o processo de independência de Timor-Leste e jornalistas que acompanharam esse mesmo processo.

Depois de muitos anos a procurar contar "a história de luta pelos valores da dignidade humana" em vários países em guerra, o jornalista inglês conseguiu recolher imagens em Timor-Leste que acabaram por mudar o curso dos acontecimentos.

"Foram uma porta, uma janela para outros jornalistas contarem e fazerem a ponte entre esses jovens e o mundo", numa altura em que, apesar da situação dramática vivida no país, "ninguém estava interessado".

Max Stahl estava "sozinho, com jovens sem qualquer poder ou perspectiva, mas que nunca abandonaram os princípios que tinham", contou o repórter inglês que considera que um jornalista sem valores e sem "uma base consciente" é uma "pessoa muito perigosa".

"Não acredito no jornalista neutral. O jornalista neutral é muito perigoso", sublinhou.

A Universidade de Coimbra assinala os 25 anos do massacre de Santa Cruz e os 20 anos do Nobel da Paz atribuído a Ximenes Belo e José Ramos-Horta, com a presença dos laureados, exibição de documentários, exposição, debates, numa iniciativa que decorre entre hoje e o dia 16.

com Lusa

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Max Stahl foi o corajoso jornalista inglês que filmou e divulgou o massacre de Santa Cruz, em que as tropas indonésias mataram cerca de 400 civis timorenses. Afirma o evidente: sem Portugalidade, não pode haver ideia de nação em Timor. Assim é também, como tem dito a Nova Portugalidade, com todos os países portugueses.


A PORTUGALIDADE É ISTO

Foto de Nova Portugalidade.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

UM PRÍNCIPE PRESO, MORTO E ESQUECIDO PELA LIBERDADE DOS PORTUGUESES

Foto de Nova Portugalidade.

Foi uma espécie de Dom Fernando, o príncipe de Portugal que morreu encarcerado em Tânger para que se não abrisse mão de Ceuta. Irmão de Dom João IV, Rei de Portugal após a revolução nacional de 1640, Dom Duarte de Bragança era Senhor de Vila do Conde e um dos mais importantes aristocratas do Reino. Era filho de Teodósio II, Duque de Bragança e, como o seu irmão restaurador, meio-castelhano de nascimento: a sua mãe era Ana de Velasco e Girón, filha, por sua vez, de Juan Fernández de Velasco y Tovar, importantíssimo nobre espanhol e 5.º Duque de Frias, 3.º Marquês de Berlangas, 7.º Conde de Haro e 11.º Condestável de Castela. Nasceu em 1605, em Vila Viçosa. Em 1634, pretendendo glória castrense e livre que era das obrigações do seu irmão, Duque desde 1630, Dom Duarte rumou à Alemanha. Passou a servir os exércitos do Imperador Fernando III, cunhado do Rei Filipe III & e IV de Portugal e Espanha.

Em 1638, encontrando-se Dom Duarte de visita a Portugal, foi-lhe sugerido pelos que já planeavam o vindouro levantamento anti-espanhol que ficasse em Lisboa e tomasse, chegada a revolução, o mando dos exércitos portugueses. O Senhor de Vila do Conde terá considerado esse caminho de acção, mas recusou-o em virtude dos seus deveres com o Imperador. Estes factos narra-os pena anónima em "Relação de tudo o que passou na felice Aclamação do mui Alto & mui Poderoso Rei D. JOÃO O QUARTO, nosso Senhor, cuja Monarquia prospere Deos por largos anos", obra publicada em 1641 e frequentemente atribuída ao Padre Nicolau da Maia e Azevedo. Quando sobreveio a Revolução, pois, e tomou a coroa portuguesa o Duque de Bragança, Dom Duarte achava-se na Alemanha para dar luta às forças protestantes da União Evangélica. Madrid, temendo que o experiente general português regressasse à península em defesa dos direitos do seu irmão, tramou a sua prisão e exigiu-a à Áustria, que a concretizou. Duarte, que estava na Alemanha como servidor de Fernando III, foi por ele feito prisioneiro e entregue às autoridades espanholas. Seguiu para Milão, onde o tiveram aprisionado até 1649. Morreu nesse ano, vítima de anos de clausura e privações de toda a estirpe.

O triste fim sofrido por este príncipe de Portugal causou abundante comoção entre os portugueses de então. A corte cobriu-se de negro ao conhecer a morte de Dom Duarte, e o seu destino trágico, traído que foi o português às mãos do imperador que tão fielmente servira, foi motivo de escândalo e exasperação. O seu corpo jamais foi devolvido a Portugal, e o túmulo que Dom João IV dedicou ao irmão em Vila Viçosa mais não é que um cenotáfio. Lêem-se lá estas palavras: "Neste túmulo deveriam recolher-se os despojos mortais do Infante Dom Duarte de Bragança, que pela Fé de Cristo sete anos batalhou nos exércitos do Imperador da Alemanha. Recompensados seus gloriosos feitos com vil traição, foi o Príncipe português levado agrilhoado para o Castelo de Milão depois de inumeráveis afrontas e ultrajes, lá morreu encarcerado em 1649, aos quarenta e quatro anos de idade. Não podendo cumprir-se o seu desejo de para sempre repousar nesta igreja, por se terem dispersado as cinzas do seu corpo, aqui seu nome se guardará para eterna memória de tão alto sacrifício pela Liberdade da Pátria."

