ACADEMIA DE VERÃO DA JMP - JUVENTUDE MONÁRQUICA PORTUGUESA

ACADEMIA DE VERÃO DA JMP - JUVENTUDE MONÁRQUICA PORTUGUESA
16 A 18 DE SETEMBRO DE 2016

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO

A CAUSA REAL NO DISTRITO DE AVEIRO
Autor: Nuno A. G. Bandeira

Tradutor

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ATENÇÃO: ÚLTIMAS INSCRIÇÕES PARA A ACADEMIA DE VERÃO DA JMP




Jaime Nogueira Pinto vai falar à JMP sobre a Lusofonia.


O ex-ministro vai falar à JMP sobre o Rei dos Portugueses e a sua inclusão no Protocolo de Estado

O primeiro Presidente da Causa Real, tem muito para contar sobre a Causa onde a JMP se insere. A não perder, no primeiro dia da Academia de Verão.


Joel, que tanto deu pelos jovens monárquicos, vai contar tudo o que é preciso saber sobre a o percurso da JMP até aos dias de hoje.


Luís Lavradio, antigo Presidente da Causa Real, vai falar à JMP sobre a modernidade das monarquias no século XXI.


João Távora vai ministrar-nos um workshop memorável!


No dia 17, Sábado, Aline Gallasch-Hall de Beuvinkfala com a JMP sobre os partidos monárquicos nas três repúblicas.


Ainda há vagas para a Academia de Verão da Juventude Monárquica Portuguesa. A preparar as novas gerações para a construção de um Portugal melhor.



NOTA IMPORTANTE

Inscrição obrigatória para participar na Academia de Verão da JMP.
Lugares limitados!

O período de candidaturas encerra no dia 26 de Agosto.
Passos a seguir:
2. Pagamento da taxa única de €12,50 para o IBAN PT50 0010 0000 52575120001 86 (Banco BPI) dentro do prazo de candidatura.
A taxa única dá acesso a todas as formações (debates, workshop, etc.), bem como a alojamento durante dois dias e alimentação. 
Sunset do dia 17 também incluído!


Para mais informações: geral@juventudemonarquicaportuguesa.pt


INSCREVA-SE AQUI




No sábado, dia 17 de Setembro, a Academia de Verão abre as portas ao público para um magnífico Sunset a partir das 19:00 na Quinta da Subserra em Alhandra (Vila Franca de Xira). Segue-se um churrasco patrocinado pela JMP, com muita música e animação!   

Entrada: a partir das 19:00 e até à 1:00 de dia 18,
  • gratuita para todos os apoiantes PPL e membros da direcção nacional da Causa Real (confirmações até dia 9 de Setembro),
  • €5,00 para o público em geral (inclui comida e bebida à descrição).


  Acesso: comboios da linha da Azambuja e autocarros«Boa Viagem»




Mensagem do Presidente da JMPpara os participantes candidatos à Academia de Verão
“Só com a consciência, bem viva, do que somos, será possível levar a nossa mensagem a cada um dos jovens portugueses. Somos patriotas e por isso queremos o Rei, chefe natural, na cúpula do Estado, como elemento de moralização do sistema político e de equilíbrio entre as instituições. Não somos monárquicos por qualquer outro motivo. Só Portugal nos motiva.
Teremos bem esta consciência? Sabemos o que é ser monárquico? Percebemos o que é Portugal no mundo de hoje? Faz sentido ser patriota? Como monárquicos, sabemos adaptar a mensagem à juventude portuguesa? Como chegar a ela? Estas e outras questões serão debatidas na nossa Academia de Verão. Espero ver-te lá para aprendermos juntos e, como sempre, festejarmos Portugal.
Vem! Participa, por Portugal!”
Todas as informações aqui.
Inscrições aqui.