RPB

VELOSO SALGADO, ARTISTA COM INÚMERAS OBRAS ALUSIVAS À HISTÓRIA PORTUGUESA

Foto de Revivescência Tradicional.

El-Rei D. Dinis Administrando Justiça (King Denis of Portugal Administers Justice), 1899. Painel pintado no Palácio da Bolsa, em Porto, Portugal, e obra de Veloso Salgado (1864 – 1945), pintor nascido na Espanha mas naturalizado português em 1887. Formou-se como artista em Portugal, inclusive.

REVER MITOS: O "ABSOLUTISMO"

Foto de Nova Portugalidade.

No tempo do "absolutismo", os concelhos no reino e no Ultramar eram unidades políticas representativas e autónomas, gozavam de privilégios, foros e liberdades, eram governados pelas elites locais e possuíam riqueza, força negocial, produção legislativa e autodeterminação. A simples visita de um aristocrata, de um prelado, um juiz de fora, um cobrador de impostos, a passagem de uma coluna militar ou a visita do Rei ou de um seu representante careciam de autorização do corpo representativo. Quando Lisboa se lhes impôs, passaram a ser governados do Terreiro do Paço, foram submetidos à tributação fiscal, perderam isenções, privilégios e liberdades, viram a representação usurpada por políticos profissionais e por governadores. No tempo do "absolutismo", eram cidadãos de concelho todos os homens livres maiores de idade. Quando isso acabou, o corpo eleitoral passou a ser censitário e fixado nos limites dos beati possidenti, dele se excluindo todos quantos não fizessem prova de posse de propriedade e riqueza. A cidadania plasmada pela Constituição Histórica e pela indiferenciação dos súbditos perante o Rei foi substituída por uma abstracção de "cidadania" que ainda hoje se contenta em enunciar direitos desligados da capacidade interventiva das pessoas.

No tempo do "absolutismo", eram portugueses de direito todos os cristãos que vivessem nos concelhos do Reino ou do Ultramar e aceitassem os princípios da monarquia orgânica de poder indirecto. Da costa de África aos confins do Oriente, as comunidades auto-governavam-se, não havia distinção de origem étnica, a posse do património público era fiscalizado, as instituições matriciais da unidade social - o concelho e a misericórdia - regiam-se por regimentos próprios. Quando tudo isso foi proscrito, os naturais passaram a súbditos, logo depois colonizados e a ideia de "português" foi varrida pelo preconceito racial. De longe chegaram em catadupa leis, regulamentos, avisos e burocratas estranhos ao meio e a propriedade pública e das missões foi usurpada por administradores nomeados pelo centro do poder distante e cego.

No tempo do "absolutismo", sobretudo na sua fase final, governantes notáveis houve que propugnaram a via da industrialização (José Acúrcio das Neves) e da revitalização global do comércio português (Miguel de Arriaga) no quadro da parceria luso-britânica. Portugal, através do ainda polémico tratado de Comércio e Navegação Luso-Britânico de 1810, passou a ser, de facto, uma economia liberal e capitalista, mercê da aplicação do alvará com força de lei de 4 de Fevereiro de 1812, que procurou organizar o livre comércio entre as diversas partes do império. Depois, tudo caiu nas mãos de banqueiros, prestamistas e usurários.

MCB

“ALGUNS PRESIDENTES PERCEBERAM QUE O PAPEL QUE O PAÍS QUER DO CHEFE DE ESTADO É O DE REI”

Paulo Rascão | MadreMedia

Os incêndios, reordenamento do território, dívida Pública, Língua Portuguesa, o papel do chefe de Estado e o do representante da família real, o que fez e faz em Timor-Leste, pela Diáspora na Ásia, na Síria e nos países africanos de expressão portuguesa, a questão catalã, as monarquias e as democracias. O Duque de Bragança anda pelo mundo e pelo país, é recebido em câmaras comunistas e conservadoras, e abriu a porta de uma casa para falar ao SAPO 24.


O S.A.R, Duque de Bragança Dom Duarte Pio recebeu o SAPO 24 no coração de Lisboa, em pleno Chiado, na Rua Duques de Bragança, num prédio a uns metros da Fundação Manuel II, uma instituição particular, sem fins lucrativos, de assistência social, educacional e cultural, com acções no território português, nos países lusófonos e nas comunidades portuguesas em todo o mundo.

Recebeu-nos a servir, ele mesmo, um chá honeybush, chá medicinal sul-africano. Bebemos antes de arrancar com uma conversa de cerca de duas horas, uma conversa que terminou com Dom Duarte Pio, de novo na cozinha, a fazer uma tosta de queijo (açoriano) e a servir um copo de vinho. A que se seguiu mais uma hora de conversa.

Se ao início, fomos apresentados a Dom Afonso Maria, filho mais velho, que nos abriu a porta, no final cumprimentámos Dom Dinis Maria, o filho mais novo. A filha Maria Francisca esteve presente em relato sobre a sua presença no baile de debutantes em Paris em que foi apresentada à sociedade. A mulher, Isabel Herédia, veio à conversa quando se falou de carros eléctricos ou não conduzisse ela mesmo um.

Numa sala com paredes decoradas de estantes com livros, pontificava ao centro, numa mesa, um pato embalsamado, que sobressai entre livros, conversou-se sobre dívida pública, incêndios, reordenamento do território, da questão catalã, Portugal, a preservação da língua portuguesa na Diáspora e do papel que D. Duarte, passado e presente, de Timor a Angola, das monarquias e da República.

Muita da acção e intervenção de D. Duarte “mora” fora de Portugal. Exemplifica com Timor-Leste, Síria, África e Ásia. Suspira um lamento: não ter sido mais interventivo no seu próprio país.

Olha para Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, e reconhece que é esse o papel que se espera de um rei.

No seu discurso do jantar dos Conjurados (jantar que antecede o dia 1 de Dezembro) tocou em vários assuntos.

... Falo todos os anos sempre de assuntos de interesse geral e de outros temas mais de interesse dos monárquicos. Tem a ver com uma certa cultura política que interessa aos monárquicos ou aos que manifestam interesse no tema e tem dúvida se são republicanos ou não.


"MARCELO TEM FEITO UM PAPEL EXTRAORDINÁRIO, RECONHECIDO PELO PAÍS TODO."

Ainda há pessoas com essas dúvidas?

A maioria dos portugueses não tem uma opinião segura. A sondagem do centenário da República, 40% disse não se sentir republicano. Uma sondagem que custou 10 milhões de euros e nunca foi divulgada. A sondagem anterior, 29% eram favoráveis a um rei em vez de Presidente da República.

O papel do presidente da República é o que defende que deveria ser o do Rei. Marcelo Rebelo de Sousa faz o que gostaria de fazer?

Faz. Como fez o general Ramalho Eanes. Alguns presidentes da República perceberam que o papel que o país quer do chefe de Estado é o papel de Rei. O público suspeita sempre que um presidente de origem partidária tenha simpatia com o seu partido. A independência política é posta em causa, com excepção de um militar, que não tem um partido por detrás. Marcelo tem feito um papel extraordinário, reconhecido pelo país todo.


créditos: Paulo Rascão | MadreMedia

No discurso falou dos incêndios e de ordenamento do território.

Gonçalo Ribeiro Telles antes de entrar para o governo [em 1976 com Mário Soares e entre 1981 e 1983 com Francisco Balsemão] explicava como deveria ser a política de desenvolvimento rural e política florestal. Na altura era uma utopia. Depois houve consenso sobre posições tomadas [reserva agrícola nacional e ecológica]. O pinhal de Leiria, com 700 anos, é do Estado e nunca tinha ardido, mostra algo de profundamente errado na nossa política florestal. Não se pode pedir aos proprietários, por norma gente sem recursos e idosa, que limpem as florestas quando não há compensação económica. Tem que haver uma gestão associativa da floresta com o Estado a ajudar nos custos de manutenção e actividades económicas rentáveis no Interior que atraiam populações.

Que actividades económicas. Agricultura e/ou indústria?

Ambas. Fixa populações. A indústria pelo país torna muitas vezes a agricultura como uma actividade complementar. Há concelhos em que a única actividade remunerada advém das câmaras municipais.


"HOJE ESTAMOS A IR PELO MESMO CAMINHO COM UMA DÍVIDA PÚBLICA DE 130% EM RELAÇÃO AO PIB. EM QUALQUER EMPRESA SERIA UMA FALÊNCIA."


Ainda em relação aos incêndios...

Os bombeiros, gente muitíssimo dedicada que põe em risco a vida são indispensáveis. Agora, há qualquer coisa de muito errado na estratégia de combate aos incêndios. As Forças Armadas estavam proibidas de participar no combate porque, segundo a versão de governos anteriores, é uma concorrência desleal contra as empresas privadas de combate aos incêndios florestais... E depois as leis. Os nossos incendiários são considerados tontinhos. Poucos são presos. Noutros países são tão graves como os assassinos.

A questão financeira do país também foi abordada. Revisitando, como viu a intervenção do FMI. Teria feito diferente?

Foi lamentável que se tivesse chegado a essa situação. Não sei se havia alternativas para a irresponsabilidade de governos anteriores que levaram o país a essa situação de falência. Hoje estamos a ir pelo mesmo caminho com uma dívida pública de 130% em relação ao PIB. Em qualquer empresa seria uma falência. Há possibilidade de corrigir, mas não se pode gastar o que não se ganha e não se tem. Temos que aproveitar uma altura em que o país está um pouco melhor, em que há uma certa recuperação, para pagar a dívida e não aumentar.


"EM PORTUGAL VOU FAZENDO O QUE POSSO. AS CÂMARAS MUNICIPAIS CONVIDAM-ME E À MINHA FAMÍLIA PARA ACTIVIDADES CULTURAIS. TODAS, DESDE O PARTIDO COMUNISTA AO CDS."