PROGRAMA DE DIA 16 - TEMA «UM POVO»

9:00 Credenciação (Entrega das credenciais, Regularização de pagamentos e Atribuição dos quartos)
10:30 Pequeno-Almoço


11:00 Boas-vindas: COAV; Introdução ao tema: Presidente da DN; Funcionamento interno da JMP: Presidente do Congresso 

11:30 «Quebra-Gelo» (Jogo e formação de equipas)



12:15 1º bloco: «Histórias e Estórias…» …da JMP: Joel Moedas Miguel
…da Causa Real: João Mattos e Silva

13:15 Almoço
15:00 1º Workshop: Aprender a comunicar a monarquia (web e militância de rua): João Távora
16:00 2º bloco: «Identidade»
A Identidade Portuguesa*
Quem Defende a Identidade*

17:00 Lanche da tarde
17:30 2.º Workshop: Aprender a debater com LisboMUN* (debates: regras e truques)
18:30 1º Debate Interno: Equipas
19:15 1º Quizz: Equipas
20:00 Jantar
22:00 Cine-Debate: «Albert e Victoria» ou «O Discurso de Rei»
*Orador sujeito ainda a confirmação

PROGRAMA DE DIA 17 - TEMA «UMA PÁTRIA»

9:30 Pequeno-almoço
10:00 Introdução ao tema: Presidente do Congresso
10:15 3º bloco: «O Combate Monárquico em República»
Os Partidos Monárquicos nas 3 Repúblicas: Aline Gallasch-Hall de Beuvink
Em Busca de um Caminho para Portugal*

11:15 Lanche da manhã
11:45 As Monarquias Mundiais no século XXI: Luís Lavradio
12:15 1º Debate «Federalismo Europeu: Que soberania?»*
13:15 2º Debate Interno: Equipas - Mote: A Monarquia numa Europa federalista faz sentido?
13:45 Almoço
15:00 4º bloco, em diálogo: «Lusofonia…»
… e Portugal - Jaime Nogueira Pinto*
… Atlântica - Conexão Lusófona*

16:00 2º Debate «A Questão Monárquica nas Juventudes dos Partidos Políticos»: JS, JSD e JP – Mote: Qual a convicção de cada partido acerca da questão monárquica? Qual a sensibilidade às facções monárquicas do eleitorado?
16:45 3º Debate Interno: Equipas
17:15 Lanche
17:45 Formação sobre «A Revisão do Protocolo de Estado» e «O conceito de Rei dos Portugueses»: Pedro Mota Soares
18:15 2º Quizz: Equipas
19:00 Sunset da Academia de Verão da JMP 2016
Convidados: Apoiantes PPL, DN Causa Real e Público em geral


PROGRAMA DE DIA 18 - "UM REI"

9:30 Pequeno-Almoço

10:00 Introdução ao tema: Nuno Pombo

10:15 5º bloco: «O Rei… e o Povo»: Nuno Pombo

11:00 Lanche da manhã

11:30 «O Rei… e a gratuitidade do serviço»

12:15 Sessão de Encerramento
• COAV - Conclusões e entrega dos diplomas
• Presidente da DN
• Presidente da Causa Real


14:15 Almoço-Convívio

15:30 Visita Cultural com o Dr. David Fernandes

*Sujeito a confirmação

NUNO GALOPIM DESVENDA A VIDA DO REI D. MANUEL II


Estreia do jornalismo na ficção com um romance de descoberta do último Rei de Portugal: "Todos sabem o seu nome mas é o que menos conhecemos"

Os Últimos Dias do Rei é o terceiro livro que Nuno Galopim assina em dois anos. Depois de Os Marcianos Somos Nós (Gradiva, 2015) e da biografia dos The Gift, o novo título marca a estreia do jornalista na ficção, a partir da vida de D. Manuel II, monarca sem trono, que, após a implantação da República, se instala nos arredores de Londres, em Fulwell Park, onde morre em 1932, aos 43 anos, sem ter voltado a Portugal. Assume os destinos de Portugal com apenas 18 anos, e sem esperar, após o assassinato do pai, o Rei D. Carlos, e do herdeiro ao trono, Luís Filipe, em 1908. Dois anos depois o regime cai definitivamente. É por aí que o autor começa a narrativa. Para o final, e porque é um apaixonado pelos "e ses..." da ficção histórica, permite-se traçar cenários.
O que é real e o que é ficção em Os Últimos Dias do Rei?
Tudo o que é relacionado com a vida de D. Manuel é factual e resultou de meses de leitura e muita recolha de dados, cruzando várias fontes, para obter o maior número possível de pontos de vista. O que é ficção é a criação de pontos de ligação entre a história de D. Manuel: a história de 2016, que é o motor de todas as descobertas, e o jornalista de 1932 que acompanha [o Rei] nos seus últimos tempos de vida. É através desta relação entre duas personagens fictícias que descobrimos D. Manuel II. Acho que todos os portugueses sabem o seu nome porque foi o último rei de Portugal, mas na verdade é aquele de quem nós, como colectivo, menos conhecemos.
O que descobriu sobre D. Manuel?
Antes mesmo de o Estado português ter tomado posição na I Guerra Mundial, ele ofereceu os seus préstimos ao rei de Inglaterra, tomou partido no esforço de guerra pelos Aliados e trabalhou com hospitais até ao final do conflito. Foi uma figura importante no estabelecimento de novas formas de tratar um certo tipo de ferimentos, ligados sobretudo à ortopedia, pensando não só o tratamento em si, mas a colocação desses feridos no mercado laboral finda a guerra, o que fez dele uma figura muito querida da associação de ortopedistas ingleses. Sabia que era um amante do desporto, mas não fazia ideia que ele tinha estado na final feminina de Wimbledon em 1932, pouco antes da sua morte.
Porque decidiu escrever ficção?
Não decidi, foi o Francisco Camacho [editor da Esfera dos Livros] que me desafiou! Ele perguntou--me muito simplesmente: por que não fazes uma ficção? E eu respondi: sou jornalista, só escrevo sobre coisas factuais, não sei inventar histórias. Ele insistiu. Como não me podem lançar desafios, disse que sim... e procurei encontrar pontes entre o trabalho de um jornalista na sua relação com a realidade de uma forma desapaixonada, correcta, informativa e formativa, e depois o lado do ficcionista que encontra uma trama para lá encaixar estas várias histórias.
Em vez de existir um alter ego, existem dois: o jornalista de 1932 e o estudante de cinema de 2016.
Dividi-me em duas figuras, um jovem recém-formado em cinema que está a viver em Londres, e um jornalista que nos anos 30 entrevista D. Manuel II.
Visitou os locais do livro?
Foi muito importante ir aos espaços: visitar o Palácio das Necessidades e ver onde era o quarto de D. Manuel II, onde era o quarto do irmão, reparar que havia umas escadinhas que levavam ao quarto da rainha, no andar de cima. E, além disso, ir a Londres, não só à loja da Maggs Brothers, que hoje já não está no mesmo espaço do que nos tempos de D. Manuel, mas perceber o que é a loja e sentir o ar daqueles livros. E ir até à casa dele. A mulher dele, Augusta Vitória, vendeu a propriedade algum tempo depois da morte do rei. Essa zona foi loteada. As ruas chamam-se D. Manoel Road, Augusta Road, Portugal Gardens... E é pela toponímia que sabemos que a memória do rei está ali, na igreja onde ele ia, e que tem fotografias dele e uma placa a lembrá-lo, está na loja onde há um livro sobre D. Manuel II, mas cada vez mais essa memória está a dissipar-se. O tempo erode essas memórias e cabe aos livros fixá-las.
Fonte: DN
Publicado por: Monarquia Portuguesa

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

PÃO-DE-LÓ DE OVAR PASSA A PRODUTO PROTEGIDO



A Comissão Europeia atribuiu a Indicação Geográfica Protegida (IGP) ao Pão-de-ló de Ovar, sendo este o 17.º produto português a receber a designação, hoje publicada no Jornal Oficial da União Europeia.