Deveríamos aproveitar para pagar a dívida pública?

Na Fábula de La Fontaine, a formiga trabalhava e a cigarra cantava no verão e morria à fome no inverno. Somos um bocado a cigarra. É síndrome republicano. O que o que importa são os próximos 4 anos, eleitorado contente e ganhar eleições. Nas monarquias, mesmos aquelas em que aparentemente o rei não tem nada a dizer, têm uma grande influência junto dos políticos. O rei da Bélgica, Suécia, Dinamarca e Reino Unido, conversam com os políticos, ajudam a criar consensos e acordos e previnem contra a corrupção. Sobretudo estão preocupados que os netos herdam um país em condições. Os republicanos têm, normalmente, uma visão de curto prazo.

Falemos do D. Duarte. O que faz e por onde anda?

Em Portugal vou fazendo o que posso. As câmaras municipais convidam-me e à minha família para actividades culturais. Todas, desde o partido comunista ao CDS. Entre 50 a 60 convites por ano. Participo em várias organizações, desde assistência social, ambiental.

E fora de Portugal?

Nos países da CPLP, todos eles, no Brasil a minha importância advém de ser descendente da Rainha Isabel que foi quem libertou os escravos... tenho tido experiências interessantes. Desde governadores angolanos que me convidam porque a minha presença ajuda nas suas relações públicas porque há uma grande popularidade em Angola, Moçambique e Guiné em relação ao Rei de Portugal.


créditos: Paulo Rascão | MadreMedia

A sua relação a Timor é próxima. A que se deve?

O parlamento timorense deu-me a nacionalidade e o governo um passaporte diplomático. É muito prático quando vou, por exemplo, a Angola. Perguntam-se sempre: passaporte encarnado (risos)?

Mas é só para ter um passaporte?

Não. É uma grande satisfação participar na vida do país. Em 1974, no começo do 25 de Abril, fui pela primeira vez e fiquei impressionado com o sentido de tradição do povo e respeito pelos antepassados. Durante a ocupação Indonésia, com o Ramos-Horta criámos o movimento internacional de apoio a Timor com a ajuda do senador Kennedy e dos estudantes portugueses em Rhode Island. Em viagem à Indonésia, com o Bispo D. Ximenes Belo e o Mário Carrascalão, convencemos o governo indonésio que tinha de mudar de atitude. Não tinha aconselhado que fizessem o referendo. Fizeram e correu mal.

Falou das tradições do povo timorense. Não há em Portugal?

Não é tão profundo. Ainda hoje o timorense no interior se lhe perguntarem se são portugueses, dizem que sim, são portugueses. São timorenses, mas também portugueses. Foi um acordo tomado pelos seus antepassados com os Reis de Portugal. É uma aliança de 500 anos.
 
Portugal republicano esqueceu essa Diáspora na Ásia?

Naquela região há muita gente ligada a Portugal que não ligamos nenhuma. Na Birmânia, há cidades portuguesas. Na Tailândia, em Banguecoque, há quatro paróquias portuguesas. Há 10 mil católicos descendentes de portugueses. Em Ceilão é fortíssima a nossa presença. No ano passado, com o apoio da Fundação Manuel II e do governo timorense organizou-se, em Malaca, o primeiro Congresso dos luso-descendentes da Ásia. Para o ano será em Timor.

Está mais virado para a CPLP do que para Portugal?

A Fundação Manuel II colabora para a preservação da língua portuguesa no mundo e em programas de assistência rural em África. Somos aliados de uma das fundações observadoras da CPLP. E tenho tentado por o Brasil (com uma capacidade e conhecimento cientifico aproximado dos Trópicos) a colaborar com África e Timor. A Fundação Padre Anchieta, governo do Estado de S. Paulo, está a colaborar com o envio de filmes portugueses. Faltam programas em português na televisão timorense.

 
Mas o governo português não disponibiliza?

Disponibiliza através da RTP Internacional e RTP África. Mas a RTP Internacional está mais virada para a Europa e para as comunidades que aqui vivem e gostam mais de futebol (risos).

"A MELHOR SOLUÇÃO SERIA A CATALUNHA SER UM REINO UNIDO COM A ESPANHA."

D. Duarte não gosta de futebol?

Gosto. Da festa e do público. Do jogo que é estimulante. Acho que o desporto devia ser amador, sei que é utópico... Os clubes profissionais, reconheço, possibilitam a prática desportiva. Mas o desporto profissional é uma contradição. Não deve ser um circo. Deve ser uma actividade de estímulo, em que todos deviam concorrer sim, mas seguindo o exemplo grego e o renascimento do espírito olímpico.

Mudando de assunto: A questão catalã.

A cultura tem para alguns povos mais importância que os factores económicos e políticos. A Escócia não tem interesse económico e político em abandonar o Reino Unido. No caso de Catalunha é sobretudo a questão cultural. A maioria aparentemente não é a favor da separação de Espanha. Mas a maioria não foi votar.

Que solução defende?