O Pão-de-Ló de Ovar - e a sua miniatura conhecida por Infantes - é um produto de pastelaria à base de ovos, sobretudo gemas, açúcar e farinha.

Apresenta-se dentro de uma forma revestida com papel branco, com o formato de uma 'broa', de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela designada por 'ló'. Tem uma côdea fina acastanhada dourada levemente húmida e com o interior de textura húmida.

O produto que agora recebeu a IGP é confeccionado no concelho de Ovar, freguesias de Esmoriz, Cortegaça, Maceda, Arada, Ovar, S. João, S. Vicente e Válega.

Produção proibida fora de Ovar

O presidente da Associação de Produtores de Pão-de-ló de Ovar defendeu que a Indicação Geográfica Protegida (IGP) hoje atribuída pela União Europeia a esse doce "muda tudo" na sua comercialização, impondo em 90 dias um fabrico mais exigente.

Rui Catalão explicou à agência Lusa que será essa a principal consequência do reconhecimento europeu, que vem confinar a produção dessa iguaria apenas ao território administrativo do município de Ovar e estabelece como ilegal o seu fabrico comercial em qualquer outra localização nacional ou estrangeira.

"Isto é o corolário de nove anos de trabalho e muda tudo", realçou o representante dos produtores vareiros. "As cópias fraudulentas terão de acabar, o processo de fabrico vai passar a ser controlado e o consumidor será mais bem defendido, porque poderá identificar o pão-de-ló original pelo selo da Indicação Geográfica", esclarece.

Para esse efeito, os produtores locais têm agora um prazo de 90 dias para adequar os respectivos processos de fabrico às exigências do Manual de Especificações do Pão-de-ló de Ovar, já publicado em 2015 em Diário da República.

"Esse documento de 60 ou 70 páginas regula a forma de produção, identifica os produtos autorizados e não-autorizados, define o tipo das formas de barro utilizadas na cozedura, estipula as condições de salubridade exigidas aos fabricantes, etc.", referiu Rui Catalão.

Uma das regras incluídas no manual é, por exemplo, a de que o pão-de-ló de Ovar só pode ser confeccionado com ovos de Aveiro. "Esse foi um dos nossos contributos para a economia do distrito, já que gastamos milhões de ovos no pão-de-ló e queremos ajudar a região em que trabalhamos", justificou o representante dos produtores vareiros.

A fiscalização do processo de fabrico, por sua vez, será efectuada "por uma entidade externa já contratada pelo Ministério da Agricultura português, cabendo à Associação de Produtores apenas um papel punitivo face aos infractores, quando isso se justificar".

Quanto à concorrência entre fabricantes num território que agora está limitado ao concelho de Ovar, Rui Catalão transmitiu uma mensagem tranquilizadora: "Não queremos entrar em guerras estéreis. Todos somos colegas e há espaço para todos".

O Pão-de-ló de Ovar é o 17.º produto português a obter a Indicação Geográfica Protegida, hoje formalizada no Jornal Oficial da União Europeia. Em Diário da República já fora definido como "um produto de pastelaria confeccionado à base de ovos" e que, envolvendo sobretudo gemas, açúcar e farinha, se coze dentro de uma forma de barro revestida a papel branco. Exibe depois "o formato de uma 'broa' de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela", sob cuja côdea "fina, acastanhada e levemente húmida" se esconde um interior mais suave e um fundo cremoso e doce, designado "pito".

Segundo Rui Catalão, o fabrico desse produto passa agora a ser "completamente proibido pelas leis portuguesas e europeias em qualquer outra localização que não o concelho de Ovar", seja quando se apresenta na sua dimensão normal ou na respectiva versão em miniatura, conhecida como "infante".