Tenho sugerido que a melhor solução seria a Catalunha ser um reino unido com a Espanha. Daria toda a vantagem cultural e espiritual de ser um reino e não criava os traumatismos de uma separação política com Espanha. Infelizmente os independentistas catalães são muito radicais e seguem aquela linha desastrosa da 1ª República catalã em que perseguiram padres e católicos. Esse radicalismo receio estar muito presente no movimento independentista catalão.

"NÃO SE PODE CONTINUAR A FAZER ESSA CONFUSÃO ENTRE REPÚBLICA E DEMOCRACIA."

E o resto da Europa? Também assistimos a alguns movimentos...

Há movimentos culturais. Córsega, Bretanha, Itália do Norte, reinos de Nápoles, são uma revolta dos povos contra uma uniformização cultural que está a ser imposta. O país que dá o melhor modelo que deveria ser a União Europeia é a Suíça. A cultura de cada Cantão é muito respeitada. Há leis diferentes. E há Cantões em que se vota ainda por braço no ar. A Confederação Helvética não pertence à UE é porque consideram que põe em causa a própria identidade.

Há partidos europeus que defendem uma monarquia constitucional. É esse o seu modelo?

É o único que existe hoje. As monarquias europeias, ocidentais, asiáticas, como a Tailândia e Cambodja, são monarquias democráticas. Marrocos é mais democrático que alguns países do Magrebe. Muitas são mais democráticas que as repúblicas na mesma zona. Não se pode continuar a fazer essa confusão entre república e democracia. O Dr. João Soares disse muitas vezes que a maior parte das monarquias são mais democráticas que a maioria das repúblicas.

O único aspecto em que uma república é mais democrática que uma monarquia é simbólico: ter um chefe de estado eleito. Só que antes é escolhido pelos partidos. Se não o for, não consegue.
 
"[DOM AFONSO] ESTÁ MENTALIZADO QUE ESTÁ AO SERVIÇO DE PORTUGAL. TODOS ELES ESTÃO."

Assiste-se hoje a uma renovação da própria monarquia. Os príncipes ingleses e espanhol não casaram com princesas?

 
É consequência do espírito das monarquias. Os Reis tentaram ser o símbolo da sua época. Na Idade Média estavam na frente das batalhas, na Renascença eram os defensores do progresso, cultura e ciência. E hoje, o único valor da nossa época é a democracia. Por isso, os príncipes fazem casamentos democráticos.


créditos: Paulo Rascão | MadreMedia


O seu filho D. Afonso está preparado para a sucessão?

Está mentalizado que está ao serviço de Portugal. Todos eles estão. Para além de se governarem economicamente têm sempre que contar que o país pode precisar deles. Agora, como é que o país quer ou quererá, não sei. Pode ser como eu, fazendo diplomacia complementar à diplomacia do Estado, na divulgação da língua portuguesa. Ou pode ser que o povo português queira o meu filho como chefe de Estado.

"UM EUROPEU SER ANTIMONÁRQUICO É UM INSULTO ÀS MELHORES DEMOCRACIAS EUROPEIAS QUE SÃO MONARQUIAS."

Tal implicaria uma alteração constitucional?

É. A Constituição da República proíbe que se coloque em causa a forma republicana de governo. É uma frase mal colocada porque o que se põe em causa é uma forma republicana de chefia de estado. E em Portugal o presidente da República não governa. Os Reis reinam, mas não governam. São necessários dois terços dos deputados para mudar.

Os deputados teriam de mudar o sistema em si. Acredita?

Poderá mudar no dia em que o nosso parlamento for verdadeiramente democrático e não tiver preconceitos ideológicos antimonárquicos. Um europeu ser antimonárquico é um insulto às melhores democracias europeias que são monarquias. Países nórdicos, Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido. Não são menos democráticos que Portugal. São até mais porque não tiveram interrupções nas suas democracias. A única monarquia europeia que viveu um período pouco democrático foi a Itália de Mussolini.

 
Sente falta de um partido monárquico no Parlamento?

O PPM [Partido Popular Monárquico] foi um partido sério e útil com Ribeiro Telles e Henrique Ruas. Pela primeira vez debateu-se a nível nacional a questão monárquica e introduziu a ecologia. Hoje não faz muito sentido quando há monárquicos em todos os partidos. Não se pode contestar o direito de um partido ter no seu programa ideias monárquicas.

Teria que começar na Assembleia da República?

Por aí acho que não se vai lá porque quase todos os monárquicos têm outras opções importantes para eles. Por isso acham preferível apoiar outros partidos.

 
Olhando para trás arrepende-se de algo que fez ou que não fez?

Arrependi-me de algumas iniciativas políticas que podia ter tido e não tive, foram oportunidades perdidas. Podia ter sido mais interventivo.


"FUI ÚTIL LÁ FORA. AQUI OS POLÍTICOS NÃO ME OUVEM MUITO."

E de que se orgulha de ter feito ou ter contribuído?