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A IMPORTÂNCIA DO REAPARECIMENTO DO ELMO D'EL REI NA NOSSA GERAÇÃO

El-Rei D. Sebastião
 
A IMPORTÂNCIA DO REAPARECIMENTO DO ELMO DE D. SEBASTIÃO NA NOSSA GERAÇÃO

Morrer sim, mas devagar
D. Sebastião em Alcácer-Quibir

Passou a ser recorrente, entre nós, atacar a figura do nosso Rei D. Sebastião – nome único entre todos os nossos Reis e também no mundo – que de “Desejado” por todos, como ficou para a História, passou a ser considerado, por muitos, como o símbolo do erro e da leviandade.

Tudo porque arriscou uma partida difícil e perdeu uma batalha que quase esteve ganha. Acaso a tivesse ganho, não seria hoje um herói?

Creio que aquela imagem começou a ser construída no século XIX, pela historiografia emergente da Convenção de Évora-Monte, quase toda ela Liberal e Maçónica, e que se prolongou pela I República, da qual também saiu ferido o infeliz rei D. João VI, cuja figura está a ser lenta e justamente recuperada.

Não nos fica bem trata deste modo o jovem Rei-menino, que parece, afinal, ter morrido velho… Em primeiro lugar porque a jornada de África, sendo discutível, não era desprovida de nexo estratégico. Não acreditamos que se tratasse de ocupar todo o Marrocos – para o que, sozinhos, nunca disporíamos de forças suficientes – mas sim de jogar em apoios que permitissem deter o Império Otomano em rápida expansão nos Balcãs e no Norte de África. [...] Recorde-se que os Turcos só foram parados às portas de Viena em 1529 e, mais tarde, em 1683.

[...] Acresce a tudo isto o constante perigo que representava para a navegação cristã (e para as populações do litoral) a pirataria Berbere e também a “concorrência”espanhola, que cada vez intervinha mais no litoral norte africano, desde Carlos V, como são exemplos os ataques a Tunis e Argel, onde também participaram fortes esquadras portuguesas.

No Reino também se assistiu a uma mudança de política, relativamente à ideia de abandono de praças em Marrocos, posta em prática no reinado de D. João III, sobretudo após as Cortes de 1562 e da extraordinária defesa ao formidável cerco que os Mouros puseram a Mazagão, nesse mesmo ano.

A situação política em Marrocos era, outrossim, favorável: havia guerra civil e um dos principais contentores aceitou fazer uma aliança com Portugal.

É certo que o monarca português cometeu erros, sendo o maior de todos, o de se colocar à testa do Exército sem ter assegurado descendência – embora tal se devesse, em muito, à pressão dos acontecimentos.

Elmo de D. Sebastião

[...] Sem embargo, Sebastião não nos desmereceu: começou por preparar a campanha com antecedência, para o que reformou toda a legislação militar, incluindo a primeira concepção moderna de serviço militar obrigatórioDepois, combateu bem e com denodoDeu o exemplo, e pagou com a vida ou com o desterro – e tudo indica que foi esta última hipótese que ocorreu [...]. Dele disse o grande Mouzinho, na sua esplêndida carta ao Príncipe D. Luís Filipe: “…mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado…”


O desfecho da batalha pode não redimir totalmente a figura do jovem Rei, mas salvou para sempre a sua imagemDe tal modo que se entranhou no imaginário nacional um peculiaríssimo estado de alma – à revelia de toda a racionalidade – e que só os portugueses entendem: o “sebastianismo”, essa saudade das glórias passadas, misturado com a esperança da redenção do porvir.