As grandes iniciativas políticas... as negociações em Timor. O acordo entre o movimento de libertação de Cabinda e o governo angolano. A negociação que lancei na Síria, embora não tenha corrido muito bem porque os movimentos mais radicais islâmicos não quiserem participar. Provavelmente os movimentos moderados e o governo sírio [de Bashar al-Assad[ vão seguir a proposta. Na altura concordaram com um governo de unidade nacional e em retirar os privilégios ao partido Baath. Não impor uma democracia totalmente livre, porque seria perigoso, mas sim de consensos.

Foi mais interventivo fora de Portugal. Lamenta?

Fui útil lá fora. Aqui os políticos não me ouvem muito. Não lamento. Recordo-me da minha proposta para o Ultramar em que propus uma espécie de Commonwealth. Organizei uma lista de candidatos para as eleições de 1972. O Marcelo Caetano expulsou-me de Angola, fui também expulso de São Tomé onde estava a organizar uma lista de candidatos à Assembleia Nacional. Marcelo Caetano tinha razões que eram muito pouco patrióticas. Já tinha negociado com os EUA e África do Sul para a independência de Angola. Não era aquilo que interessava aos angolanos. Em 1975 tentei aproveitar as liberdades democráticas, mas fui impedido. Em São Tomé fui expulso três vezes.


créditos: MadreMedia | Paulo Rascão

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

NAGASÁQUI, A PORTUGUESA

Foto de Nova Portugalidade.

Com excepção de Helenos e Romanos, nunca povo algum emulou os portugueses na edificação de cidades ou na conversão de insignificantes povoados em pujantes metrópoles comerciais, políticas e religiosas. De Luanda a Bissau, Cacheu e Ilha de Moçambique, Beira e Lourenço Marques, de Ouro Preto a Mariana, Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Recife, Salvador, Olinda, Diamantina, Rio de Janeiro e São Paulo, de Goa a Colombo, Diu, Damão, Bombaim, Macau, Calcutá, Chittagong, Djacarta e Bangkok, nos limites do seu império ou em regiões onde espontaneamente surgiram comunidades católicas, Portugal escreveu páginas de ouro na história do urbanismo.

No Extremo-Oriente, assim que tocaram as ilhas nipónicas em Tanegashima (1543) e Hirado (1550), lançaram-se os portugueses em irreprimível surto de construções que marcaram profundamente a paisagem urbana do sudeste japonês durante o Século Cristão. Em busca de negócios, logo sobreveio a paixão ardente do proselitismo. Em 1549, Francisco Xavier desembarcou em Kagoshima e lançou-se à conquista espiritual daquele arquipélago nos confins do mundo. Incomodados pela proximidade dos senhores feudais japoneses, e não se-lhes querendo submeter, os portugueses encontraram em Kyushu um local que correspondesse às premissas que encontramos na maioria das cidades marítimas portuguesas de Quinhentos: um istmo com porto natural de águas profundas, larga enseada, praias arenosas, colinas circundantes.

Esse lugarejo encontrado era Nagasáqui. Em 1571, iniciou-se a febril construção daquela que viria a ser a capital cristã do Japão, e no ano seguinte ali lançava ferro a primeira nau do trato. O povoado cresceu, trepando pelas colinas, atraindo milhares de camponeses em busca de uma mudança nas suas vidas. Ora, tal mudança deu-se não só pela riqueza que ali afluía, mas pela surpreendente mensagem de Amor, fraternidade, misericórdia e salvação que a religião dos portugueses proclamava. O impacto do cristianismo foi profundo, e logo acorreram dezenas de milhares, e depois centenas de milhares de japoneses à nova fé que se lhes revelava pela pregação daqueles padres de longas barbas e sotainas negras tomados de fogo predicador.

O mais notório destes pescadores de almas era um certo Luís de Almeida. Cristão-novo e herborista , chegara ao Oriente em 1548 para se dedicar ao comércio, mas subitamente, em 1552, tomado de ardente crise mística, abandonou o caminho das riquezas mundanas e trocou-as pela busca dos tesouros de Deus, integrando a Companhia de Jesus sem, contudo, ser ordenado sacerdote. Fixou-se em Hirado, mas depois decidiu-se por Nagasáqui, onde abriu uma enfermaria, acolhendo e tratando as enfermidades dos camponeses e pescadores, praticando com grande saber a cirurgia. Tal foi o sucesso das suas intervenções que o seu nome passou a atrair multidões que acorriam ao pequeno hospital tratando-o por Pai. Tido por homem de poderes sobrenaturais, logo lhe pediram que lhes desvendasse os segredos Daquele Deus que se dizia curar os corpos e as almas.

Na antiga aldeia havia um templo budista, que logo se esvaziou de seguidores do Iluminado para se converter em igreja. Porém,verificou-se que tal templo era exíguo, pelo foi construída uma igreja branca que recebeu o nome de São Paulo e que se tornou no principal edifício da cidadezinha. A primeira imagem colhida por quantos, vindos do mar, se acercavam do porto de Nagasáqui, era São Paulo: alta, de paredes em alvenaria e fachada branca, um sino e grandes janelas envidraçadas que coavam a luz.