Deve ainda ter-se em conta que não foi por D. Sebastião ter sido derrotado em Alcácer Quibir, que Filipe II se apoderou da coroa portuguesa – a nossa Marinha, por ex., ficou intacta: foi pelo caquectismo e pusilanimidade do velho Cardeal D. Henrique e porque a maioria do alto clero e da alta nobreza se deixou seduzir e corromper pelos ideais iberistas e pela prata de Sevilha! Uma lição de que nos deveríamos lembrar hoje, todos os dias…

Em síntese, apesar da sua pouca idade em Alcácer-Quibir (24 anos) D. Sebastião não nos deixou ficar malnão fugiunão desertou do combate, não traiu. Deu o exemplo, pôs-se à frente das tropas, combateu com bravura, não desmereceu dos seus maiores, não envergonhou a nobreza, o clero e o povo. Sebastião agiu de boa mente e com boas intenções.

Não era um “louco”ou um doente com deformações, como quiseram fazer crer. O seu reinado tinha sido um bom reinadoocorreu um número elevado de vitórias militares, em três continentes; estabeleceram-se muitas medidas para o saneamento da economia e finanças e até da moral e dos costumes. O próprio Rei se interessou pessoalmente pela administração da Justiça.

Ao contrário do que também quiseram fazer crer, o jovem Rei não era incapaz de conceber e não se opôs a casar-se. Opôs-se sim, a casar com quem lhe destinavam e nos moldes em que o propunham.

[...] O “Desejado”passou, desde o seu desaparecimento, a representar a esperança da redenção da Pátria, de tal modo que o povo se recusou sempre a acreditar, contra tudo e contra todos, na sua morte.

A sua figura foi um pilar fundamental da resistência à usurpação filipina e inspiradora da Restauração da IndependênciaFoi um sustentáculo da Fé e da coesão, foi a luz que nunca se extinguiu no fim da esperança “da Lusitana antiga liberdade”, no dizer de Camões.

D. Sebastião nunca morreu entre nós, esteve sempre presente na mente do povo e dos grandes portugueses, nas artes e na literatura. É um ícone do nosso imaginário!

De facto, a acreditar no que D. Sebastião representa, é conseguir ultrapassar-nos a nós próprios.

Dom Sebastião, o Elmo e Alcácer-Quibir


O elmo de combate, em boa hora recuperado e que hoje está entre nós [...], é o que nos resta d’ Ele, é um símbolo d’ Ele, é uma imagem que podemos recriar d’ Ele. (*)


Hoje D. Sebastião, o seu espírito e o que ele representa, é-nos mais necessário do que nunca.

[...] Para isso nada melhor para nos inspirar do que a figura do Rei-menino que quis a glória da terra que lhe deu o berço. O seu elmo de batalha aí está a significar a sua intemporalidade e transcendência. Ele nos fará correr mais rápido o sangue nas veias, de modo a que nos disponhamos a enfrentar quaisquer perigos.

Com ele se levantará a altaneira “raça” portuguesa e não haverá Adamastor que nos detenha.
D. Sebastião está, pois, vivo entre nós; o que ele representa está vivo, viva então em nós o “Desejado”!

[...] Arraial, Arraial, por Portugal!


Ten.Cor. Brandão Ferreira
João J. Brandão Ferreira
Tenente-Coronel Piloto-Aviador (Ref.)
Excertos do artigo publicado em 7-8-2011: http://novoadamastor.blogspot.pt/. Os destaques gráficos são da responsabilidade da nossa Redacção.
(*) Cfr. Rainer Daehnhardt (foto), “Dom Sebastião, o Elmo e Alcácer-Quibir” , Apeiron Edições, Agosto 2011, 237 págs., ISBN: 978-9898447-17-3


EÇA DE QUEIROZ, NAS "FARPAS": POLÍTICA... A FIDALGUIA DOS PLEBEUS!


Política... a fidalguia dos plebeus!

«- E a que se chama política, meu amigo? Tenho-lhe ouvido… 
- A política é uma ocupação dos ociosos, uma ciência dos ignorantes, uma riqueza dos pobres e uma fidalguia dos plebeus. – Reside em S. Bento…»

- Eça de Queiroz in ‘As Farpas’

terça-feira, 23 de agosto de 2016

REAL DE LISBOA HOMENAGEIA S.A. A SENHORA INFANTA D. MARIA ADELAIDE



AGENDA - 10 DE SETEMBRO: A Real Associação de Lisboa, através do seu Núcleo Sul do Tejo , homenageia S.A. a Senhora Infanta D. Maria Adelaide na Fragata " D. Fernando II e Glória ", na Doca da Trafaria.

D. Maria Adelaide de Bragança van Uden ( 1912-2012 ), neta de D. Miguel I de Portugal, é um exemplo de cidadania e serviço ao próximo, desde os dias da resistência ao III Reich até à obra social da Fundação D. Nuno Álvares Pereira por si criada.

Uma vida exemplar, reconhecida pela própria República Portuguesa que a fez Grande Oficial da Ordem do Mérito, e que será lembrada neste dia por quem melhor a conheceu.

( Entrada livre, sujeita à disponibilidade do local )


PLURALIDADE E DEBATE

 
Se é certo que desde a implantação violenta da república o movimento monárquico português enfrenta terríveis dificuldades de afirmação, tal deve-se não só à repressão mais ou menos agressiva que sofreu, mas sobretudo à dificuldade que os seus apoiantes vieram demonstrando em estabelecer prioridades que, para lá do indispensável debate de ideias, privilegiassem uma mensagem clara e de unidade: o apoio incondicional a uma instituição representativa da nossa identidade transgeracional como Nação de 900 anos de história, isto é, na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. 
 
Acontece que, sem que se veja sobressair um pensamento novo ou personalidade intelectual que marque a nossa geração, o debate entre as diferentes sensibilidades monárquicas nos dias que passam termina quase sempre em zangas tão insanáveis quanto pueris, o que compromete a já precária relevância pública da nossa Causa – nem que seja por desperdício de energias. 
 
Passados mais de cem anos sobre o 5 de Outubro de 1910, deveria constituir grande preocupação que a nossa geração não tenha ainda dado à luz uma obra digna desse nome para uma renovação do pensamento monárquico que fez história no século XX: então, tivemos personalidades ilustres e distintas como Jacinto Ferreira, João Camossa, João Taborda, Francisco Sousa Tavares ou Barrilaro Ruas, Mário Saraiva, António Sardinha, Hipólito Raposo, Pequito Rebelo, Almeida Braga, Alfredo Pimenta, e Alberto Monsaraz. Hoje, os poucos que pensam o assunto, as mais das vezes fazem-no levianamente nas redes sociais, consumindo-se numa disputa fratricida com os que afinal não deixam de ser seus correligionários. Se o debate de ideias é vital para a credibilidade e consistência da doutrina monárquica, mais decisiva será uma sã coexistência dos diferentes modos de pensar e de ler a realidade. Dessa forma enriquece-se a produção doutrinária e desloca-se o foco do conflito para aquilo que numa escala de valores correcta deveria ser o alvo prioritário da nossa acção: o combate ao ideário republicano (se é que ele existe) e aos (apesar de tudo poucos) facciosos que ainda o defendem. É nesse sentido que o Correio Real desde o seu primeiro número patrocina e desafia a contribuição de quantos se dignem a participar com diferentes opiniões e sustentadas perspectivas sobre História e Monarquia. 
 
Ainda que sob o signo do improviso e da falta de recursos, os inconformados bravos da Galiza que seguiram Paiva Couceiro para a rebelião armada, tradicionalistas ou liberais puseram de lado as suas bandeiras e sacrificaram-se pela mesma e comum causa maior: Portugal. Nisso devíamos seguir-lhes o exemplo, em homenagem aos nossos antepassados, em comunhão com o nosso Príncipe, para felicidade dos nossos sucessores.
João de Lancastre e Távora