Em finais do século XVI, Nagasáqui era uma cidade cristã, pelo que a cultura nipónica de base foi sofrendo mutações, cedendo à pressão da aculturação que se espraiou na forma de vestir, na culinária, na contagem do tempo, nos objectos do quotidiano e formas de falar próprias das comunidades cristianizadas. Depois, sobrevieram as grandes perseguições, o catolicismo foi banido, os padres expulsos, os fiéis martirizados ou obrigados a esconder por séculos a sua fé. Tudo isso resistiu em clima de ocultação. Hoje, todos os anos, os habitantes de Nagasáqui celebram um grande festival, designado Kunchi, onde o nome, os símbolos e marcas de Portugal são lembrados como parte do carácter da cidade.

MCB

POEMA AO ALENTEJO

Foto de Nova Portugalidade.


Há um poema ainda por escrever,
Ao Alentejo que me viu nascer.
Há um luar, lindo, de Agosto,
Banhando de ternura o nosso rosto,
Na quietude do anoitecer…
-Paradigma do sol-posto-
Saudade aconchegada no meu peito.
Há o som, sussurrado, do riacho,
Correndo sempre do seu jeito,
Refrescando o povo, exangue.
Há o gosto da açorda e do gaspacho.
O vermelho das papoilas, cor de sangue.
O bailado da seara a ondular.
A voz forte, dos homens a cantar,
Num som de súplica, dolente,
Dizendo do sentir da sua gente.
Há o sol quente do Verão,
A lembrar o cheiro do nosso pão.
Há uma força, tranquila,
Na vastidão do Alentejo.
Há um vento, morno, que sibila,
-Nostalgia dum Outono que desejo-
Olhando a planície, eu aprendi,
Que amar o Alentejo não se explica.
É coisa que acontece, coisa que fica.
É a síntese de tudo o que escrevi.

Lisette Alvarinho, LiberArti (liberarti.com)


A INDEPENDÊNCIA COMPLETA NÃO É POSSÍVEL ENQUANTO PERDURAR A OCUPAÇÃO DE CABINDA

João Lourenço

A independência completa de Angola, que João Lourenço defendeu no passado dia 11 de Novembro, não é possível enquanto a ocupação beligerante de Cabinda por Angola ("Portugal") perdurar. A ilegalidade e ilegitimidade do poder político Angolano no território de Cabinda, bem conhecidas das nações imperialistas Europeias que entre 1600 e 1883 bateram-se violentamente por Cabinda, fazem do Estado Angolano um inestimável refém. Enquanto refém, jamais o Estado Angolano poderá exercer a sua plena soberania sobre os recursos naturais do país ou sobre os proventos financeiros desses recursos. Só não sabe disso quem não quer! É o facto de o Estado Angolano ser refém que explica a degradação social cada vez maior tanto em Cabinda como em Angola, para além de explicar as evaporações cíclicas de bilhões de dólares dos cofres do Estado e do malogrado fundo soberano. Sabemos, de fontes fidedignas, que o presidente António Agostinho Neto foi morto por ter manifestado desejo de dialogar com os Cabindas, aquando da sua visita a Kinshasa entre 19 e 21 de Agosto de 1978, em vista da restituição a Cabinda da sua soberania política. Por isso, sabemos que a resolução do problema de Cabinda requer inteligência, disciplina e coragem por parte dos Cabindas e dos governantes Angolanos, pois são numerosas as entidades internacionais que querem continuar a viver à custa do Estado Angolano enquanto refém. Impõe-se uma mesa de negociações entre os Cabindas e o poder Angolano representado pelo presidente João Lourenço, pois urge contemplarmos as fórmulas que permitam erradicar de uma vez por todas o desacordo político-jurídico persistente entre Cabindas e Angolanos ("Portugueses"). As nossas pesquisas revelam que "libertar Cabinda é resgatar Angola e os Congos." Para dados adicionais, eis aqui os formatos PDF dos livros "Cabinda: Obama's Challenges in Africa" e "Save the Congo, to Stop World War III": 






domingo, 10 de dezembro de 2017

RTP ARQUIVO: O CASAMENTO DOS DUQUES DE BRAGANÇA





Lisboa, Mosteiro dos Jerónimos, 13 de Maio de 1995.
Casamento de SS.AA.RR. os Duques de Bragança, Senhor Dom Duarte e Senhora Dona Isabel.

EM DEFESA DA GRANDE ORATÓRIA LUSA, CONQUISTADORA DE CORAÇÕES

Foto de Nova Portugalidade.

Já há muito que deixei de assistir a conferências pois, entre nós, aquilo a que se dá o nome de conferência é um penoso, interminável e cansativo exercício de leitura - amiúde monótona, monocórdica e enfatuada - de uma resma de papel perante um público semi-adormecido e cabeceante. Desculpam-se os nossos leitores de papéis que a língua portuguesa não oferece campo para grandes rasgos oratórios. Desculpam-se estes coveiros da comunicação que o discurso vale pelo conteúdo e não pela forma, presumindo que um discurso deve reproduzir um compêndio de erudição pelo qual o [falso] orador exibe conhecimentos. Não, o problema não está na língua, mas nos leitores de papéis, no seu acanhamento, insegurança e falta de inspiração.

Os espanhóis, os italianos, os franceses e os nossos irmãos brasileiros são mostra sobeja daquela eloquência corporal que faz das línguas latinas esplêndido campo para a boa teatralização do discurso. Como lembrava Manuel Teixeira Gomes, "nós, latinos, precisamos de acompanhar o movimento do cérebro com o movimento das mãos, que sublinha e ampara o pensamento". Ao negá-lo, reduzindo o discurso a uma sensaborona leitura, privamos a língua da chama e da paixão racional que lhe dá vibração. A boa oratória não é prolixidade. A boa oratória é verbo e movimento, incandescência que conquista inteligências e corações, retira dos túmulos gelados sentimentos represados, desperta a fantasia, casa o vernáculo com a espontaneidade e demonstra que é na língua que reside a cultura de um povo.

Parece que em Portugal essa prodigiosa capacidade se apagou com o fim da Companhia de Jesus e das ordens religiosas vocacionadas para a predicação, as quais conheciam o valor da comunicação e da aventura do discurso sem papéis. Desses séculos de vivência com a língua como arma feita de paixão, persuasão e conquista ficou pouco, muito pouco. Desde então, umas figuras pálidas, imóveis, recolhidas e escravas de papéis passaram a desencantar a língua, secando-a e enfatuando-a. Há, pois, que restaurar nos oradores portugueses essa espontaneidade esquecida, ensinar-lhes a arte da encantação, pois o verbo faz maravilhas. Perante o discurso que [se] mata, há que reencontrar o discurso que humaniza, arranca aplausos, desperta sentimentos, materializa a adesão ou a aversão. No fundo, trata-se de ensinar às nossas crianças a arte de se transcenderem e encontrarem a chama que está represada nos corações. A língua portuguesa precisa, urgentemente, de se libertar dos seus carcereiros.

MCB

PORTUGAL MARROQUINO: O "CASTELO PORTUGUÊS" DE LARACHE

Foto de Nova Portugalidade.

Em Larache podemos encontrar dois fortes, este é o forte de Laqbibat, ou de Hisn Lakbibat, ou de Hisn El-Fath ou Castelo das Cúpulas ou Castelo de San António (como era chamado pelos Espanhóis) ou ... Castelo Português. Foi construído a mando de Almansor logo após a Batalha de Alcácer de Quibir. Almansor sucedeu ao sultão Mulei Malique I, que,como já vos disse, morreu durante a dita batalha devido a ter sido envenenado com “peçonha” uns dias antes e ter ficado muito debilitado, não resistindo ao esforço da guerra. E porque é que lhe chamam a esta fortaleza Castelo Português ? Porque foi desenhado por um arquitecto Italiano ao seviço de D. Sebastião, Filipe Terzi (1), feito prisioneiro de guerra pelos mouros e por mão de obra Portuguesa : os Portugueses aprisionados no fim da batalha de Alcácer de Quibir. Foi considerado pelo próprio Almansor que os prisioneiros Portugueses da Batalha de Alcácer de Quibir tiveram uma importância fundamental na modernização de Marrocos. Larache sempre foi um local infestado de corsários e piratas mouros, nomeadamente os irmãos Barbarrosa. Já ao tempo de D. João II, cerca de 80 anos antes da triste batalha, uma nossa esquadra entra por este porto dentro e para acabar de vez com a pirataria moura. Sobe o rio Mokhazen e constrói a famosa fortaleza da Graciosa, a cerca de uns 20 Km do local da batalha, numa pequena ilha na confluência dos rios Mokhazen e Loukos, de forma a cortar a ligação fluvial entre Larache e Alcácer de Quibir e assim impedir o acesso dos piratas ao mar. A construção da fortaleza da Graciosa é hoje considerada um grande erro estratégico pela escolha do local onde foi erigida, na verdade nem chegámos a finalizar a sua construção. Os nossos avós foram cercados e derrotados por um pequeno exército mouro e tiveram de a entregar a Sidi Al Arous, alcaide Alcácer Quibir, fazendo D. João II um acordo de paz muito interessante com o sultão Mulay As-Sheikh e que ditou uma amizade longa. Aliás, Mulay As-Sheikh já era grande admirador dos feitos nosso D. Afonso V, pai de D. João II, o que pesou neste acordo de paz. A paz com os mouros era fácil, muitos acordos de paz existiram entre os nossos reis e os sultões mouros já desde o tempo do nosso D. Afonso Henriques.

(1) Filipe Terzio, nascido Filippo Terzi, era italiano, acompanhou Dom Sebastião na sua malograda jornada africana e serviu-o como um dos seus melhores arquitectos. Resgatado em 1580 pelo Cardeal-Rei, Terzio regressou ao trabalho no Reino. Sucedeu a António Rodrigues como Mestre de Obras de El-Rei de Filipe I, e deixou obra abundante de que se destacam o Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, o grande torreão do desaparecido Paço da Ribeira, também em Lisboa, e o Forte de São Filipe, em Setúbal. 


Texto e fotografia são da autoria do fotógrafo Rui Pires, amigo a quem a Nova Portugalidade muito agradece a cedência.